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COVID | 36% dos mortos por síndrome respiratória em 2021 não tinham comorbidade

Nathan Vieira
·2 minuto de leitura

Desde o início da pandemia, a comorbidade se tornou um termo muito utilizado. Trata-se de uma situação em que um indivíduo possui alguma doença em conjunto com outra, ou seja: a coexistência de doenças. Inclusive, já explicamos aqui no Canaltech. Recentemente, o Ministério da Saúde apontou que entre 32 mil pessoas que morreram por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por COVID-19 este ano, 36,6% não apresentavam comorbidade.

Segundo o Ministério da Saúde, isso significa que a pessoa poderia até ter alguma comorbidade, mas não de forma registrada, e ela mesma poderia ignorá-la. Enquanto isso, em entrevista ao R7, o infectologista Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e membro do Comitê Técnico Assessor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, ressalta a possibilidade de morte de pessoas sem comorbidades.

O especialista atribui essa possibilidade a vários fatores, como por exemplo a suscetibilidade genética e o aumento da expressão dos receptores ACE-2, molécula por onde o SARS-CoV-2, por meio da proteína spike, se liga à célula humana. Mas o próprio membro do Comitê Técnico Assessor do PNI ressalta a falta de informações concretas. Ele menciona que cerca de 70% das hospitalizações, formas graves e óbitos são de maiores de 60 ou portadores de alguma doença crônica, o que aponta como essa parcela da população é acometida de maneira desproporcional.

36% dos mortos por síndrome respiratória em 2021 não tinham comorbidade, segunddo relatório do Ministério da Saúde (Imagem: Arya Pratama / Unsplash)
36% dos mortos por síndrome respiratória em 2021 não tinham comorbidade, segunddo relatório do Ministério da Saúde (Imagem: Arya Pratama / Unsplash)

No entanto, o membro do comitê não descarta exceções, como idosos assintomáticos ou pouco sintomáticos e crianças e jovens que acabam desenvolvendo a forma grave da doença, o que ainda assim seria fora do padrão. O especialista aponta que, em 10 milhões de casos, 1,5% em crianças, serão 150 mil casos, uma porcentagem pequena. Ele levanta um olhar para o seguinte: o atraso no tratamento da COVID pode ser um risco para seu agravamento.

De qualquer forma, o especialista conclui que esse um ano de pandemia foi de muito aprendizado, uma vez que os profissionais da área da saúde aprenderam como tratá-la e a lidar com a forma grave, principalmente, atribuindo a doença como "um aprendizado contínuo" e por vezes surpreendente.

Fonte: Canaltech

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