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Crítica Agente Oculto | Filme desenfreado diverte, mas se esquece do básico

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Quanto os Irmãos Russo se apresentaram ao mundo, em Capitão América: Soldado Invernal, eles transformaram um até então insosso herói da Marvel em um personagem muito interessante de ação em uma ótima história de espionagem. Com um bom roteiro, fizeram do Capitão América e do próprio Chris Evans figuras emblemáticas nesse papel do agente traído pelo próprio sistema que jurou defender e que precisa escapar em uma luta contra tudo e todos.

E Agente Oculto, o novo filme da Netflix dirigido e roteirizado pelos irmãos Joe e Anthony replica exatamente essa mesma fórmula — inclusive com algumas figurinhas repetidas — e eleva a ideia a um novo patamar. É um movimento que funciona, mas sem o mesmo impacto.

O longa é uma das principais apostas do streaming para o ano e uma investida feroz dentro do cinema de ação, trazendo não apenas nomes de peso atrás das câmaras, como também em frente a elas. Além do próprio Chris Evans, temos Ryan Gosling, Ana de Armas e até o brasileiríssimo Wagner Moura embarcando em uma trama que é realmente de tirar o fôlego.

Sem parar para respirar

E essa expressão é algo que faz muito sentido dentro do que a Netflix entrega. Parece que a ideia de Agente Oculto é deixar o espectador sem ar, trazendo uma ação tão desenfreada que você mal tem tempo de respirar em meio a tanto tiro, porrada e bomba — e aí está o principal incômodo.

Ainda que seja um bom filme, ela parece um caminhão desgovernado que segue acelerando cena após cena — de modo que cada uma tenta ser exponencialmente maior que a anterior. e não há como não se empolgar com isso, ainda mais quando os Irmãos Russo são muito bons em filmar momentos assim. Eles sabem criar grandes sequências e dar a proporção devida a cada uma delas e controlam a câmera muito bem para fazê-lo se sentir ali no meio.

A destruição de Praga é um belo exemplo disso. Há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e você não se sente perdido em meio à perseguição ou ao cerco de três facções diferentes à praça central. E tudo isso em meio a giros de câmera e alguns takes incomuns que dão um dinamismo bem único para tudo.

Ryan Gosling vive agente traído pela sua própria agência e agora precisa sobreviver enquanto tenta salvar quem ama (Imagem: Divulgação/Netflix)
Ryan Gosling vive agente traído pela sua própria agência e agora precisa sobreviver enquanto tenta salvar quem ama (Imagem: Divulgação/Netflix)

Só que, e aí? É muito divertido ver esse nível quase apocalíptico de destruição, mas um filme não se limita apenas a isso. E o que resta quando você isola as explosões e os tiros? Temos a história do agente treinado para matar sendo caçado pela sua própria agência e tendo que defender o que ele tem mais próximo de uma família, o que é interessante, mas é muito pouco desenvolvida. E é aqui que os problemas de Agente Oculto começam a aparecer.

O filme é uma adaptação do livro The Gray Man, o primeiro de uma série de espionagem escrita por Mark Greaney. E embora seja um ponto de partida bastante manjado, a premissa ainda é interessante: Court Gentry (Gosling) é um agente que foi retirado da cadeia anos atrás para integrar uma iniciativa secreta da CIA, o programa Sierra. Basicamente, era treinar criminosos sem família para se tornarem agentes letais que pudesse realizar missões especiais pelo globo — uma espécie de 007 com Esquadrão Suicida, em linhas gerais.

E essa comparação é importante, pois mostra o potencial que existe no filme e que com certeza fez a Netflix crescer o olho em cima desse universo. Agente Oculto tem o potencial de dar início a uma nova franquia para o streaming, sendo essa espécie de versão americana do bom e velho James Bond, mas subvertendo alguns pontos, como o próprio caráter menos heróico da coisa e apresentando a própria agência como uma ameaça.

Há uma tentativa de construir um passado para o protagonista, mas é tão pouco desenvolvido que não funciona nem para criar tensão nem como artifício de roteiro (Imagem: Divulgação/Netflix)
Há uma tentativa de construir um passado para o protagonista, mas é tão pouco desenvolvido que não funciona nem para criar tensão nem como artifício de roteiro (Imagem: Divulgação/Netflix)

Tudo isso é muito legal e é fácil ver a fagulha de algo maior. O problema é que quase nada disso é realmente desenvolvido porque ele se contenta em ser um filme de explosão. Todo o resto que poderia dar mais personalidade ao herói e ao seu universo é relegado a um segundo plano e quase esquecido em meio a esse frenesi que as dezenas de cenas de ação impõem.

Isso é bem nítido na tentativa (ou falta dela) de construir as relações envolvendo o protagonista com os coadjuvantes. É estabelecido que Gentry — ou Six, como é chamado o filme todo, por ser seu codinome no programa Sierra —, vê o homem que o recrutou (Billy Bob Thornton) como um pai e que isso faz com que ele e Claire (Julia Butters) sejam como irmãos.

