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Crítica | Batman: Morte em Família tem produção impecável e interação cansativa

Claudio Yuge
·6 minuto de leitura

Batman: Morte em Família foi uma história publicada originalmente pela DC Comics em quatro partes, no final de 1988. Na trama, o segundo Robin, Jason Todd, acabou se complicando devido ao seu jeito temperamental e violento de ser. Uma das coisas que chamou a atenção na época foi a maneira que sua morte foi decidida: os leitores puderam escolher qual seria o destino do Garoto Prodígio nas mãos do Coringa. No final, Todd foi brutalmente espancado pelo vilão, em uma das sequências mais agressivas e tristes já publicadas em um gibi de super-heróis.

A Warner Bros vem perpetuando e atualizando os maiores clássicos da DC Comics já há alguns anos em versão digital, por meio de suas animações para home video. E a hora dessa trama vinha chegando, assim como a pergunta: os fãs poderiam escolher de novo o destino de Jason Todd? Eis que a companhia aproveitou a tecnologia para ampliar essa “votação”.

Atenção: a partir deste ponto há várias informações que podem estragar surpresas, não somente da animação como da trama original e outras ramificações da DC Comics, tanto nas publicações como nas telinhas

Assim nasceu a animação Batman: Morte em Família, uma versão interativa da clássica história, com o usuário fazendo o “caminho” para o final no estilo Black Mirror: Bandersnatch — mas sem aquele looping exaustivo da atração da Netflix. A escolha é feita diretamente na tela, com um tempo de ativação de setas para um das duas ou três opções.

<em>Imagem: Captura/Canaltech</em>
Imagem: Captura/Canaltech

Aqui, o foco não está exatamente no que levou Todd a perecer; e sim no “luto” e nos desdobramentos desse acontecimento, incluindo seu retorno como o personagem Capuz Vermelho. Lembrando que a animação Batman Contra o Capuz Vermelho, que já explicou com detalhes essa “ressurreição”, foi lançada há dez anos — então, convenhamos, mesmo com o aviso de spoiler, muita gente já sabia disso.

O interessante aqui, então, é como a Warner decidiu fragmentar as várias histórias originais dos quadrinhos que abordam a morte de Jason Todd nos últimos 30 anos em uma animação com nada menos do que sete diferentes finais. Nesta crítica não vou comentar cada um deles, mas sim como ficou o resultado de tudo isso.

Primor técnico

Quem acompanha os filmes que saem da Warner direto para home video sabe que a companhia costuma caprichar bastante — e vale reforçar o aviso que, assim como outros lançamentos, este Batman: Morte em Família não é exatamente dedicado aos pequenos, pois conta com bastante violência e temas que não são adequados para as crianças.

Desde os grafismos da tela de apresentação da aventura até a fonte escolhida, a identidade visual dos menus e o próprio suspense da interface de escolha de cada opção que você deve fazer trazem um cuidado que mostra como a companhia leva a sério esse tipo de produção. Quando a Warner começou a lançar essas animações especiais, em 2007, com A Morte de Superman, dava para notar que a intenção da companhia era muito mais de apresentar e “arquivar digitalmente” os clássicos dos quadrinhos da DC Comics do que de criar algo próprio em outra plataforma — tanto é que a própria morte do Superman foi revisitada no formato atual recentemente.

<em>Imagem: Reprodução/Warner Bros</em>
Imagem: Reprodução/Warner Bros

Agora, essa coleção, que já teve seu próprio universo compartilhado e conta com 38 títulos, tornou-se uma “criatura própria”. Ou seja, deixou de ser apenas uma maneira de “perpetuar” o legado da DC Comics em um meio digital para ser uma proposta que mantém o núcleo das histórias e personagens com uma diferente forma de expressão artística.

