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Crítica | 2ª temporada de Homecoming traz consequências de decisões erradas

Natalie Rosa

Homecoming: De Volta à Pátria, série original do Amazon Prime Video, retornou no último dia 22 de maio para uma segunda temporada. Dessa vez, a trama não contou com Julia Roberts no elenco, com a atriz apenas seguindo na produção executiva, mas traz para o protagonismo a atriz e cantora Janelle Monáe.

Atenção: esta crítica pode conter spoilers de Homecoming: De Volta à Pátria.

A produção conta a história de uma divisão da empresa privada Geist, chamada Homecoming, localizada na Flórida. Lá, veteranos de guerra são recrutados para passarem por uma espécie de reabilitação para se livrar de todos os traumas causados no campo de batalha. No entanto, a companhia está mais do que mal intencionada, visto que foi criada apenas para testar um tipo de fruta que, em altas doses, faz a pessoa esquecer parte de seu passado.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

Na primeira temporada, demora um pouco para entendermos a sujeira por trás da Geist, mas descobrimos, junto à terapeuta Heidi Bergman (Julia Roberts) e ao paciente Walter Cruz (Stephan James), o plano maléfico e irresponsável da empresa. A temporada chega ao fim quando Heidi e Walter se alimentam com comida propositalmente misturada com a fruta misteriosa, fazendo com que ele tenha ingerido a medicação dobrada. Vemos então ela se esquecendo de tudo o que havia acontecido durante seu trabalho por lá, esclarecendo as cenas do futuro, com a trama deixando tudo o que aconteceu com Walter após essa ingestão para os próximos episódios.

Na segunda temporada da série, que estreou quase dois anos depois, vemos a história mostrada de uma forma diferente da primeira, quando fatos atuais e em um futuro desconhecido são diferenciados pela forma na qual a imagem é mostrada na tela: no futuro, imagem quadrada, no presente, imagem normal, ampla. Além disso, a segunda temporada dá continuidade, sem intervalos, aos acontecimentos do presente da primeira temporada, praticamente de um dia para o outro

A construção da série parece confusa, caso alguém esteja lendo sem ter assistido, mas no fim acaba sendo muito organizado para transmitir todas as informações necessárias que compõem a história. Homecoming exige, porém, atenção a todos os detalhes. Não há cena alguma que seja de menor importância para o roteiro e que também não nos façam ficar entretidos. A produção abusa dos jogos de câmera, breves planos-sequência e enquadramentos, que apesar de estarem bastante presentes nas duas temporadas, são usados de forma distinta, visto que houve troca de diretores de uma para a outra.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

A segunda temporada de Homecoming: De Volta à Pátria foca na personagem de Janelle Monáe, que acorda dentro de um barco, no meio de um rio em uma floresta, sem saber o que aconteceu e o que estava fazendo lá. Ela encontra em seu casaco uma identidade com o nome de Jacqueline Calico, militar da Força Aérea dos Estados Unidos, e esse é o momento em que a trama engana não só a personagem com perda de memória, mas também o espectador, que realmente acredita que ela é uma veterana.

Enquanto investiga quem ela é, a personagem chega a conclusões que dão início a um drama psicológico que aos poucos vai revelando sua personalidade, os caminhos e as decisões que tomou até chegar onde está. Esse processo também revela mais informações sobre a Geist e o projeto Homecoming, causando surpresas a cada episódio, sobretudo quando conseguimos relacionar tudo com o futuro mostrado na primeira temporada. Para quem não lembra, Heidi volta ao prédio em que trabalhou para o projeto e vê que Homecoming não existe mais, indicando que algo de muito terrível aconteceu. Esse algo terrível é retratado no último episódio e ocorreu no prédio da Geist pouquíssimos dias depois da perda de memória de Heidi.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

O final da segunda temporada responde várias questões das duas temporadas, trazendo a justiça, mesmo que cruel, pelos planos da Geist, e choque, principalmente devido ao envolvimento de Walter nessa vingança e o desespero de Jacqueline em ver que tipo de pessoa ela realmente é, ou era. Apesar de não ter uma tecnologia de um futuro distópico envolvido, Homecoming traz uma sensação parecida com o que acontece em episódios de Black Mirror, mostrando a que ponto o ser humano pode chegar com esse tipo de poder em mãos e criando situações desesperadoras.

Imagem: Reprodução/Amazon Prime Video

A série, sem dúvidas, é uma das melhores produções originais do Amazon Prime Video, sendo um deleite para quem aprecia uma direção bem elaborada, um suspense psicológico e atuações de tirar o fôlego. Apesar de a segunda temporada ter entregue respostas de forma satisfatória, seria interessante uma continuação para abordar ainda mais o futuro com um possível fim da Geist junto ao projeto Homecoming.

Fonte: Canaltech