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COVID-19 | O que dá para a aprender com a segunda onda da gripe espanhola?

Fidel Forato
·5 minuto de leitura

O número de infecções diárias do novo coronavírus (SARS-CoV-2) volta a crescer no mundo, principalmente pela segunda onda que começa a alcançar a Europa. De acordo com a plataforma Worldometer, na quarta-feira (28), foram mais de 500 mil casos da COVID-19. O curioso é que há pouco mais de 100 anos, outro agente infeccioso, o vírus influenza, atingia o mundo de forma similar. A gripe de 1918, também conhecida como a gripe espanhola, foi responsável por três grandes ondas.

Da primavera (entre março e junho) de 1918 até o inverno (entre dezembro e março) de 1919 do hemisfério Norte, a gripe espanhola matou em torno de 50 a 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Só que a distribuição de óbitos oscilou entre esses momentos, sendo que a primeira onda foi relativamente tranquila. Já a maioria dos óbitos se concentraram durante a segunda onda, entre setembro e dezembro de 1918.

Máscaras foram adotadas contra a gripe espanhola e, hoje, contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Lucrezia Carnelos/ Unsplash)
Máscaras foram adotadas contra a gripe espanhola e, hoje, contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Lucrezia Carnelos/ Unsplash)

A COVID-19 "ainda não ceifou tantas vidas quanto a gripe. Basicamente, cerca de 675 mil pessoas morreram nos Estados Unidos no final da pandemia de 1918", afirmou Jeremy Brown, médico e pesquisador do tema, para a CNN. Isso porque, nos EUA, até esta quinta-feira (29) são contabilizados cerca de 415 mil óbitos pelo coronavírus. Para impedir que o passado se repita, o médico apresenta alguns aprendizados da gripe espanhola.

Um agravante da gripe espanhola era que o mundo vivia a Primeira Guerra Mundial, que só terminou em novembro de 1918. Em outras palavras, grandes esforços dos países europeus, por exemplo, estavam focados na guerra e, não, totalmente no controle do vírus. Essa situação e a precariedade das condições sociais agravaram bastante os estragos da gripe. Em 2020, os países não precisam lidar com esse agravante.

Agora, uma curiosidade é que, na gripe espanhola, aproximadamente metade dos óbitos foi de adultos, na faixa dos 20 até os 40 anos, de acordo com Brown. Uma situação que é bastante diferente da pandemia da COVID-19, onde as pessoas que mais sofrem com complicações da infecção são os idosos.

Medidas para conter a gripe espanhola

Nos EUA, durante a gripe espanhola, escolas e espaços públicos foram fechados e ventos cancelados para diminuir o contágio da doença. Afinal, um dos grandes obstáculos era a falta de conhecimento sobre o comportamento e a gravidade do vírus. Já que, na época, nem a ciência dominava o entendimento do que era um vírus e como o estudar em detalhes.

Segundo relatos da época, a segunda onda confundiu pessoas e médicos e os levaram a pensar que se tratava de outra doença. "O fantasma do medo caminhava por toda parte, fazendo com que muitos círculos familiares se reunissem porque os diferentes membros não tinham mais nada para fazer a não ser ficar em casa", escreveu Gina Kolata, repórter do The New York Times em livro sobre a época.

Diante desse quadro de medo, as autoridades locais, pelo menos nos EUA, chegaram a impor leis de uso de máscara, por exemplo. Inclusive, algumas cidades chegavam a punir quem desrespeitasse as orientações, através de multas. Novamente, há um encontro entre as medidas para conter os diferentes vírus.

O frio está chegando

Pensando na gripe espanhola, a segunda e pior onda aconteceu entre setembro e dezembro de 1918, durante o outono no hemisfério Norte. Agora, especialistas em saúde também pensam que as infecções por coronavírus devem voltar a crescer até o inverno, já que naturalmente infecções respiratórias se concentram nas épocas mais frias do ano. Isso porque as partículas virais podem permanecer por mais no ar, quando há menor umidade.

Pesquisadores discutem semelhanças e diferentes entre a gripe espanhola e a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Viktor Forgacs / Unsplash)
Pesquisadores discutem semelhanças e diferentes entre a gripe espanhola e a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Viktor Forgacs / Unsplash)

Outro fator de risco é que as mucosas nasais também ficam mais secas e mais vulneráveis ​​a alguns tipos de infecções respiratórias no inverno. Por fim, com o tempo mais frio, a tendência é se concentrar em ambientes fechados, sem ventilação eficiente, em condições onde o coronavírus pode se proliferar. Em oposição, a vantagem do Brasil é que o país começa a entrar nos meses mais quentes do ano.

Estes são esses alguns dos consensos usados para explicar a segunda onda da gripe espanhola e que podem ser repetidos para a COVID-19. Pesquisadores, como Brown, também levantam o argumento de que o vírus da gripe espanhola, possivelmente, sofreu uma mutação e uma cepa mais agressiva foi responsável pelos maiores estragos.

Vantagens tecnológicas contra a COVID-19

Se antes foi tratado de fatores em comum ou prejudiciais, é inegável que enfrentar uma pandemia em 2020 tem uma série de benefícios acumulados durante os últimos 100 anos em diferentes áreas acadêmicas. A biologia, a química, a farmacologia são totalmente diferentes. Hoje, por exemplo, pesquisadores investigam medicamentos e vacinas a partir do genoma do vírus, uma coisa considerada impensável.

É possível que a humanidade consiga desenvolver uma vacina eficaz e segura contra o coronavírus em menos de dois anos da descoberta desse agente infeccioso. Em termos comparativos, para enfrentar a gripe espanhola, não havia uma vacina e médicos ainda aprendiam como tratar uma pneumonia nos pacientes hospitalizados.

Embora os casos da COVID-19 voltem a crescer em algumas regiões do globo, há uma série de medidas que podem ser adotadas para diminuir o contágio, como distanciamento físico, evitar aglomerações, manter o uso de máscaras e a higienização das mãos. Orientações que devem ser mantidas, enquanto se investigam tratamentos mais eficazes e uma potencial vacina contra o coronavírus.

Fonte: Canaltech

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