Mercado abrirá em 8 h 58 min
  • BOVESPA

    128.405,35
    +348,35 (+0,27%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.319,57
    +116,77 (+0,23%)
     
  • PETROLEO CRU

    72,06
    +0,42 (+0,59%)
     
  • OURO

    1.774,30
    +5,30 (+0,30%)
     
  • BTC-USD

    34.712,75
    -813,19 (-2,29%)
     
  • CMC Crypto 200

    860,77
    -79,18 (-8,42%)
     
  • S&P500

    4.166,45
    -55,41 (-1,31%)
     
  • DOW JONES

    33.290,08
    -533,32 (-1,58%)
     
  • FTSE

    7.017,47
    -135,96 (-1,90%)
     
  • HANG SENG

    28.399,49
    -401,78 (-1,40%)
     
  • NIKKEI

    27.880,88
    -1.083,20 (-3,74%)
     
  • NASDAQ

    13.997,75
    -37,25 (-0,27%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,0033
    -0,0328 (-0,54%)
     

COVID-19 pode reativar um vírus ancestral que acompanha humanos há milênios

·4 minuto de leitura

Passado um ano da pandemia do coronavírus SARS-CoV-2, pesquisadores e cientistas ainda investigam alguns aspectos da doença, como o porquê do agravamento de casos da infecção. Agora, uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou que um vírus ancestral, o retrovírus endógeno humano K (HERV-K), está relacionado com internações e óbitos da COVID-19.

Este vírus primitivo infectou o genoma humano quando humanos e chimpanzés ainda estavam se dissociando na escala evolutiva, mas, desde então, elementos genéticos do HERV-K estão presentes no cromossomo da espécie humana. Para entender: após ser infectado por um agente infeccioso, parte do genoma invasor é absorvido pelo genoma humano para evitar infecções futuras e essas informações são repassadas de forma hereditária.

Coronavírus pode reativar genes de um vírus ancestral em casos graves da doença (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato)
Coronavírus pode reativar genes de um vírus ancestral em casos graves da doença (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato)

No entanto, esses genes ancestrais permanecem silenciosos durante a vida, uma das exceções é a COVID-19. Segundo o preprint — artigo sem revisão por outros pares —, o coronavírus pode reativar esses genes esquecidos do retrovírus. Por exemplo, metade dos pacientes internados com a infecção pelo coronavírus também apresentam altos níveis do HERV-K.

Estudo com casos graves da COVID-19 e o vírus primitivo

Durante a descoberta do retrovírus, os pesquisadores investigavam o porquê de alguns pacientes adoecerem gravemente em decorrência da COVID-19 — precisando de ventilação mecânica na UTI — e outras pessoas desenvolverem quadros assintomáticos. Entre os meses de março e dezembro de 2020, o estudo investigou 25 pacientes internados no Instituto D’Or (ID’Or) e no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemayer (IECPN). A média de idade desses voluntários era de 57 anos.

Inicialmente, a progressão de casos brandos da COVID-19 para graves era associada à hipóxia, inflamação descontrolada (como a tempestade de citocinas) e coagulopatia. No entanto, os mecanismos que intensificavam a mortalidade em casos muito graves não eram completamente conhecidos.

Dessa forma, o estudo acompanhou a presença e a concentração de algum viroma — os vírus presentes na amostra — do aspirado traqueal de indivíduos em ventilação mecânica. Em outras palavras, os pesquisadores encontraram altos níveis do HERV-K na traqueia de pacientes intubados em decorrência do coronavírus. Por outro lado, pacientes com grau menos intenso da infecção ou não infectados demonstram um nível muito menor.

Na traqueia de pacientes intubados com a COVID-19, pesquisa encontra vírus primitivo (Imagem: Reprodução/Chalabala/Envato Elements)
Na traqueia de pacientes intubados com a COVID-19, pesquisa encontra vírus primitivo (Imagem: Reprodução/Chalabala/Envato Elements)

“Verificamos o viroma de uma população com uma altíssima gravidade, em que a taxa de mortalidade chega a 80% para ver se algum outro vírus estava coinfectando esse paciente que está debilitado, imunossuprimido", explica o coordenador do estudo Thiago Moreno, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), para a Agência Fiocruz.

“A nossa surpresa foi encontrar esses altos níveis de retrovírus endógeno K. É o tipo de pesquisa que parte de uma abordagem completa não enviesada. Isso dá muita força, muita credibilidade ao achado”, completa o pesquisador Moreno sobre a descoberta.

Análises em laboratório do HERV-K

Em paralelo, o estudo da Fiocruz infectou uma célula humana saudável, em laboratório, com o coronavírus SARS-CoV-2. Na amostra, foi possível identificar um aumento nos níveis deste vírus ancestral. Dessa forma, "estabelecemos, de fato, que o SARS-CoV-2 é o gatilho para o aumento desses retrovírus endógenos, para despertar os genes silenciosos”, destaca Moreno.

Além disso, conforme os níveis do HERV-K aumentavam no trato respiratório do paciente internado, os números de monócitos inflamados ativados também cresceram. “Esses níveis de HERV-K se correlacionaram com o que se chamou de mortalidade precoce, como menos de 28 dias de internação”, comenta o coordenador do estudo.

O que explica a reativação do vírus após milhares de anos?

É importante destacar que essa ainda é a primeira evidência da presença do retrovírus no trato respiratório e no plasma de pacientes graves da COVID-19. Outras doenças, como o câncer e a esclerose múltipla, também são responsáveis por intensificar a presença do HERV-K nos pacientes. No caso do coronavírus, a presença dele poderia ser adotada como um biomarcador para a gravidade dos casos da infecção.

No entanto, não foi possível concluir por que a concentração desse vírus aumenta apenas em algumas pessoas. “Esse despertar de genes silenciosos é o que pode fazer a diferença das evoluções. Talvez, o sinal para o silenciamento de determinados retrovírus endógenos seja mais forte em algumas pessoas do que em outras. Parece estar associada à gravidade essa capacidade do novo coronavírus de mudar o perfil epigenético da célula do hospedeiro, ativando inclusive vírus ancestrais, alguns deles que deveriam estar adormecidos no nosso genoma”, completa Moreno.

Para acessar o artigo completo, publicado na plataforma Research Square, clique aqui.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech:

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos