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COVID-19 | Singapura dá show de tecnologia e inovação para combater a doença

Natalie Rosa

A China e a Itália são os países mais afetados pelo novo coronavírus, com o país europeu superando o asiático com bastante rapidez. Singapura, no entanto, que se tornou o terceiro a relatar casos de COVID-19, dois meses depois do seu início, vem sendo referência quando o assunto é achatar a curva.

Assim que o novo coronavírus desembarcou no país, com 80 casos registrados, logo suas estratégias de defesa se mostraram eficientes, arrancando elogios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo informações da Johns Hopkins, até o momento o local conta com 683 casos, sendo 172 pessoas recuperadas e apenas duas mortes.

A fins de comparação, a cidade norte-americana de Nova York, que conta com tamanho e densidade populacional parecidos com os de Singapura, registrou mais de 20 mil casos até o momento, sendo o primeiro deles de 1º de março. Já o primeiro caso do país asiático aconteceu em 23 de janeiro.

O que vem sendo feito em Singapura?

As medidas tomadas por Singapura para conter a propagação do novo coronavírus envolvem a combinação de uma força-tarefa criada pelo governo, implementando a proibição de reuniões de larga escala, exigência de isolamento domiciliar e restrições nos hospitais, além do fechamento de fronteiras para viajantes chineses. Vernon Lee, que atua como diretor da divisão de doenças transmissíveis do Ministério da Saúde de Singapura, disse que o objetivo do país é ficar um ou dois passos à frente do vírus, dizendo que "se você perseguir o vírus, você sempre estará atrás da curva".

Imagem: Reprodução

Singapura ainda recorre a um processo chamado rastreamento de contatos, que mobiliza uma equipe de mais de 100 colaboradores. Quando um caso é confirmado, dentro de duas horas essas pessoas criam um relatório de atividade completo dos movimentos e interações dos pacientes nos últimos 14 dias, perguntando ao infectado quem são as pessoas que ele encontrou durante o período, quais refeições comeram, entre outras questões.

Com base nas respostas, as autoridades conseguem identificar quem pode ter corrido risco de ser infectado, pedindo para que elas se isolem o quanto antes, e isso permite ainda que a polícia, profissionais de saúde e funcionários públicos possam fazer o mapeamento de atividades e encontrar em contato com os possíveis infectados. De acordo com as autoridades, os pacientes diagnosticados com COVID-19 estão cooperando no compartilhamento de informações.

A força-tarefa dos rastreadores de contatos vem sendo tão eficaz que cerca de 40% das pessoas descobriram, pela primeira vez, que poderiam ter sido infectadas devido à ligação do Ministério da Saúde de Singapura. Além do contato telefônico, são analisadas imagens de vigilância de locais privados ou empresas que o paciente pode ter passado, conferindo ainda quando houveram pagamentos com cartões ou saques em caixas eletrônicos.

Na última sexta-feira (20), o país deu um passo à frente no rastreamento dos pacientes lançando o aplicativo TraceTogether, incentivando os cidadãos de Singapura a fazer o download para ajudar as autoridades a identificar pessoas que foram expostas a pacientes infectados pelo novo coronavírus. O app usa sinais Bluetooth do smartphone, que são trocados entre pessoas que estão a dois metros de distância. A novidade pode ajudar os rastreadores a entrar em contato com possíveis contaminados quando não houver muitas informações detalhadas.

App TraceTogether (Imagem: Reprodução)

Mas e a privacidade?

A medida, claro, foi criticada por envolver a invasão de privacidade da população de Singapura. No entanto, especialistas no assunto já disseram que essa perda é válida quando se trata de questões de saúde e de bloquear a disseminação da doença. Clarence Tam, professor assistente da Universidade Nacional de Singapura, contou ao CNET que o país vem trabalhando na sua capacidade e infraestrutura para lidar com surtos há cerca de 15 anos.

Nos últimos dias, cerca de 70% dos casos registrados de COVID-19 em Singapura são de pessoas que voltaram de outros países. O local pode ainda implementar medidas de distância social caso a transmissão aumente, mas as autoridades deverão analisar questões sociais e econômicas antes de tornar oficial.


Fonte: Canaltech

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