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Crítica | Altered Carbon retorna com novo protagonista e futuro aterrorizante

Natalie Rosa

Após quase dois anos de espera, finalmente a Netfix lançou a segunda temporada de Altered Carbon. Na ficção científica cyberpunk, conhecemos a história de Takeshi Kovacs, inicialmente interpretado por Joel Kinnaman, em um mundo futurista distópico no qual a divisão entre pobres e ricos é imensa, com os mais poderosos sendo capazes de viver eternamente apenas trocando de "sleeve", seus corpos materiais, enquanto suas mentes são armazenadas em dispositivos chamados "stacks".

A primeira temporada trouxe muitos acontecimentos, mas pouco aprofundamento, fazendo com que o espectador precisasse não só entender a história dos episódios iniciais, como também como funciona esse futuro distante, seus termos, divisões sociais, tecnologias, entre várias outras coisas. Na segunda, com tudo isso já apresentado, foi possível compreender os ocorridos desde o começo, uma vez que já estávamos familiarizados com todo esse universo.

Imagem: Divulgação/Netflix

Atenção: esta crítica pode conter spoilers da segunda temporada de Altered Carbon!

No fim da primeira temporada, vimos Takeshi Kovacs determinado a encontrar Quellcrist Falconer (Renée Elise Goldsberry), também conhecida como Quell, a líder dos envoys e com quem ele teve um relacionamento no passado, quando ainda existia em seu corpo original.

Dezenas de anos se passaram e, dessa vez, o protagonista foi levado à Harlan's World, seu planeta-natal, com a promessa de encontrar a amada e em um novo corpo, interpretado por Anthony Mackie. É quando começamos a entender que em Altered Carbon, mesmo com toda a tecnologia e inteligência artificial controlando o mundo, ainda resta um pouco de humanidade nas pessoas, que se deixam levar pelo afeto.

Altered Carbon teve a difícil missão de nos fazer acreditar que era Takeshi Kovacs naquele novo corpo, com expressões faciais e trejeitos bem diferentes da primeira temporada, que acabaram fazendo com que as atitudes não fossem as mesmas. É claro que, de fato, é o mesmo personagem em uma nova "sleeve", um novo corpo, mas é complicado relacionar as duas coisas e entender que é a mesma série e que são os mesmos personagens.

A situação fica um pouco mais complicada quando a "sleeve" original de Takeshi, interpretada por Will Yun Lee, entra em jogo durante uma boa parte da segunda temporada. Mas deixando esse fato de lado, Anthony Mackie conseguiu trazer mais personalidade para o personagem, desta vez menos confuso com tudo o que está acontecendo e visivelmente com suas habilidades aprimoradas.

Imagem: Divulgação/Netflix

As cenas de batalhas e lutas de Mackie aparentam ser bem mais aceleradas e ensaiadas, consequentemente mais empolgantes que a de Kinnaman, trazendo um ponto positivo para a segunda temporada. Talvez Anthony tenha a vantagem de ter atuado como Sam Wilson, o Falcão de Os Vingadores, trazendo uma bagagem melhor que a de seu antecessor, que tem em seu currículo participações em Robocop e Esquadrão Suicida. Mesmo dessa vez sendo mais frio e "pé no chão", Kovacs continua sendo um personagem sem carisma, mas felizmente isso não é necessário para o que a trama quer apresentar.

A temporada 2 de Altered Carbon parece contar a história também de uma forma mais linear, menos cansativa e mais curta, com cada um dos oito episódios não chegando nem a uma hora de duração. Com os detalhes já explicados na primeira temporada, seria desnecessário se estender novamente. Até mesmo a premissa dos novos episódios conseguiu ser mais interessante e envolvente, focando no enredo principal e menos casos paralelos com a mesma relevância.

As personagens femininas também evoluíram na segunda temporada, deixando de ser apenas corpos objetificados para o sexo para terem mais importância para o andamento da série. Um exemplo é a personagem de Simone Missick, Trepp, que está presente nos momentos de mais ação e relevância para o roteiro, ou até mesmo Falconer ou a governadora de Harlan, Danica Harlan, interpretada por Lela Loren. Inclusive, as cenas de nudez caíram drasticamente em relação à primeira temporada.

Imagem: Divulgação/Netflix

Os clichês futurístico continuam os mesmos, mostrando veículos voadores, muito neon, inteligência artificial, realidade aumentada e virtual, hologramas, além da volta de Poe, uma IA aliada de Kovacs, capaz de reunir informações importantes para a sua missão. Possivelmente, tudo isso reunido em um longa para o cinema chamaria mais a atenção de novos fãs do que em uma série com pouca divulgação da Netflix.

Longe de ser uma série de grande referência do gênero, ou ainda uma das melhores produções originais da Netflix, a segunda temporada de Altered Carbon conseguiu marcar o seu espaço na plataforma, com episódios mais envolventes, com mais ação e menos reflexões. Isso não significa, no entanto, que as questões da elite e os avanços perigosos que a tecnologia , em paralelo com o capitalismo, podem tomar não fiquem abertos a debate, mesmo que irreais para o momento atual.

Imagem: Divulgação/Netflix

O fim da segunda temporada deixou espaço aberto para uma continuação, mas ainda não há informação sobre a terceira temporada. Para seguir firme na plataforma de streaming, Altered Carbon precisa descobrir um novo potencial para continuar sendo interessante, seja apelando novamente para a questão filosófica ou criando histórias mais inovadoras e significantes além da luta por manter um pouco de humanidade em um mundo capitalista no qual nenhum corpo realmente lhe pertence.

Altered Carbon está disponível em duas temporadas na Netflix.

Fonte: Canaltech

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