Mercado fechará em 4 h 8 min

COVID-19 | Túneis de desinfecção podem causar alergia e lesões, diz ABIPLA

Nathan Vieira

Em meio à pandemia de COVID-19, que se provou cada vez mais grave, diversos países desenvolveram várias maneiras de tentar combatê-la. Com isso, os túneis de desinfecção foram inventados, em que basicamente a pessoa passa por esse túnel e sai desinfectada. Essa desinfecção acontece com a liberação de hipoclorito de sódio e água, fórmula indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em jatos que prometem a esterilização em apenas 15 segundos.  Entretanto, contrariando recomendação da ANVISA, prefeituras têm permitido a instalação de estruturas de desinfecção em locais de grande circulação.

Além da medida não ser eficaz, produtos aspergidos podem provocar lesões na pele e alergias respiratórias. Em alguns casos, são até exigidas pelas prefeituras em locais de grande aglomeração, como shoppings centers, edifícios comerciais e rodoviárias. A Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (ABIPLA) tem analisado essas estruturas desde que elas surgiram no Brasil. Paulo Engler, diretor-executivo da ABIPLA, explica que a própria ANVISA reconhece que essas estruturas não têm eficácia para a inativação do vírus. "Pior do que isso, alguns produtos aspergidos podem fazer mal à saúde”.

Em abril, por exemplo, a associação elaborou nota conjunta com o Conselho Federal de Química (CFQ/CRQ), questionando a eficácia desses equipamentos. A resposta da ANVISA veio em maio, por meio da Nota Técnica 38/2020, em que a agência sanitária afirma que o equipamento não é recomendado por nenhuma das principais agências reguladoras de saúde do mundo.

“Não foram encontradas recomendações por parte de órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Agência de Medicamentos e Alimentos dos EUA (FDA) ou Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC) sobre a desinfecção de pessoas no combate à Covid-19, na modalidade de túneis ou câmaras. Igualmente, não existe recomendação da Agência Europeia de Substâncias e Misturas Químicas (ECHA) nesse mesmo sentido”, diz o texto.

Mesmo com o alerta da ANVISA, muitos locais públicos vêm recebendo os equipamentos e, em alguns casos, como obrigatórios pela legislação local. “Enviamos ofícios para diversos municípios, que passaram a utilizar tais túneis e cabines, mas, a maioria tem ignorado nossas recomendações e a Nota Técnica da ANVISA. A Câmara de Vereadores de São Paulo, por exemplo, já deu parecer de legalidade ao Projeto de Lei 365/20, que autoriza o uso desses equipamentos, inclusive colocando sua instalação como parte das exigências legais, para obtenção do alvará de funcionamento”, afirma Engler.

Túneis de desinfecção contra COVID-19 funcionam?

Túneis de desinfecção prometem a esterilização em apenas 15 segundos

Segundo a associação em questão, mesmo que os produtos utilizados nessas estruturas sejam aprovados pela ANVISA, o tempo de exposição – geralmente, de 20 a 30 segundos – não permite que o saneante complete o processo de desinfecção, pois alguns exigem até 10 minutos de contato direto com a superfície para serem efetivos.

“Um problema adicional é que a utilização dessas estruturas pode dar, às pessoas, uma falsa sensação de segurança e, desse modo, levar ao relaxamento das práticas de distanciamento social, de lavagem das mãos frequente, com água e sabonete, de desinfecção de superfícies e outras medidas de prevenção”, diz a Nota Técnica da ANVISA.

Além disso, os saneantes foram aprovados, exclusivamente, para limpeza de superfícies. Dessa forma, alguns deles podem provocar reações alérgicas e até diminuir a capacidade natural da pele humana em combater micro-organismos prejudiciais à saúde, se entrarem em contato direto com mãos e mucosas.

“O hipoclorito de sódio, por exemplo, é um produto corrosivo. Pode causar lesões na pele e nos olhos, além de problemas respiratórios. Outros produtos que vêm sendo utilizados, os quaternários de amônio, apesar de não serem corrosivos, podem provocar reações alérgicas. Como temos alertado desde o surgimento dessas estruturas, os produtos saneantes, aprovados pela ANVISA, são, totalmente, seguros, desde que utilizados da maneira correta, ou seja, devem ser aplicados em superfícies fixas e inanimadas, como bancadas, pisos, paredes e objetos, mas nunca diretamente nos seres humanos”, diz Engler.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: