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COVID-19: por que a Suécia falhou em contornar o novo coronavírus?

Fidel Forato

Há pouco consenso entre as formas de combater a pandemia da COVID-19, exceto a adoção de medidas para o isolamento social. Nesse sentido, a abordagem da Suécia para combater o novo coronavírus (SARS-CoV-2) foi, surpreendentemente, diferente do restante do mundo. Não fechando escolas, restaurantes e academias para conter a disseminação comunitária do vírus, o país manteve suas portas abertas.

Na Suécia, apenas reuniões de mais de 50 pessoas foram proibidas e até mesmo as escolas permaneceram abertas para estudantes com menos de 16 anos. Em outras palavras, o país emite apenas diretrizes e permite que seus cidadãos usem seu próprio bom senso para se protegerem da COVID-19.

Sem adotar medidas de isolamento, Suécia tem alta taxa de mortalidade por milhão de habitantes da COVID-19 (Imagem: reprodução/ Pixabay)

No entanto, essa abordagem não tem entregado bons resultados no controle do coronavírus. Por exemplo, a taxa de mortalidade da Suécia (442 mortes por milhão de habitantes) é mais alta do que para seus vizinhos Dinamarca e Noruega, com apenas 100 e 44 por milhão, respectivamente. Inclusive, a taxa de mortalidade da Suécia é maior do que o dos Estados Unidos, um dos epicentros da doença no mundo, que é de 321 mortes por milhão.

Idosos em risco

Além da população, em geral, os idosos têm sofrido mais com a COVID-19 no país. Isso porque cerca de metade de todas as mortes relacionadas a essa doença na Suécia eram de pessoas com mais de 60 anos. Críticos as medidas adotadas pelo país argumentam que não foi feito o suficiente para proteger esse grupo de risco.

"Não havia estratégia para os idosos, agora eu entendo", defendeu Annike Linde, epidemiologista chefe da Suécia entre os anos de 2005 e 2013, a uma emissora estatal de TV na semana passada. "Eu não entendo como eles podem suportar e dizer que o nível de preparação era bom, quando na verdade era ruim."

Imunidade de rebanho?

Deixar o vírus se espalhar para que um grande grupo de pessoas formem anticorpos protetores e que essas pessoas impeçam que o coronavírus se espalhe ainda mais é uma tática conhecida como imunidade de rebanho. No entanto, ainda é um sonho distante para a Suécia. Afinal, apenas 7,3% dos cidadãos de Estocolmo, capital do país, já desenvolveram anticorpos contra a COVID-19, de acordo com um estudo de maio.

Diante dessa realidade, o atual epidemiologista chefe da Suécia e crítico das medidas de isolamento obrigatórias, Anders Tegnell, afirmou a uma rádio sueca que "havia obviamente um potencial de melhoria no [trabalho] que fizemos". 

"Se encontrarmos a mesma doença novamente sabendo exatamente o que sabemos hoje, acho que decidiríamos fazer algo entre o que a Suécia fez e o que o resto do mundo fez", afirmou Tegnell. Seria "bom saber exatamente o que desligar para conter melhor a propagação da infecção", acrescentou.

Quanto aos aspectos econômicos da pandemia, mesmo que o governo tenha impedido o fechamento das empresas, a Suécia enfrenta uma crise econômica. O PIB do país caiu cerca 7%, segundo a Bloomberg. O número é semelhante aos de outros membros da União Europeia, muitos dos quais implementaram medidas de quarentena muito mais drásticas.


Fonte: Canaltech