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Crítica | Invincible diverte, mas violência das HQs é desnecessária na animação

Claudio Yuge
·9 minuto de leitura

Invincible, séria animada que adapta os quadrinhos de Robert Kirkman, está chegando esta semana ao Amazon Prime Video. A história narra a vida de um jovem de 17 anos que é filho de um poderoso alienígena com uma humana, Mark Grayson. O adolescente ainda está aprendendo a usar seus poderes quando se vê frente a ameaças como invasões extraterrestres e vilões sádicos. E, enquanto tenta salvar o dia e seguir os passos de seu pai, um famoso super-herói, ele também tenta sobreviver ao colegial.

A adaptação vem credenciada não somente por ter a presença de Kirkman como produtor e "o mesmo criador de The Walking Dead", como também devido ao elenco estelar que compõe a equipe de dubladores. Invincible tem a participação de Steven Yeun (The Walking Dead), J.K. Simmons (Homem-Aranha), Mark Hamill (Star Wars), Seth Rogen (Ligeiramente Grávidos), Gillian Jacobs (Community), Zazie Beetz (Coringa), Sandra Oh (Grey’s Anatomy), Jason Mantzoukas (The League), Zachary Quinto (Star Trek), Marhershala Ali (Green Book: O Guia), Ezra Miller (Liga da Justiça), Djimon Hounsou (Guardiões da Galáxia), Jon Hamm (Mad Men), entre outros.

As prévias já mostravam grande fidelidade aos traços originais de Ryan Otley e Cory Walker dos quadrinhos, com a atmosfera e o tom também bastante semelhante às histórias das revistas da Image Comics, publicadas em 144 edições entre 2003 e 2018. O Canaltech já viu três episódios liberados pelo Amazon Studios e, abaixo, estão algumas impressões da primeira temporada, que tem um total de oito capítulos.

Atenção! Abaixo estão spoilers que podem estragar surpresas da primeira temporada da animação Invincible!

Fidelidade ao material original

Bem, a história é basicamente a mesma, com algumas pequenas diferenças em relação às revistas originais. Mark Grayson (Steve Yeun) é um adolescente com uma vida aparentemente normal no colegial. Mas logo ficamos sabendo que seu pai, o Omni-Man (J.K. Simmons) é um ser muito poderoso e um dos super-heróis mais conhecidos em todo o mundo.

Quando Omini-Man e sua equipe são vencidos em combate, Deborah Grayson (Sandra Oh), sua esposa e mãe de Mark, fica mais preocupada do que o habitual. Mark precisa começar a seguir os passos do pai, pois a cidade — e o mundo — fica desprotegida diante de uma invasão alienígena. É aí que ele conhece Atom Eve (Gillian Jacobs), uma super-heroína que aparece ao auxílio ao lado de um grupo formado por Rex Splode (Jason Mantzoukas), Dupli-Kate (Malese Jow) e Robot (Zachary Quinto).

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video
Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

No dia seguinte em que lutam juntos, Mark se revela para Samantha no colégio, com ambos sabendo que são Invincible e Atom Eve, respectivamente. Em meio a isso tudo, vemos um crescente número de bandidos aparecendo e um triângulo amoroso nascendo entre Mark, Samantha e Amber Bennett (Zazie Beetz), que é mais relacionável ao cotidiano de um adolescente “normal” no colégio, pois ela não tem poderes.

Bem, isso tudo é muito semelhante às primeiras edições das revistas. O ritmo, claro, é um pouco mais rápido do que o que vemos nos quadrinhos, e isso é bom, pois, a essa altura, o grande público já está bastante habituado a histórias em que você pode entender como uma combinação entre as aventuras colegiais de descoberta dos primeiros dias de Peter Parker como o Homem-Aranha com o heroísmo em escala cósmica do Superman.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video
Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

O próprio Kirkman já havia dito que a intenção era “condensar tudo o que gosta do gênero de super-heróis” nas histórias de Invincible. E é mais ou menos por aí, com uma certa pitada de sátira.

Ultraviolência gráfica

E aí entra um ponto que, quando a revista foi lançada, fazia muito mais sentido. Em 2003, o mercado de quadrinhos de super-heróis estava se recuperando de um período decadente nos anos 1990. Além disso, a virada do milênio trouxe a quebra de paradigmas, revolução na comunicação com a chegada da internet e uma certa provocação com modelos anteriores. A sensação era de um novo começo após os temores da possibilidade de “fim dos tempos”.

Esse foi um ambiente em que várias paródias, sátiras e obras sarcásticas e provocativas ganharam espaço justamente para tirar o mercado do entretenimento da mesmice. Kirkman já havia feito isso em seu Battle Pope, que ironiza algumas questões religiosas na forma de um gibi de ação. Era um momento em que a ultraviolência e os tons crus de Quentin Tarantino e Guy Ritchie estavam em seu auge.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video
Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

E, nesse cenário, Invincible surgiu de forma ainda mais divertida. Isso porque, além de ter trazido de volta tudo aquilo que mais gostávamos no Superman e no Homem-Aranha, apresentou um tipo de provocação e crítica ao próprio gênero, banalizando os clichês das revistas de super-heróis. E isso, inicialmente, caiu como uma luva. Contudo, com passar do tempo, algumas dessas provocações começaram a soar exageradas — não se sabe se teremos, por exemplo, a adaptação de um momento polêmico dos quadrinhos, que envolve estupro.

Tudo isso foi dito porque a animação conserva o mesmo alto teor de violência gráfica. E embora a fidelidade ao material original seja interessante, o efeito que aquela ultraviolência banalizada causava no passado tem a mesma função e impacto nos desenhos. Digo, em alguns momentos serve para mostrar a perda de controle ou as consequências reais de um mundo onde muita gente tem o poder de destruir quarteirões inteiros — ou seja, é parte de um recurso de narrativa. Mas, em outras, soa completamente desnecessário.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video
Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

Aqui, as questões familiares e o ar dramático injetado pelos atores soam muito mais interessantes e realistas, o que deixa essa violência gráfica toda mais… sem graça do que deveria ser. Ou seja, perdeu aquele impacto sarcástico das HQs. Teve gente que gostou bastante e até comparou com a série The Boys. Mas estamos falando de uma criatura diferente por aqui, em uma história que deve se sobressair muito mais por falar sobre relacionamentos, legado e heroísmo — coisas que poderíamos assistir ao lado do filho ou do sobrinho pequeno.

Dublagem destaca a personalidade dos atores

É impossível falar desta adaptação sem comentar o elenco que dublou os personagens. Steven Yeun traz um ar mais “nerd” a Mark, o que inicialmente soa mais apropriado, especialmente para um jovem que ainda está aprendendo a se relacionar com garotas e a usar seus poderes. Gillian Jacobs impõe um jeito mais agitado e temperamental em Eve, o que também combina muito bem com a personagem.

E alguns personagens ganharam a “cara” de seus dubladores. Allen, o Alien, por exemplo, tem a voz inconfundível de Seth Rogen, com direito às suas expressões e seu jeito bastante característico de argumentar. Jason Mantzoukas também está impagável como Rex Splode e dá até para imaginar suas expressões reais quando fala, sempre gritando, na pele do herói nervosinho. Dá até para brincar de adivinhar quem é quem só pela voz, pois tem muita gente famosa no elenco.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video
Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

No caso de Yeun e Jacobs, por exemplo, a fusão criou algo específico para Invincible, enquanto Rogen e Mantzoukas basicamente fizeram suas mesmas vozes que já fazem para todos seus personagens. Embora isso seja divertido, pode ser que alguém que é fã dos quadrinhos estranhe uma certa mudança no comportamento, justamente porque alguns intérpretes colocaram um peso a mais de sua própria personalidade na dublagem.

Para mim, o resultado final ficou excelente, pois algumas criaturas realmente parecem menos interessantes sem essa dramatização.

Poderes inventivos e evolução de personagens

Uma das coisas mais divertidas de ver — e ler — Invincible é acompanhar como Kirkman realmente faz uma homenagem aos super-heróis ao brincar com enredos e criações que já vimos diversas vezes nesses gibis, mas com um certo frescor; uma pegada atualizada. Você vai vislumbrar muitos poderes sendo usados de maneiras diferentes, com um “twist” para dar um novo charme.

Por exemplo, em certo momento, vemos uma briga — supersanguinolenta, claro — entre dois membros da equipe de heróis. Só que o visual de um deles, que na verdade é um alienígena, é de uma criança. E ele até mesmo usa isso quando está apanhando. Afinal, quem continuaria surrando alguém que se parece com uma garotinha pequena?

Só no primeiro episódio, os mesmos alienígenas tentam invadir a Terra três vezes. E como o tempo para os invasores avança muito mais rápido na dimensão deles, a cada momento que eles retornam todo seu aparato e estratégia avançaram muito desde o último encontro — o que deixa a situação dos heróis cada vez mais difícil, pois os inimigos aprendem bastante a cada derrota.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video
Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

Essa inventividade na recriação de clichês é uma das coisas que Invincible faz muito bem nos quadrinhos; e, agora também na adaptação. Além disso, todos os personagens mudam muito ao longo da história — diferente do que costumamos ver com ícones como Batman, Superman, entre outros, que há décadas mantêm, basicamente, o mesmo núcleo de elementos e comportamento.

Então, a expectativa é de que realmente vejamos a trajetória de crescimento de Invincible e todos ao seu redor, em uma coming-of-age story. Vamos esperar que toda sua carreira possa ser contada com outras temporadas, claro.

Vale a pena?

É uma história clássica de super-heróis, que traz certa ironia e provocação ao gênero, mas não de forma tão sarcástica ou irônica como em The Boys, que, na verdade, desconstrói os heróis. Aqui, o que mais ambos têm em comum é o uso da violência gráfica como paródia para as histórias da seara. Mas os paralelos acabam por aí, porque Invincible está muito mais para uma homenagem do que para uma crítica.

Os aspectos técnicos são todos acima da média, com desenhos cartunescos que lembram os gibis originais e dublagem acima da média. Cada episódio, de quase uma hora, tem uma história que, claro, se conecta com os episódios seguintes. Mas é possível vê-los até “a conta gotas”, porque há uma sensação de começo, meio e fim em cada capítulo.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video
Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

Se você é fã disso tudo, não perca tempo — mas só não vá mostrar para criancinhas, porque o banho de sangue, embora divertido, é pesado para os baixinhos e pode não fazer sentido para algumas audiências.

Invincible terá seus três primeiros episódios liberado pelo Amazon Prime Video nesta sexta-feira (26). Depois disso, os outros cinco capítulos serão distribuídos semanalmente.

Fonte: Canaltech

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