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Crítica | Atypical ganha temporada de decisões para Sam

Natalie Rosa

A saga de Sam (Keir Gilchrist), um jovem adulto com autismo, continua na terceira temporada de Atypical. O garoto, que sempre contou com a ajuda da família em todas as etapas de sua vida devido a sua condição, agora começa a tomar as próprias decisões, lidar com erros e acertos, entre outros problemas da vida adulta.

Desapegar do filho sempre foi tarefa difícil para Elsa (Jennifer Jason Leigh), que abdicou da própria vida para aprender o que é o autismo, quais são os níveis e entender qual é a melhor forma de tratar pessoas que nascem com essa condição. Vimos na segunda temporada, inclusive, que a sua vida pessoal se tornou um caos após ter um caso com um barman, fazendo com que o marido, Doug (Michael Rapaport), quisesse repensar o casamento e a necessidade de ficarem juntos.

Cuidado! Daqui em diante este texto pode conter spoilers da terceira temporada de Atypical!

Imagem: Divulgação/Netflix

Na terceira temporada tudo fica diferente, começando pelo próprio Sam. Aprovado em uma faculdade perto de casa, ele começa a percebe que nem tudo vai ser do jeito que ele queria, mas a vontade de ser independente é tão grande que ele enfrenta o desafio. No entanto, Atypical conseguiu mostrar que tudo pode acontecer no seu tempo, sem pressa ou ações tomadas por impulso.

Sam então decide que quer viver em um dormitório da faculdade, mas ao conseguir um quarto descobre que barulhos indesejados podem incomodar e distrai-lo. Sem a ajuda de ninguém, ele decide que reservar o local será o primeiro passo. Enquanto isso, ele continua vivendo em casa com a família.

O jovem também é incomodado com um dado importante que é apresentado à trama: quatro a cada cinco estudantes dentro do espectro autista não se formam na faculdade dentro de cinco anos. Informações assim são importantes para que as pessoas comecem a dar mais espaço para quem tem autismo, independentemente do nível. Sem o apoio e cuidados necessários, detalhes simples do dia a dia se tornam desafios enormes.

Imagem: Divulgação/Netflix

Sam também segue o relacionamento com Paige, que se mostra emocionalmente instável após a sua experiência na faculdade não ser o que ela imaginava. Mais uma vez, vemos uma rede de apoio em toda a família de Sam, quando Paige (Jenna Boyd) descobre que pode contar com todos da família, além do namorado.

É com Paige que Sam vive muitas de suas aventuras pela primeira vez, principalmente por ser uma personagem que nunca o tratou com diferenças.

Amizade sem privilégios

Um grande destaque da série é Zahid (Nik Dodani), o melhor amigo de Sam. Os jovens se conheceram no trabalho, uma loja de produtos eletrônicos, e Zahid também nunca tratou Sam diferente por causa do autismo, apesar de sempre demonstrar cuidado e apoio. Na terceira temporada, no entanto, Zahid termina a amizade devido a uma decisão tomada pelo próprio Sam: dedurar que a namorada do amigo roubou a loja. Mais uma vez, vemos o personagem andando com as próprias pernas.

Imagem: Divulgação/Netflix

Sam, do seu jeito, sofre com o término da amizade, mas todos nós sabíamos que esse não seria o fim. Mesmo sem demonstrar, o sentimento de Sam por Zahid consertou o problema em uma atitude tão impulsiva quanto bem planejada.

A sexualidade de Casey

A irmã mais nova de Sam, Casey (Brigette Lundy-Paine), também dedicou parte de sua vida para ajudar o irmão. Agora, ela tem tempo para viver os seus próprios dramas da adolescência, principalmente em relação à sexualidade. Enquanto namorava com Evan (Graham Rogers), Casey passa a ter mais intimidade com Izzie (Fivel Stewart), começando a nutrir um sentimento diferente por ela e a questionar a sua relação atual.

A série aborda essa descoberta com naturalidade, sem que a personagem tome medidas de desespero ou sinta medo pelo que vão pensar. Izzie, por outro lado, mostra uma personalidade inconstante na hora de lidar com essa novidade em sua vida, inclusive com um pouco de medo de aparecer de mãos dadas ou aos beijos com Casey.

Imagem: Divulgação/Netflix

Em nenhum momento, no entanto, as garotas são vistas com preconceito, nem mesmo por Sam. Apesar da sua condição, ou devido a ela, o jovem entende que não tem nada de errado na relação e a trata com toda a naturalidade que merece.

Elsa e Doug

Uma nova fase também começa para os pais de Sam e Casey, que vivem na mesma casa, mas separados. Agora, sem precisar dedicar 100% de atenção aos filhos e com mais tranquilidade em relação à vida de Sam, o casal tenta se entender, com a série mostrando que é possível administrar a vida pessoal lidando com o autismo na família, mesmo que, mais uma vez, tudo aconteça em seu tempo.

Imagem: Divulgação/Netflix

Atypical, desde a primeira temporada, trata a questão do autismo com delicadeza, dando espaço a uma condição que ainda é vista com bastante preconceito. A série ainda faz questão de levar atores que realmente estão no espectro, provando que é possível ter uma convivência social em todas as etapas da vida.

Para isso, é preciso que haja a conscientização e que o tema ganhe mais espaço para debates, sem tabu. Na terceira temporada de Atypical, todo o esforço feito pela família de Sam para incluir o jovem na sociedade é visto com resultados positivos.

Você pode assistir às três temporadas de Atypical na Netflix.

Fonte: Canaltech

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