O problema é que ele não se preocupa em ir além disso. São relações construídas como muleta apenas para justificar o corre-corre e não para desenvolver seu protagonista. Isso porque, na verdade, nada é desenvolvido. É um senso de urgência e perigo tão constante que não há tempo para respirar e tampouco para fazer os personagens e suas relações crescerem. A única preocupação do roteiro é encaixar o próximo passo de Six e mostrar como ele vai ser encurralado.

Filme se apoia inteiramente na ação e deixa todo o resto em segundo plano (Imagem: Divulgação/Netflix)
Filme se apoia inteiramente na ação e deixa todo o resto em segundo plano (Imagem: Divulgação/Netflix)

Há uma tentativa de criar um mistério sobre o passado de Six para fundamentar essa sua devoção ao velho mentor, mas que se perde nesse roteiro mais focado à ação do que à história. É pontuado em alguns momentos que ele cometeu um crime bárbaro e que isso está ligado à relação tóxica que tinha com seu pai — e que, por isso, o homem que o tirou da cadeia se torna essa figura paterna que ela nunca teve de verdade.

É um ponto que seria muito bom de ser visto sendo trabalhado, mas que aparece jogado aqui e ali sem qualquer peso significativo na narrativa. Não gera um conflito para o personagem, seja interno ou externo, assim como também não serve nada para a trama. Está ali para tentar adicionar uma camada ao herói, mas se revela apenas um remendo para justificar porque ele quase destruiu a Europa para salvar seu antigo mestre — e isso é algo que você compra por outras razões.

Sorrisos bonitos em meio às explosões

Assim, não é exagero dizer que a história de Agente Oculto é um trapo. Ele é um filme sobre o herói correndo e explodindo coisas para salvar sua “família”, mas não há qualquer evolução para além do que é apresentado nesse início. O foco é pura e unicamente a loucura que essa missão de resgate acarreta.

A química de todos os atores está muito boa e o carisma acaba levando o roteiro mais ou menos nas costas (Imagem: Divulgação/Netflix)
A química de todos os atores está muito boa e o carisma acaba levando o roteiro mais ou menos nas costas (Imagem: Divulgação/Netflix)

O grande ponto é que o filme se apoia no carisma de seus protagonistas. A dinâmica entre Ryan Gosling e Chris Evans, que vive um vilão adoravelmente detestável, é ótima e os Irmãos Russo sabem aproveitar isso em seu roteiro, trazendo aqueles mesmo diálogos ágeis e cheios de sarcasmo e tiradinhas engraçadas que eles trouxeram aos filmes da Marvel.

Ao mesmo tempo, Ana de Armas está muito bem nesse papel que soa muito como uma bond girl mais boladona. Ainda que sua personagem fique um pouco perdida na história, ela desempenha bem esse papel de agente que consegue se virar sozinha que a queria ter visto melhor em 007: Sem Tempo para Morrer, por exemplo.

Só que todos eles são apenas aquele rostinho bonito em meio a um monte de explosão e pouco desenvolvimento. Ninguém tem uma história de verdade para contar e há muito pouco, além do carisma, que te faça se importar de verdade com o que vai acontecer com eles. E para um filme que se sustenta nesse senso de perigo constante, isso é um tanto quanto problemático.

Desequilíbrio perigoso

No fim das contas, Agente Oculto é um bom filme de ação, mas não vai muito longe disso. Com uma direção bastante competente, mas um roteiro no limite do mediano, ele é apenas mais um longa que explode tudo entre tantos nesse gênero que parece ter preguiça de trazer algo novo. Ele é aquele filme que você coloca para seu tio que foi almoçar na sua casa no domingo e pede para você colocar algo bom na TV. Essa é a régua que a Netflix parece querer atender.

Se você piscar, perde o Wagner Moura no filme (Imagem: Divulgação/Netflix)
Se você piscar, perde o Wagner Moura no filme (Imagem: Divulgação/Netflix)

A grande questão é que você nota em meio a essa loucura toda uma tentativa de emplacar uma franquia — que já existe nos livros — e vê que há espaço para isso. O problema é que a falta de um maior desenvolvimento impede que você se apegue àquele universo e seus personagens. Afinal, por que eu deveria querer ver mais disso?

Agente Oculto tenta emular 007 com um tempero de Marvel, mas se esquece que tanto em uma franquia quanto em outras, há personagens bem desenvolvidos e que dialogam com o público. Acompanhamos esses filmes por tanto tempo porque nos relacionamentos com seus heróis — e há muitas poucas brechas para isso aqui.

Assim, se a Netflix quer mesmo estabelecer uma nova série, é fácil ver por que caminho ela precisa seguir no futuro. O único porém é que, para isso, ela vai precisar aparar muitas arestas. É preciso controlar esse caminhão desgovernado antes que ele capote de vez.

Agente Oculto está disponível no catálogo da Netflix.

Fonte: Canaltech

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