<em>Imagem: Reprodução/Warner Bros</em>
Imagem: Reprodução/Warner Bros

Além da já mencionada arte, a elegância dada ao tratamento do som é a maior prova disso — até porque é justamente algo que não temos nos quadrinhos. O trabalho de vozes de Bruce Greenwood (Bruce Wayne/Batman), Vincent Martella (Jason Todd/Robin), Gary Cole (Comissário Gordon), Zehra Fazal (Talia al Ghul); a composição criada por Christopher Drake e os detalhes de cada barulhinho das perseguições, explosões, entre outras coisas, são dignos de serem indicados ao Oscar.

Experiência cansativa para ver de uma vez só

Com relação à trama, há uma verdadeira “salada” de histórias lançadas nos últimos 30 anos. Na verdade, há muito pouco relacionado diretamente à edição Morte em Família lançada em 1998. Assim como em outras produções anteriores, a Warner atualizou o material com todas as principais histórias conectadas que chegaram às bancas.

Assim, espere ver Jason Todd como o segundo Robin, mas também como o Red Robin, como Silêncio e como Capuz Vermelho. O emaranhado de decisões que a animação propõe visita várias versões do mesmo personagem — e isso faz muito sentido, já que a DC Comics é conhecida por apresentar diversas perspectivas sobre eventos e heróis.

<em>Imagem: Reprodução/Warner Bros</em>
Imagem: Reprodução/Warner Bros

Para os fãs hardcore dos quadrinhos, a experiência pode até parecer mais divertida, pois é possível ver como os roteiristas se esforçaram para misturar as principais tramas das últimas décadas em uma cronologia aceitável e inteligível; e para os novatos, a descoberta sobre tantos aspectos pode tornar a sessão igualmente compensadora.

<em>Imagem: Reprodução/Warner Bros</em>
Imagem: Reprodução/Warner Bros

Contudo, isso pode soar muito cansativo, especialmente se você tentar ver tudo de uma vez só. Lembre-se que estamos falando de uma morte em família. Os próprios assuntos, as tramas e a ação que envolvem esse tema podem tornar a interatividade ainda mais desgastante.

Os bônus são incríveis

Normalmente, não costumo falar sobre os extras das animações, mas a Warner merece um ponto extra para esse lançamento. Além de dois caprichados trailers sobre as próximas atrações de Superman e do Exterminador, Batman: Morte em Família traz cinco curtas excepcionais: Sargento Rock, Adam Strange, Vingador Fantasma e Morte (de Sandman).

<em>Morte (Imagem: Reprodução/Warner Bros)</em>
Morte (Imagem: Reprodução/Warner Bros)

Cada uma dessas animações amplia bastante o Universo DC fora das revistas e, em comum, todas trazem o que a DC Comics tem de melhor: personagens de origem estranha com intenções moralmente questionáveis e misteriosas; mas com grandes lições sobre esperança e legado, narradas de uma maneira divertida e intrigante.

Na verdade, cada um desses curtas merece uma crítica própria.

Vale a pena?

Se você é fã dos home videos da Warner, essa é uma produção obrigatória, pois é o projeto mais ambicioso dessa frente e traz a evolução de tudo o que a companhia aprendeu com os 38 títulos desse setor lançados até agora. Pode ser cansativo, mas a experiência vale a pena, pois “arquiva digitalmente” os clássicos e os revitalizam em uma diferente forma de expressão.

<em>Imagem: Reprodução/Warner Bros</em>
Imagem: Reprodução/Warner Bros

A animação não traz, obviamente, a urgência, a surpresa e o choque da obra original, especialmente por conta do contexto da época e pelo fato da morte de Jason Todd ter sido amplamente explorada em vários arcos narrativos das histórias em quadrinhos ao longo dos anos. Mas a combinação criada pelos roteiristas, para mesclar os aspectos mais importantes desse evento, compensa a perda de impacto.

Essa crítica foi baseada na versão para Blu-ray, que conserva as características de trazer mais menus e material de bônus do que os lançamentos digitais. Embora acredite que não deva haver diferenças com relação ao conteúdo e interatividade, aqui está um belo exemplo de que o modelo físico ainda pode ser útil, especialmente com um compilado de tantas histórias como é Batman: Morte em Família.

Fonte: Canaltech

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