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Crítica Halloween Kills: O Terror Continua │ Crime ocorre, nada acontece

·6 minuto de leitura

Como toda produção cultural, filmes são produtos de seu tempo. No caso do cinema de terror, eles dão forma aos medos da sociedade de determinada época. A franquia Halloween, por exemplo, nasce justamente como um reflexo desse imaginário do serial killer que surge na na virada dos anos 1960 e 1970 com Michael Myers sendo a personificação desse mal absoluto, esse alguém que é ao mesmo tempo humano e demoníaco, tal qual o próprio Charles Manson. Mas como manter esse conceito válido depois de tanto tempo? Como ser relevante quando os nossos medos são outros?

É diante esse dilema que o novo Halloween Kills: O Terror Continua tenta se encontrar. Embora se apegue a uma figura que ainda é icônica na história do cinema, a sua imagem não tem mais o mesmo peso de 40 anos atrás e o longa se divide entre se manter fiel àquilo que o público já conhece e espera da série e tentar modernizar essa representação do que é o mal e com quais medos ele dialoga.

Para isso, ele dá sequência aos eventos mostrados no filme de 2018 — tanto que tudo se passa na mesma noite do longa anterior. Depois de perseguir Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e sua família mais uma vez e ser derrotado, Myers prova novamente ser capaz de superar a morte e volta a matar todo mundo que aparece na sua frente. A diferença, contudo, é que ele deixa de ser somente o assassino descontrolado e também se torna presa, passando a ser caçados pelos moradores da pequena Haddonfield, que querem colocar um ponto final em toda essa história banhada a sangue.

E é aqui que a gente vê a tal tentativa de modernizar aquilo que a figura desse mal significa. Agora, o verdadeiro terror não é o outro, mas aquilo que nós mesmos nos tornamos. Ao mesmo tempo em que vemos esse grupo se organizando para derrotar o serial killer com máscara de couro, passamos a perceber como as pessoas pouco a pouco começam a se assemelhar ao assassino. É como se o mal que Michael Myers representa influenciasse toda a cidade e, com isso, todos passassem a se tornar um pouco desse monstro.

Essa é uma mensagem bastante interessante de se ver e que dá um passo um pouco além da figura clássica do mal que não pode ser impedido na qual a série se apoiou por tanto tempo. Aos gritos de “O mal morre hoje”, vemos como o medo é uma semente desse próprio mal que ele jura combater a ponto de uma turba enlouquecida perseguir um inocente dentro de um hospital por achar que ele é o assassino à solta na cidade. É um lembrete de que, às vezes, esse mesmo mal que nos amedronta se disfarça de boas ações para se perpetuar e que o discurso de que somente a violência vai acabar com a violência é tão sedutor quanto falso.

Michael Myers segue matando geral porque é o que ele faz (Imagem: Divulgação/Universal Pictures)
Michael Myers segue matando geral porque é o que ele faz (Imagem: Divulgação/Universal Pictures)

Só que tudo isso se resume a coisa de 20 minutos dentro de toda a história. É como se Halloween Kills: O Terror Continua desistisse dessa ideia de ressignificar seus próprios símbolos e decidisse voltar para o básico de sempre, fazendo questão de jogar fora toda a construção narrativa que vinha sendo apresentada até então. Tanto que os mesmos personagens que se veem horrorizados ao perceber que se tornaram tão monstruosos quanto Myers estão linchando um idoso no meio da rua poucos minutos depois.

E por mais que, para os fãs mais puristas, esse retorno ao feijão com arroz de matança da franquia seja o grande charme de qualquer Halloween, isso acaba evidenciando o quanto O Terror Continua é um filme fraco. Na verdade, se você parar para pensar por apenas um minuto, vai perceber que o longa sequer tem uma história para contar. Tudo se resume a “Myers não morreu no filme anterior e segue matando todo mundo de novo”.

Como dito, o arremedo de roteiro aqui coloca os personagens na mesma noite do filme de 2018, o que faz com que o longa seja muito mais uma parte 2 daquela história do que realmente uma continuação. Para ser uma sequência, espera-se que a trama se encaminhe para algum lugar. No entanto, o que vemos em O Terror Continua são eventos que partem do nada em direção a lugar nenhum.

A ideia de colocar a cidade caçando Michael Myers é interessante, mas a mensagem por trás disso é logo abandonada (Imagem: Divulgação/Universal Pictures)
A ideia de colocar a cidade caçando Michael Myers é interessante, mas a mensagem por trás disso é logo abandonada (Imagem: Divulgação/Universal Pictures)

Parece exagero, mas o filme realmente não segue em nenhuma direção. Ele é inteiramente baseado em Michael Myers apenas matando indiscriminadamente só porque é isso o que ele faz. Todos os personagens acabam da mesma forma que começaram o filme — com exceção daqueles que morreram, obviamente —, o que faz com que o longa não tenha propósito algum de existir. Não há nenhum arco narrativo e nem mesmo a trama se encaminha para algum lugar.

Para tentar dar algum peso dramático às mortes e à caçada ao assassino da máscara de borracha, O Terror Continua se apega aos eventos do filme de 1978, fazendo diversas inserções de trechos do clássico. Só que ele busca tantas referências no original que deixa de fazer referências para usar o longa de 40 anos atrás como uma muleta para a sua falta de roteiro.

Isso tudo evidencia não apenas como Halloween Kills é vazio como também denota o quanto a série sofre por não mais dialogar com o nosso tempo. Por mais inventivos que sejam os assassinatos de Myers, já temos uma legião de outros filmes que apresentaram mortes muito mais brutais. Ao mesmo tempo, a própria realidade já se provou muito mais cruel e implacável. Nesse caso, como sentir medo?

Halloween Kills pode ter sido o dinheiro mais fácil da carreira de Jamie Lee Curtis (Imagem: Divulgação/Universal Pictures)
Halloween Kills pode ter sido o dinheiro mais fácil da carreira de Jamie Lee Curtis (Imagem: Divulgação/Universal Pictures)

Essa incapacidade de amedrontar ou mesmo de chocar faz de O Terror Continua um filme sem propósito. Ele não tenta ressignificar seus símbolos e muito menos fazer sua história avançar. No máximo, é uma caricatura daquilo que a série já representou um dia — e, como toda caricatura, o resultado é o riso.

Tudo o que resta ao espectador é rir das bobagens que são mostradas na tela, como o fato de ninguém na cidade saber dar um tiro, acender uma luz quando entra em um cômodo qualquer ou mesmo correr de um monstro que parece um bloco de tijolo andando. Há quem diga que esse terror trash que flerta com o cômico é o charme desse revival das franquias antigas, mas foi esse mesmo terrir que enterrou muitas séries clássicas entre os anos 1980 e 1990.

Assim, Halloween Kills: O Terror Continua se apresenta como um filme preguiçoso que tenta pegar carona na boa recepção de seu antecessor. Sem trazer nada de novo nem mesmo para a história que vinha sendo contada, ele se comportal tal qual seu assassino-protagonista, agindo por instinto e no automático, sem qualquer razão para nada. Ao vestir essa máscara de clássico que não lhe cabe, ignora que esse tipo de terror não dialoga com o nosso tempo e entrega algo aquém do que outros filmes e até os noticiários são capazes de oferecer.

Halloween Kills: O Terror Continua está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil; garanta seu ingresso na Ingresso.com.

Fonte: Canaltech

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