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COVID-19 pode aumentar riscos de depressão, psicose e demência, alerta Oxford

Nathan Vieira
·3 minuto de leitura

Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Oxford, Reino Unido, apontou que pessoas diagnosticadas com COVID-19 nos últimos seis meses foram mais propensas a desenvolver depressão, demência, psicose e derrame, e quem precisou de internação em hospitais ou de unidade de terapia intensiva (UTI) correu um risco ainda maior.

Segundo o estudo, a razão por trás disso pode ser tanto o efeito do estresse como o impacto direto do vírus no cérebro. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores fizeram uma análise das fichas médicas de mais de 500 mil pacientes dos EUA, levantando o olhar para as chances de desenvolver condições psicológicas ou neurológicas.

Dentre os diagnósticos, a ansiedade e os transtornos de humor foram os que mais marcaram presença nas pessoas com COVID-19. O estudo ainda observa que condições como derrame e demência têm uma relação ainda mais provável com os impactos biológicos do vírus.

COVID-19 pode aumentar riscos de depressão, psicose e demência, alerta novo estudo da Universidade de Oxford, do Reino Unido (Imagem: Anh Nguyen /Unsplash)
COVID-19 pode aumentar riscos de depressão, psicose e demência, alerta novo estudo da Universidade de Oxford, do Reino Unido (Imagem: Anh Nguyen /Unsplash)

Por enquanto, os pesquisadores não sabem se a COVID-19 causou algum dos diagnósticos ou se esses pacientes tiveram derrame ou depressão nos seis meses seguintes à infecção, sem relação direta com o vírus. No entanto, ao comparar um grupo de pessoas que teve a doença com grupos de pessoas com infecções respiratórias, os cientistas perceberam que a doença proporcionada pelo SARS-CoV-2 tinha mais relação com as consequências cerebrais do que as outras infecções.

Os responsáveis pelo estudo ainda notaram que a gravidade da doença estava ligada a uma maior probabilidade de distúrbio cerebral. Segundo a análise, transtornos de humor, ansiedade ou psicóticos afetaram 24% de todos os pacientes, 25% dos internados no hospital e 28% das pessoas que estavam em terapia intensiva.

Já os acidentes vasculares cerebrais (AVCs) afetaram 2% de todos os pacientes com COVID-19, sendo 7% dos internados na UTI. Por sua vez, a demência foi diagnosticada em 0,7% de todos os pacientes com COVID, mas em 5% daqueles que tiveram sintomas de delírio ao longo da infecção.

O estudo aponta que aproximadamente 35% das pessoas com essas condições tiveram o primeiro diagnóstico, mas os pesquisadores não descartam a ideia de que, em casos de recorrência de um problema pré-existente, a COVID-19 tenha causado os distúrbios ainda assim.

Estudos relacionam COVID-19 à saúde mental

O estudo da Oxford não é o primeiro a destacar as consequências cerebrais da COVID-19 (Imagem: Engin Akyurt/Pixabay)
O estudo da Oxford não é o primeiro a destacar as consequências cerebrais da COVID-19 (Imagem: Engin Akyurt/Pixabay)

De qualquer forma, já não é um segredo que a COVID-19 tem uma relação delicada com a saúde mental. Inclusive, o Canaltech abordou essa e outras questões no especial de impacto da pandemia na saúde mental da população (parte 1, parte 2).

No início do ano passado, pesquisadores da USP e da Universidade da Região de Joinville (Univille) revisaram artigos de revistas científicas para averiguar a prevalência de sintomas neurológicos em pacientes com COVID-19, e notaram uma série de casos relatados pelos chineses, mostrando que a prevalência de complicações no sistema nervoso central e no sistema nervoso periférico é muito superior em relação ao que se acreditava antes da pandemia.

Já no último mês de agosto, um artigo apontou que grande parte dos sintomas atribuídos a uma infecção se devem, na verdade, às respostas protetoras do sistema imunológico. Sendo assim, o sistema imunológico não apenas causa mudanças no comportamento, como também nas respostas fisiológicas durante o curso da doença.

Fonte: Canaltech

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