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Crítica | À Espreita do Mal é suspense-terror que desafia nossa dedução

Laísa Trojaike
·4 minuto de leitura

Eis que surge, no catálogo da Netflix, mais um daqueles filmes cuja experiência pode ser ainda melhor se compartilhada, isso porque À Espreita do Mal é um filme com final imprevisível, daqueles que gostamos de indicar dizendo: “veja aí, quero ver se você descobre quem é o vilão!”. Isso também significa que é um daqueles filmes que continuam perpetuando memórias afetivas, como também fizeram Pânico e Jogos Mortais.

O elenco excepcional é essencial para ajudar a direção a manipular nossas percepções e, mesmo que você descubra quem é o vilão, é provável que ainda seja surpreendido por outros plot twists que surgem no terço final do filme. Até lá, o percurso também ativa a curiosidade do espectador: as sequências são bastante tensas e camadas são reveladas aos poucos, de modo que podemos tomar quase qualquer coisa como suspeita, ainda que esse pensamento se sustente por apenas alguns minutos.

Imagem: Reprodução/Zodiac Features
Imagem: Reprodução/Zodiac Features

Atenção! A partir daqui, a crítica pode conter spoilers.

O “como” importa

O roteiro de À Espreita do Mal é certamente menos empolgante do que o filme, não porque a história seja inferior à forma, mas porque a forma potencializa (muito) a história. Logo no início, a câmera se movimenta pela floresta, trazendo um tom sobrenatural para o filme — e quem não leu nada sobre a trama antes de assistir, pode ficar um bom tempo pensando que se trata de uma história de fantasmas.

Ainda nesta primeira sequência, o espectador é fisgado pelo momento em que o garoto é capturado, voando em câmera lenta, como se tivesse sido puxado por uma mão invisível, enquanto a bicicleta segue sozinha até desaparecer do quadro. A partir disso, os personagens centrais começam a ser apresentados. Suas relações aparecem claramente abaladas, mas nenhum detalhe nos é revelado sobre isso, aumentando ainda mais a tensão e contribuindo para a ideia de que qualquer um pode ser suspeito, o que inclui possibilidades sobrenaturais.

Imagem: Reprodução/Zodiac Features
Imagem: Reprodução/Zodiac Features

O filme não é lento, mas usa movimentos de câmera que causam desconforto suficiente no espectador para que desconfiemos de cada imagem mostrada. Recursos como zoom-ins e travellings carregam uma tremenda tensão, ainda que ninguém esteja em cena. No entanto, mesmo quando nada é revelado, como nas sequências em que a casa vazia é mostrada, nossa memória do local é exercitada.

Esse conhecimento será útil posteriormente, quando À Espreita do Mal dá uma breve guinada e, por um tempo, acabamos assistindo a um found footage que logo ativa nossas memórias de A Bruxa de Blair. Essa mudança de linguagem contribui muito para a trama por levar o suspense aos seus limites, confundindo-se com o terror. Terminado este trecho (o plot twist que revela os phroggers), tem início a parte final do filme, com ainda mais revelações e mais reviravoltas. No meio disso, a maravilhosa personagem de Helen Hunt, que vai de megera à vítima.

Imagem: Reprodução/Zodiac Features
Imagem: Reprodução/Zodiac Features

Julgamentos

À Espreita do Mal é um excelente filme de suspense e pode arrepiar os pelos da nuca de algumas pessoas, além de ter viralizado o suficiente para já ser um filme levemente cultuado por um grupo de espectadores. Até a máscara assustadora de sapo poderia se tornar um ícone digno do terror, porque o filme tem esse cacife. Mas acredito ser ainda mais interessante o modo como roteiro, montagem e direção liberam as informações em camadas sutis que se acumulam e, quando menos percebemos, está tudo de cabeça para baixo.

O foco inicial em Jackie (Helen Hunt) a coloca no início da fila de possíveis vilões ou causadores de algum mal, já que seu marido e filho parecem ser apenas pessoas muito inocentes e que foram profundamente abaladas pelo seu caso de infidelidade. Com o tempo, no entanto, sua personagem ganha álibis fortíssimos que a tiram dos epicentros dos problemas. No lugar de culpado surge seu marido, o policial que investigava o sumiço do garoto, como o vilão maior.

Imagem: Reprodução/Zodiac Features
Imagem: Reprodução/Zodiac Features

Como um filme dentro de um filme, com seu próprio núcleo de reviravoltas, a inserção dos phroggers é um elemento-surpresa que, ao longo do seu desenvolvimento, nos leva a cogitar que Alec (numa interpretação excelente de Owen Teague) é um psicopata. À Espreita do Mal nos faz quebrar a cara uma última vez, com a revelação de que não é um filme sobrenatural, nem um slasher moderninho, mas sim um belíssimo suspense sobre uma história de vingança.

À Espreita do Mal pode ser assistido na Netflix.

*Esta crítica não reflete, necessariamente, a opinião do Canaltech.

Fonte: Canaltech

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