Mercado abrirá em 2 h 52 min

Crítica | A Barraca do Beijo 2 peca pelo excesso de tempo e arcos coadjuvantes

Beatriz Vaccari

O termo "comfort movie" ganhou popularidade nas redes sociais nos últimos anos para se referir a filmes que relaxem o espectador e que, geralmente, são reproduzidos quando as pessoas estão tristes e precisando de algo que as faça bem e traga conforto (como o próprio nome diz). Nesse nicho, normalmente encontram-se produções que, em sua maioria, abordam o romance adolescente em sua forma mais pura e clichê: com protagonistas que o público consegue facilmente se identificar, vivendo problemas e frustrações típicos da idade, enfrentando uma série de questionamentos particulares ao decorrer da história para, no final, tudo se resolver da maneira mais feliz e simples do mundo.

Toda geração tem seu comfort movie, desde Gatinhas e Gatões (1984), 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999), A Nova Cinderela (2004) a Simplesmente Acontece (2014). A Netflix também não ficou de fora de abordar filmes com essa temática em seu catálogo, tendo em Para Todos os Garotos que Já Amei (2018) um de seus maiores sucessos até hoje. E por mais que A Barraca do Beijo (também de 2018) tenha sido disponibilizado alguns meses antes, o filme acabou surfando no sucesso da história da adolescente Lara Jean para ganhar a legião de fãs que transformaram o título em uma franquia, como foi anunciado há um ano pela plataforma de streaming.

Atenção! Daqui em diante este texto pode conter spoilers de A Barraca do Beijo 2.

Joel Courtney e Joey King retornam para os papéis dos melhores amigos Lee e Elle (Imagem: Netflix)

A Barraca do Beijo 2 ao catálogo do streaming chegou na última sexta-feira (24), trazendo a talentosíssima Joey King reprisando o papel principal da adolescente Elle Evans. O elenco ainda conta com Joel Courtney (Super 8) novamente no papel de Lee Flynn, melhor amigo da protagonista; Jacob Elordi (Euphoria) vivendo o galã e namorado de Elle, Noah Flynn, que desta vez terá que disputar espaço no coração da adolescente com o novato Marco Peña, interpretado pelo ator Taylor Zakhar Perez.

A sequência chega poucos meses depois de Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você, o que chega a ser irônico. É meio inevitável comparar os dois filmes, uma vez que a premissa de ambas histórias é quase a mesma e os erros tendem a se repetir, exceto por um detalhe: enquanto na continuação da história de Lara Jean os fatos são jogados e espremidos em 102 minutos com a esperança de que o espectador acompanhe todo o conflito e questionamentos que se passam na cabeça da protagonista, a história de Elle Evans se estende por mais de duas horas, arriscando ser extremamente cansativa se não fosse o entusiasmo e carinho que a atriz possui pela personagem principal ao, muitas vezes, carregar algumas das cenas nas costas.

Com os primeiros minutos sendo narrados por Elle, ela coloca o espectador a par de tudo o que aconteceu desde o início do primeiro filme: ela está no auge do seu relacionamento, apaixonada como nunca, porém seu namorado teve de se mudar para começar a faculdade e, em vez de se enfiar num buraco de tristeza como Bella Swan em Lua Nova (2009), a jovem se permite aproveitar o verão junto do melhor amigo e da família. Animada para começar o último ano do ensino médio e finalmente poder seguir para Berkeley, faculdade que sempre sonhou, os problemas da adolescente começam a aparecer a partir do momento em que o namorado sugere que ela se inscreva para ir para Harvard e cursar o ensino superior ao seu lado.

Elle Evans se vê dentro de um triângulo amoroso em A Barraca do Beijo 2 (Imagem: Netflix)

Com o surgimento de Marco Peña, o novo garoto da escola, a protagonista rapidamente se vê dentro de um triângulo amoroso, tendo seu coração disputado pelos dois galãs do filme (assim como a sequência de Para Todos os Garotos), que desempenham papéis tão fracos e superficiais que o espectador se vê assistindo o último episódio de Friends novamente e torcendo para que a protagonista escolha Berkeley ou Harvard do mesmo jeito que a torcida focou em Rachel Green escolher Paris e deixar Ross para trás.

Além disso, a trama às vezes acaba se empolgando nos dilemas dos personagens coadjuvantes e dando espaço demais para eles para depois tentar resolvê-los em poucos minutos. Esse problema acaba ficando mais evidente quando se trata do desenvolvimento do personagem de Joel Courtney, que agora está num relacionamento sério com Rachel (Meganne Young), mas não sabe administrar o tempo com sua namorada e a melhor amiga, causando ciúmes e frustração em ambas partes de sua vida. Por um lado, percebe-se uma tentativa de inverter os papéis do primeiro para o segundo filme e colocar Lee na mesma situação que Elle viveu para, por fim, poder compreender na prática o que a melhor amiga passou. A ideia é interessante, mas o jeito que isso foi trabalhado acabou ficando cansativo.

A Barraca do Beijo 3 já foi gravado e será lançado na Netflix no ano que vem (Imagem: Netflix)

Com isso, histórias de outros personagens acabam despertando muito mais interesse no público do que a de Lee Flynn. É o caso do personagem Ollie (Judd Krok) e sua paixão secreta pelo amigo Miles (Evan Hengst), que não tem muito espaço no filme, mas aborda os questionamentos, a insegurança e tudo o que pode englobar o fato de ser um adolescente homossexual no ensino médio, conquistando o espectador e dando aquele gostinho de "quero mais".

Concluindo, A Barraca do Beijo 2 consegue entreter sem sair da zona de conforto em suas piadas e história, que por mais previsível que seja, torna-se um prazer culposo. A comédia pode facilmente virar um dos filmes preferidos de qualquer adolescente, além de dar margem para a sequência que já foi anunciada pela Netflix.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: