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Covid-19: Parte dos shoppings ainda estudam se vão aderir ao funcionamento 24 horas

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RIO — Após o anuncio conjunto do governador em exercício Claudio Castro e do preefeito Marcelo Crivella de que os shoppings e centros comerciais poderão funcionar 24 horas por dia, parte dos estabelecimentos ainda estudam e calculam os riscos e benefícios de aderir ao horário.

Os shoppings administrados pela Ancar Ivanhoe — Nova América, Boulevard, Madureira e Botafogo Praia — dizem analisar juntos com seus lojistas o formato que melhor atenda a todos. Já os estabelecimentos administrados pela BR Malls — Norte Shopping e Tijuca — ainda aguardam a publicação do decreto que permite o funcionamento 24 horas.

Alguns shoppings já definiram, entretanto, não ser possível aderir ao horário extendido, como os Rio Design Leblon e Barra. O Rio Sul afirma que seu horário permanece o mesmo.

Pela sua assessoria de imprensa, o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Rio (Sindilojas) disse que cabe a cada administração junto com os lojistas decidiriam pela adesão ou não do horário de 24 horas de funcionamento. O presidente do Sindilojas, entretanto, aponta alguns obstáculos para aderir a proposta :

— Além do aumento dos custos operacionais, incluindo as regras específicas para trabalho em dias especiais, como esses das chamadas maratonas de Natal, é preciso levar em conta aspectos como segurança e transporte e, ainda, se há demanda para a ampliação do horário de funcionamento — comenta Aldo Gonçalves, presidente do sindicato.

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Nesta sexta-feira, o Sindicato dos Comerciários do Rio afirmou ser contrário à medida. Um dos pontos apontados por impossibilitar o funcionamento dos estabelecimentos 24 horas por dia é a falta de transporte público e a segurança:

"Por isso, nosso Sindicato não concorda com essa abertura indiscriminada e fará de tudo para defender os direitos dos trabalhadores, com as garantias contidas em nossa convenção coletiva, que regulamenta a jornada de trabalho, o pagamento de hora extra e demais benefícios", diz trecho da nota.

O anúncio feito pelo prefeito Marcelo Crivella e o governador em exercício Claudio Castro sobre a permissão de funcionamento de centros comerciais em horário integral repercutiu mal na comunidade científica. Especialistas reiteram que não é momento de ampliar as flexibilizações quando os números da pandemia voltam a crescer no Rio e apontam para a tendência de os shoppings se tornarem ambientes de maior risco se ficarem abertos 24 horas por dia.

A pneumologista Margareth Dalcomo teceu duras críticas à decisão do estado e do município do Rio. Ela acredita que ampliar o funcionamento dos centros comerciais não garante que o fluxo de pessoas será diluído e atenta para o tempo reduzido para a desinfecção adequada dos espaços.

— É uma medida artificial quanto à eficácia e equívoca quanto à preservação. Afinal, quem vai limpar esses espaços 24 horas por dia? — questionou a médica.

A medida também preocupa Margareth Portela, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Para a especialista, o anúncio do prefeito e do governador em exercício transmite uma mensagem errada de normalidade, quando, na verdade, os hospitais estão lotados.

— A gente está com todos os alertas vermelhos de ocupação hospitalar. Pacientes estão aguardando em filas de UTI. Não é hora de aumentar a circulação. Muito pelo contrário, as pessoas deveriam ser incentivadas a ficar em casa — acredita.

Para Margareth Portela, a situação da pandemia é grave e exige que a população repense hábitos e tradições.

— Não teremos um Natal como os outros, e a população tem que se conscientizar disso. A vida ainda não voltou ao normal — afirma.