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COVID-19: pacientes morrem na Índia por falta de oxigênio

Fidel Forato
·3 minuto de leitura

Frente à COVID-19, o colapso da saúde na Índia piora com aumento de casos da infecção, lotação dos hospitais e falta de oxigênio para o tratamento dos doentes em unidades de terapia intensiva (UTIs). Na noite de domingo (2), hospitais da capital Nova Delhi precisaram, em caráter emergencial, de novos suprimentos de oxigênio para manter o tratamento dos infectados pelo coronavírus SARS-CoV-2. A crise se prolonga há duas semanas.

De forma geral, os hospitais da capital estão lotados e notificam falta de leitos e de oxigênio para manter os pacientes em tratamento. No sábado (1), pelo menos 12 pacientes, incluindo um médico, morreram quando o estoque de oxigênio esgotou em um importante hospital da cidade, o Batra Hospital. Fora das unidades de saúde, famílias de pacientes têm dificuldade em conseguir leitos e cilindros portáteis, quando é possível prestar assistência em casa.

Na Índia, falta de oxigênio desencadeia morte de pacientes internados com a COVID-19 (Imagem: Reprodução/Andrea Piacquadio/Pexels)
Na Índia, falta de oxigênio desencadeia morte de pacientes internados com a COVID-19 (Imagem: Reprodução/Andrea Piacquadio/Pexels)

Um médico de Nova Delhi descreveu a situação dos hospitais como assustadora. "Depois de usar o tanque principal [de oxigênio], não há nada [como outra fonte do suprimento] para retomar", contou sobre a situação de pacientes internados e que dependem da ventilação mecânica. Em pequenos hospitais que não possuem tanques de armazenamento e dependem de grandes cilindros, a questão é mais complicada. Em janeiro deste ano, a cidade de Manaus, no Brasil, passou por desafio similar.

No domingo, somente a capital relatou mais de 20 mil novas infecções e 407 mortes, o que agrava mais o quadro de desabastecimento. Segundo a autoridade local, Arvind Kejriwal, a cidade não recebe carregamentos de oxigênio suficientes do governo federal, que é responsável por distribuir as cotas entre os estados. Por outro lado, as autoridades federais defendem que não há falta de oxigênio, mas que o desafio é o transporte.

Alta de casos da COVID-19 na Índia

Vale lembrar que a Índia conta com a segunda maior população do mundo, formada por mais 1,3 bilhão de pessoas, o que contribui para o descontrole do coronavírus. Além disso, mesmo a vacinação que é significativa, quando se observa os números absolutos, é baixa comparada ao tamanho da população. Isso porque, até o momento, mais de 150 milhões de doses foram distribuídas, o que representa uma cobertura de menos de 10% da população, conforme mostra a plataforma Our World in Data.

No fim de semana, a Índia registrou o maior número de mortes — 3,6 mil óbitos em 24h — desde o início da pandemia e se tornou o primeiro país a registrar mais de 400 mil novos pacientes infectados em um único dia. No total, são 19,9 milhões de casos confirmados da COVID-19 até agora, de acordo com a plataforma da Universidade Johns Hopkins.

Em óbitos acumulados, o país ocupa a terceira posição no ranking global, com 218,9 mil mortes. Em primeiro e segundo lugar estão, respectivamente: os Estados Unidos com 577 mil óbitos notificados; e o Brasil com 407,6 mil mortes.

Fonte: Canaltech

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