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Covid-19 | Perda de olfato é indicador "altamente confiável" da infecção

Fidel Forato
·3 minutos de leitura

Para quem ainda tinha dúvidas em saber o que poderia um bom indicativo de infecções pelo novo coronavírus (SASR-CoV-2), os pesquisadores da University College London (UCL), no Reino Unido, trazem a resposta: perda súbita de olfato ou de paladar. Segundo levantamento feito na rede pública de saúde de Londres, quatro em cada cinco pessoas com um desses sintomas — sem sentir cheiros ou gostos — testaram positivo para anticorpos da COVID-19.

Ainda de acordo com o recente artigo científico publicado na revista PLOS Medicine, os pesquisadores britânicos demostram que uma perda aguda de olfato ou de paladar é um indicador de infecção pelo coronavírus "altamente confiável". Agora, deve ser considerada globalmente também como um critério para auto-isolamento, necessidade de testes para COVID-19 e rastreamento de contato.

Perda de olfato é um indicador altamente confiável para a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Nicholas Githiri/ Pexels)
Perda de olfato é um indicador altamente confiável para a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Nicholas Githiri/ Pexels)

Pesquisa sobre perda do olfato e COVID-19

Para chegar a essa conclusão, o estudo avaliou dados de saúde de centros de atenção primária, em Londres, e descobriu que cerca de 78% das pessoas que relataram perda repentina do olfato e/ou paladar no auge da pandemia da COVID-19 tinham anticorpos contra o coronavírus. Inclusive, essas médias foram calculadas pela primeira vez.

Para a participação no estudo, foram enviadas mensagens de texto, através de centros de atenção primária em Londres, onde pessoas com perda do olfato e/ou paladar, já relatadas, eram convidadas a responder algumas questões. Esse recrutamento ocorreu entre 23 de abril e 14 de maio deste. Dessa forma, um total de 590 participantes se inscreveram em plataforma web e responderam a perguntas sobre perda de olfato e outros sintomas relacionados à COVID-19.

Desse total, 567 pacientes passaram por teleconsulta com um profissional de saúde que confirmou relato apresentado e também supervisionou os testes para verificar se tinham sido contaminados ou não pelo coronavírus. Para a avaliação final da pesquisa da UCL só foram considerados aqueles pacientes que realizaram o teste de anticorpos.

Dos 567 participantes, 77,6% deles apontaram a perda de olfato e/ou paladar como sintoma da infecção por coronavírus, sendo que 39,8% não tinham tosse nem febre. Curioso é que a perda de olfato apareceu de forma mais incisiva na pesquisa.

O que muda no tratamento da COVID-19?

A autora principal do estudo e professora da universidade, Rachel Batterham, explica: “Conforme nos aproximamos de uma segunda onda de infecções [no Reino Unido], o reconhecimento precoce dos sintomas da COVID-19 pelo público, com o rápido auto-isolamento e testes, será de vital importância para limitar a propagação da doença".

“Embora as pessoas no Reino Unido que experimentam perda súbita de olfato ou paladar sejam aconselhadas a se isolar e procurar um teste, em nível global, poucos países reconhecem esse sintoma como um indicador da COVID-19. A maioria se concentra em febre e sintomas respiratórios", comenta a professora sobre um padrão que deve começar a mudar para o enfrentamento da doença.

“Nossas descobertas mostram que a perda do olfato e do paladar é um indicador altamente confiável de que alguém provavelmente terá COVID-19 e, se quisermos reduzir a propagação desta pandemia, agora ela deve ser considerada pelos governos em todo o mundo como um critério para auto-isolamento, teste e rastreamento de contato”, completa Batterham.

Mesmo que já se soubesse há algum tempo que a COVID-19 poderia causar perda ou redução da capacidade de sentir cheiros (anosmia) ou sabores, mesmo que o paciente não tenha tosse ou febre, esse é o primeiro estudo a medir a prevalência desse quadro em infecções pelo coronavírus.

O estudo completo, publicado na PLOS Medicine, pode ser acessado aqui.

Fonte: Canaltech

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