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Covid-19 e a impotência: não conseguia tomar banho e urticárias surgiram no meu corpo

Lucas Pasin
·3 minuto de leitura
Man self isolating at home
Precisamos falar sobre a sensação de impotência causada pela Covid-19 (Foto: Getty Images)

É com total consciência do meu local de privilégio que escrevo esse texto. Um homem branco, com emprego e com condição de pagar pelos cuidados com a saúde, que chega hoje, 18 de novembro de 2020, ao final dos efeitos da covid-19 em seu corpo. Não preciso mais ficar tão isolado, preocupado e transportando este vírus assustador.

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Porém, existem algumas coisas que nenhum médico me disse, que nenhum noticiário me informou e que talvez seja até um pouco “proibido” de se questionar. Pelo menos é esse o sentimento que tenho agora. E, em voz alta pergunto: Quando é que a sensação de impotência que eu senti durante a doença deixará a minha memória? Quando esquecerei das três noites sem dormir chorando e rezando em voz alta pela sala (nem religiosos somos), de mãos dadas com meu namorado, que cuidava de mim desesperado?

Quando esquecerei da sensação terrível de não conseguir tomar um banho sozinho sem sofrer com a falta de ar?

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É inevitável não pensar nas sequelas e ‘lembranças’ que a covid-19 me traz. Se antes eu, algum dia achei que essa doença poderia passar por mim como uma simples “gripezinha”, hoje vejo com muito mais respeito todos que venceram o vírus. Todos que vivenciaram a terrível sensação de impotência causada por essa doença que só no Brasil matou mais de 165 mil pessoas até agora; nos EUA são mais de 245 mil.

E a culpa? Sim, eu poderia ter me cuidado mais e ter tentado evitar ainda mais a doença. Mas já estava, assim como quase todos os meus amigos e conhecidos, entediado. Cansado de ficar preso colocando a minha saúde mental em risco. Cansado de lavar as compras, de trocar os sapatos e de trocar as máscaras. Faço isso há oito meses e cansa, todos nós sabemos que é cansativo, mas ainda mais necessário do que nunca.

Depois de um teste positivo, tudo isso vira apenas culpa. Nos primeiros dias me culpei por não ter me cuidado o suficiente. Depois me culpei pensando que tinha entrado em contato com pessoas que eu amo e que poderia as ter colocado em risco. Foram dias e mais dias para entender que não tive culpa, e que todo esforço que consegui cumprir para evitar a doença antes foi sim válido.

As sequelas e os sintomas de um vírus que é mutável

Tive febre baixa e alta, tosse, dor de garganta, faringite, dores no corpo, falta de ar, pulmões comprometidos e no fim, quando eu achei que já estava sem sintomas… uma urticária pegou minhas pernas e braços. Se trata de um “sintoma raro” para a medicina. Não para mim, que depois de tanto dias com a doença entendi que ela é capaz de tudo. É capaz de afetar minha saúde física e mental.

Se antes de testar positivo para covid eu me sentia muitas vezes ‘super-homem’, capaz de enfrentar todo e qualquer problema, te digo: acordei nesta semana me sentindo uma formiguinha. Mas uma formiguinha consciente da importância de valorizar pequenas coisas, gestos e pessoas. Uma formiguinha que pode ser pisoteada a qualquer momento, mas que viverá seu papel muito bem e feliz na sociedade.

Falam-se muito sobre os sintomas da covid-19, mas o que poucos falam é o que essa doença leva de você, e a consciência que ela te traz. Se eu pudesse deixar conselhos, diria: cuide da sua saúde mental, valorize pessoas que te fazem bem e escolha em quem confiar. De resto, sejam formiguinhas. Heróis não existem na realidade.