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Covid-19: fatia da variante Delta cresce 50% em dez dias no Rio, que já tem um a cada quatro pacientes com a cepa

·4 minuto de leitura
  • Variante Delta do novo coronavírus preocupa especialistas no mundo todo

  • Mutação tem causado alta dos casos mesmo em países com a pandemia controlada e/ou vacinação avançada

  • O Brasil vive início da expansão dessa cepa e vê aumento rápido de casos provenientes da Delta

Em um período de apenas dez dias, o programa de vigilância genômica da Covid-19, da Secretaria estadual de Saúde (SES), detectou um aumento de mais de 50% no percentual de pacientes com a variante Delta, apontada por especialistas como mais contagiosa, em relação ao total de casos da doença no Rio. No último boletim, divulgado no dia 23 de julho, a Delta respondia por 16,62% dos registros, contra 78,36% da variante Gama. Na análise liberada nesta terça-feira pela pasta, os números passaram para 26,09% e 66,58%, respectivamente.

Por esses dados, que ficam sob a tutela da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde (SVAPS), é possível afirmar que, hoje, um a cada quatro casos de Covid-19 no estado já é da Delta. No balanço anterior, a média era de um paciente a cada seis com a variante, considerada mais contagiosa por especialistas. A própria SES, ao divulgar os números mais recentes, afirma que há "tendência de aumento" na circulação da Delta, com grande probabilidade de que ela se torne "a mais frequente, substituindo a variante Gamma".

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De acordo com a secretaria, a variante Delta já foi identificada em 38 dos 92 municípios do estado. Na cidade do Rio, ainda segundo a pasta, o percentual de casos da cepa é ainda maior, com presença em 45% das amostras sequenciadas.

A cada leva de análises tornada pública, a SVAPS tem avaliado pouco menos de 400 casos — foram 379 coletas na penúltima divulgação, todas recolhidas em junho, e 368 na mais recente, divididas entre junho e julho. De acordo com a SES, o estudo é feito por amostragem. "Um dos critérios de escolha das amostras são as que têm maior carga viral, ou seja, de pacientes que podem ter maior gravidade clínica", explica a pasta.

O avanço da Delta é um dos motivos para a pressão que tanto o governador do Rio, Cláudio Castro, quanto o prefeito Eduardo Paes vêm exercendo sobre o Ministério da Saúde a respeito do ritmo de entrega de vacinas. Durante visita do ministro Marcelo Queiroga ao estado nesta terça-feira, Castro tratou do tema durante uma agenda entre os dois.

— Estive com o ministro Queiroga hoje e deixei claro que tenho uma crítica a isso. Os governadores não se mobilizaram quando o Amazonas enfrentou dificuldades? Eu acho que O Rio de Janeiro precisa receber mais doses nesse momento, em que casos da variante Delta são registrados, eu pedi isso. O Rio de Janeiro tem uma fronteira invisível que é o turismo. Não é razoável que o estado esteja sendo prejudicado e ministro ficou de rever essas regras do Plano Nacional de Imunização — afirmou o governador após o encontro.

Secretário cobra Queiroga por vacinas

Foto: Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images
Foto: Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images

A visita de Queiroga também teve direito a saia justa com o secretário municipal de Saúde da capital, Daniel Soranz. Enquanto o ministro, que é médico, ia até o Complexo da Maré, onde chegou a aplicar doses do imunizante em dois moradores, Soranz, postou uma mensagem no Twitter, no início da tarde, em que cobrava a entrega de novas remessas de vacinas.

"Precisamos da distribuição das vacinas em estoque o mais rápido possível! Estamos em pleno inverno com nova variante circulando! Nada pode ser mais urgente que esta distribuição! Hoje são 12,9 milhões de doses", escreveu Soranz, marcando o perfil do Ministério da Saúde e incluindo a imagem de um calendário que prevê a chegada ao Rio de doses da Pfizer em 12 levas entre esta terça-feira e o dia 22 de agosto. A mensagem foi compartilhada pelo prefeito Eduardo Paes, que acrescentou apenas a hashtag #boradistribuir.

Queiroga, por sua vez, afirmou, em entrevista coletiva na Maré, que o ministério "não tem estoque de doses". Segundo ele, o Departamento de Logística da pasta libera os imunizantes recebidos para estados e municípios assim que são cumpridos alguns trâmites burocráticos obrigatórios, como a autorização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

— Nossa campanha vai muito bem. Todas as narrativas que querem desqualificar a campanha nacional de imunização estão dando com a cabeça na parede — assegurou Marcelo Queiroga, que chegou a dizer que, se o secretário municipal de Saúde do Rio tiver sugestões para melhorar o processo de distribuição, pode fazer um telefonema, já que tem o número do ministro: — Queremos que as doses sejam distribuídas com celeridade, mas isso não quer dizer que toda dose que chegar nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos vai ser imediatamente dispensada para estados e municípios. Precisa de autorização da Anvisa, precisa de autorização do INCQS (o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde). O secretário Daniel Soranz sabe disso, não é?

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