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Covid na China derruba Bolsas e dólar já passa dos R$ 4,90

·4 min de leitura
***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os mercados mundiais de ações caíam nesta segunda-feira (25) diante de temores de que as restrições a atividades econômicas para o combate ao coronavírus na China provocassem prejuízos às cadeias globais de suprimentos, repetindo uma situação ocorrida no auge da pandemia e que está na raiz da atual inflação global.

O principal índice de ações de empresas das cidades chinesas de Xangai e Shenzhen desabou 4,94%. Na Bolsa de Hong Kong, o tombo foi de de 3,73%.

Riscos inflacionários devido à oferta de produtos vindos da Ásia reforçam a expectativa de que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) elevará agressivamente os juros para tentar conter a maior inflação no país em quatro décadas.

Juros altos nos EUA atraem investimentos para o Tesouro americano, provocando baixas nos mercados de ações e escassez de dólares em países de economia emergente, como o Brasil, que passam a ter suas taxas de câmbio pressionadas.

Às 11h49, o dólar saltava 2,12%, cotado a R$ 4,9080. Na última sessão, na sexta-feira (22), a moeda norte-americana à vista já havia disparado 4,04%, a R$ 4,8060, maior valor desde o final de março e a mais forte alta percentual diária desde o começo da pandemia de Covid-19, em 2020.

Na Bolsa de Valores brasileira, o índice de referência Ibovespa caía 1,21%, a 109.726, frequentando uma região de baixa que não era visitada desde meados de março.

No mercado de ações em Nova York, o indicador de referência S&P 500 perdia 0,80%. Os índices Dow Jones e Nasdaq recuavam 1,05% e 0,66%, respectivamente.

Na semana passada, autoridades do Fed, incluindo o chair Jerome Powell, indicaram que o banco central elevará os juros em 0,50 ponto percentual em seu encontro de maio. É uma alta superior ao 0,25 ponto esperado inicialmente. Parte dos investidores, porém, já acredita em eventual adoção de ajuste de 0,75 ponto.

Isso impulsionou o dólar globalmente, tanto na sexta-feira como nesta manhã, quando seu índice frente a uma cesta de pares fortes subia 0,5%.

Na última sessão, a disparada da moeda americana foi tão intensa que desencadeou o primeiro leilão de venda de dólar spot do ano pelo Banco Central. A autarquia colocou no mercado à vista US$ 571 milhões (R$ 2,7 bilhões), o que ajudou a manter a divisa afastada dos picos intradiários.

"Dado o ambiente externo hostil hoje para o real, não podemos descartar outra intervenção extraordinária e reforçamos nossa visão de que o BC está apenas intervindo para corrigir distorções pontuais no câmbio", disseram estrategistas do Citi em relatório nesta segunda-feira.

Além de ainda remoer as indicações mais duras de autoridades do Fed, que entram agora em período de silêncio antes de sua reunião de 3 e 4 de maio.

O preço de referência do petróleo bruto recuava 4,83% diante da ameaça de resfriamento da demanda por combustível devido ao lockdown na China. O barril do Brent estava cotado a US$ 101,50 (R$ 480,29) nesta manhã de segunda.

Em Xangai, autoridades ergueram cercas do lado de fora de prédios residenciais, provocando novos protestos públicos contra o bloqueio que está forçando grande parte dos 25 milhões de habitantes da cidade chinesa a ficar dentro de casa. Enquanto isso, em Pequim, moradores estão estocando mantimentos, temendo lockdown.

"A possibilidade de que seja decretado um lockdown (em Pequim), semelhante ao adotado em Xangai, conforme a situação pandêmica se deteriora na cidade derruba a cotação do minério de ferro e outras commodities metálicas nesta segunda-feira", disse em relatório a equipe de macro e estratégia do BTG Pactual.

Países emergentes ou sensíveis ao preço das commodities sentiam os efeitos mesmo depois da notícia de que o banco central da China reduzirá a taxa de compulsório (parcela de dinheiro que os bancos devem manter em suas reservas) para depósitos em moeda estrangeira de 9% para 8%, o que entrará em vigor em 15 de maio.

O Banco Central do Brasil fará neste pregão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1° de junho de 2022.

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