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Cozinheira de acampamento pró-intervenção militar em SP morre de Covid-19

Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images

A cozinheira e moradora do acampamento pró-intervenção militar montado em frente a um quartel do Exército em São Paulo, Geni Francisca de Mello, de 72 anos, morreu de Covid-19, na sexta-feira passada (12), após ficar internada por mais de um mês.

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O acampamento, na zona sul de São Paulo, era composto por apoiadores do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), que estendiam faixas com os dizeres “nós exigimos intervenção militar já com Bolsonaro”. 

Segundo reportagem do UOL, Geni deixou sua casa e passou a morar em uma das barracas montadas na calçada. Ela era uma dos cinco integrantes permanentes do acampamento.

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Durante sua estadia em frente ao quartel, Geni tornou-se amiga de Cristina Villas Boas, 59, que visitava o local com frequência, e que também é a favor da intervenção militar. A amiga conta à reportagem do UOL que, no começo de maio, notou que a cozinheira estava “jururu”, como ela mesma diz. “Não queria comer”.

Cristina a convidou para passar a noite na casa dela, tomar banho quente, jantar e descansar em uma cama com colchão. Geni recusou esse convite e os próximos dois que seriam feitos pela amiga.

Quando seu estado de saúde piorou, alguns dias depois, Geni foi ao hospital buscar atendimento e ficou internada na ala de pacientes em tratamento de Covid-19. O estado clínico da cozinheira era grave, segundo reportagem do UOL.

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Ainda segundo reportagem, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos afirmou que procurou parentes de Geni, mas não encontrou e que, por esse motivo, não estava passando informações para os militantes bolsonaristas que visitavam o hospital com frequência. Segundo protocolos, as informações devem ser repassadas aos familiares.

Depois de alguns dias, quem assumiu a posição de receber os boletins diários sobre o estado do paciente, feito em casos de internados pelo novo coronavírus que não podem receber visitas, foi Cristina. 

Ela soube que não estavam dando cloroquina, medicação defendida por Jair Bolsonaro (sem partido) e por ela, mas que não é consenso entre cientistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), porque não havia familiar para assinar a documentação.

“Assinei os protocolos. Eram oito folhas. Foram dias difíceis para ela, uma pessoa que estava dando o sangue pela pátria", relatou Cristina ao UOL. Ela acredita que se tivessem dado hidroxicloroquina desde o começo, a amiga estaria viva.

Uma das lideranças do acampamento, Alexandre Neves, contou ao UOL que Geni não foi um caso isolado da Covid-19. "Outras pessoas que fazem parte do nosso movimento também pegaram. Eu peguei, mas não passou de uma coriza e a boca seca. Teve gente que pegou, se curou e voltou para o acampamento."

Uma faixa foi feita com o novo nome do amontoado de barracas, homenageando Geni: Acampamento Patriota Geni. O acampamento segue funcionando. Por lá, ninguém usa máscara nem álcool gel e as conversas giram em torno de como promover uma intervenção militar.

O Brasil tem 47.897 mortos pela Covid-19 e 984.315 casos confirmados.

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