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COVID-19 | Dose de reforço: o que é, quando e por que precisamos

·4 minuto de leitura

Com o surgimento de novas variantes do coronavírus, que podem ser mais contagiosas e mais graves, muito tem se falado sobre receber uma dose de reforço, garantindo uma imunidade maior contra todas as versões do vírus.

Aqui no Brasil, os primeiros vacinados contra a COVID-19 receberam duas doses da CoronaVac, e Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, já anunciou publicamente que não haverá a aplicação de uma terceira dose.

De acordo com Covas, o grande desafio do Brasil ainda é vacinar a população em geral, para só depois pensar em uma terceira dose de reforço e na vacinação de crianças e adolescentes. A maior parte da população que possa precisar de uma nova dose seriam os idosos, os primeiros vacinados.

Como o assunto se tornou uma dúvida frequente, o Canaltech trouxe algumas informações sobre o que é o reforço da vacina, quem pode precisar dela e algumas questões em que é preciso estar atento.

<em>Imagem: Reprodução/FabrikaPhoto/Envato Elements</em>
Imagem: Reprodução/FabrikaPhoto/Envato Elements

O que é, afinal uma dose de reforço? Por que o assunto está em alta?

A dose de reforço consiste em uma dose extra de uma vacina já recebida por um indivíduo, mantendo a imunidade contra uma determinada doença. Segundo Ana Elisa Almeida, professora de infectologia do Jaleko, a repetição da dose vacinal está de acordo com o Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, do Ministério da Saúde, visando "cobrir falhas de vacinação anterior, no caso de vacinas com vírus atenuado, e induzir ou manter a imunidade no caso de vacinas inativadas.

A possível aplicação de uma terceira dose da vacina contra a COVID-19 começou a ser debatida recentemente com o surgimento de novas variantes do coronavírus. Então, médicos e especialistas temem que a eficácia das doses usadas não seja suficiente para esse combate de tanta urgência. Além disso, é comum que algumas vacinas, como a da gripe, precisem de reforço em diferentes intervalos de tempo. A da gripe é anual, por exemplo, enquanto a do tétano é a cada 10 anos. Pela vacina da COVID-19 ainda ser nova, é preciso fazer mais testes para chegar a uma resposta de final de até quando vai a validade da imunização.

Como sei se preciso tomar uma dose de reforço da vacina contra a COVID-19?

Almeida diz que diversos estudos ainda estão pendentes sobre essa questão, mas um deles, no entanto, já traz algumas respostas, de acordo com a médica. "A Moderna divulgou à imprensa um relatório de um pequeno estudo com indivíduos que receberam sua vacina contra a COVID-19 e seis a oito meses depois tomaram uma dose de reforço da mesma vacina", conta. "O resultado mostrou níveis de anticorpos neutralizantes contra o vírus selvagem (o vírus inicial) e as variantes B.1.351 (variante sul-africana) e P.1 (variante brasileira). A titulação dos anticorpos se mostrou tão alta ou maior que aquela induzida contra o vírus do tipo selvagem após a série inicial de vacinas", completa.

Se você já recebeu as duas doses, ainda não é motivo para se preocupar em receber a terceira, pois assim que houver mais estudos e for possível, esses vacinados poderão ou não ser chamados para uma terceira aplicação. Vale pontuar que, recentemente, a OMS (Organização Mundial de Saúde) disse que a mistura de vacinas, inclusive para uma terceira dose, é uma tendência perigosa e precisa ser feita apenas com recomendação médica e após mais estudos.

<em>Imagem: Reprodução/Rido81/Envato Elements</em>
Imagem: Reprodução/Rido81/Envato Elements

A terceira dose deverá ser igual às primeiras?

Outra dúvida bastante intrigante em relação à terceira dose é se ela precisa ser a mesma das duas primeiras, e a resposta é não. Em pesquisas recentes, o imunizante da AstraZeneca, por exemplo, pode complementar as doses da Pfizer e Moderna, uma vez que todas funcionam com a tecnologia de mRNA. A OMS está ciente desses estudos, mas segue reforçando que essa combinação não seja feita até que novos estudos tragam mais informações.

Há chances de que seja necessária, e liberada pelos governos, a aplicação de vacinas de reforço para combater a COVID-19. No entanto, é preciso aguardar a autorização para isso e não tentar tomar uma terceira dose por conta, pois pode ser arriscado à saúde. É necessário também respeitar a ordem de vacinação até que todos os adultos recebam, ao menos, a primeira dose de um imunizante contra o coronavírus, o que é crucial para chegarmos ao fim da pandemia o quanto antes.

Fonte: Canaltech

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