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COVID-19 | OMS e Wikipédia se juntam para combater a desinformação na pandemia

Fidel Forato
·3 minuto de leitura

Para combater a desinformação e fake news durante a pandemia do coronavírus SARS-CoV-2, a Wikipedia e a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciaram uma colaboração inédita nesta quinta-feira (22). A partir de agora, a organização concederá à enciclopédia o uso gratuito de suas informações, gráficos e vídeos para turbinar os conteúdos da COVID-19.

Vale lembrar que, desde 2001, a Wikipedia é um dos dez sites mais consultados do mundo e concentra milhares de verbetes sobre saúde disponíveis na plataforma. “O acesso equitativo a informações confiáveis ​​sobre saúde é fundamental para manter as pessoas seguras e informadas”, afirma Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, sobre a importância da iniciativa.

Wikipédia e OMS iniciam parceria para combater desinformação sobre a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Linforth/ Pixabay )
Wikipédia e OMS iniciam parceria para combater desinformação sobre a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Linforth/ Pixabay )

“Divulgar um bom conteúdo desarma rapidamente a desinformação”, explicou Andrew Pattison, gestor de conteúdo digital da OMS e um dos responsáveis pela nova parceria. Mesmo que alguns rumores sobre o coronavírus sejam "simplesmente tolos", como pimenta é um excelente remédio, outras alegações podem ser perigosas.

São os casos de mensagens que recomendam água sanitária ou álcool em altas concentrações. “Mais de 700 pessoas foram mortas no Irã”, lembra Pattison sobre a fake news que alegavam que o metanol, um álcool extremamente tóxico, pudesse eliminar o coronavírus.

Detalhes da parceria entre a OMS e a Wikipédia

Com o acordo, os materiais produzidos pela OMS sobre a COVID-19 entrarão no Wikimedia Commons, o repositório de imagens e arquivos multimídia da Wikipédia. Dessa forma, ele poderá ser reproduzido, traduzido e divulgado, sem a necessidade de uma autorização. Esse conteúdo só precisará ser identificado com a autoria da OMS e trazer um link redirecionando para a fonte original. Simplificando, as publicações passam a ter uma licença Creative Commons, desde que haja atribuição.

Atualmente, a organização traduz seu conteúdo para seis línguas oficiais, o que é um número baixo considerando todos os países do globo e que são poucos que dominam um segundo idioma. Atualmente, fica de fora o português, por exemplo, dos materiais oficiais da OMS.

Por enquanto, os primeiros itens disponibilizados pela OMS serão infográficos sobre fake news. No futuro, devem ser incluídos diretrizes para tratamento de doenças para médicos, por exemplo. Inclusive, se esse acordo funcionar, a parceria pode ser estendida para combater a desinformação sobre Aids, Ebola, gripe, poliomielite e dezenas de outras doenças, além da COVID-19.

Desinformação sobre vacinas contra a COVID-19 preocupa autoridades e pode colocar em risco vidas (Imagem: Reprodução/ CDC/ Unsplash)
Desinformação sobre vacinas contra a COVID-19 preocupa autoridades e pode colocar em risco vidas (Imagem: Reprodução/ CDC/ Unsplash)

Alerta sobre desinformação contra vacinas nas Américas

Enquanto a OMS junta esforços para combater a desinformação online de um lado, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou na quarta-feira (21) que a desinformação é uma ameaça para o combate à COVID-19, especialmente, no continente americano. Um dos pontos mais preocupantes são as vacinas e as informações disseminadas sobre potenciais vacinas contra o coronavírus.

"A desinformação é uma séria ameaça à saúde de nossa região. Rumores traiçoeiros e teorias de conspiração podem atrapalhar os esforços de vacinação e prejudicar nossa resposta à COVID-19, ceifando vidas", defendeu Carissa Etienne, diretora da Opas, entidade associada à OMS.

"A maneira como comunicamos sobre as vacinas para a COVID-19 tornará possível ou impedirá nossa capacidade de controlar a pandemia", afirmou Carissa. É importante lembrar que continente americano, onde estão os Estados Unidos e o Brasil, concentra cerca de 19 milhões de casos da COVID-19 e mais de 614 mil mortes pelo novo coronavírus.

Fonte: Canaltech

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