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Covid-19: Brasil tem seu pior momento na pandemia enquanto doença recua no resto mundo

·6 minuto de leitura
Praia lotada no RJ
Brasil enfrenta o pior momento da pandemia ao contrário do resto do mundo

É, sem dúvida, a notícia mais esperada de todas: após um ano em que o Sars-CoV-2 manteve o mundo em suspense, o número de casos caiu globalmente pela sexta semana consecutiva e o número de mortes está em queda pela terceira semana.

De 836.463 casos de covid-19 em 10 de janeiro para 314.816 em 22 de fevereiro. E de 16.667 mortes em 28 de janeiro para 7.658 em 22 de fevereiro, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Quatro das seis regiões do mundo, conforme o planeta é dividido no monitoramento da OMS, tiveram uma redução no número de casos — Américas, Europa, África e Pacífico Ocidental (que inclui, entre outros países, China, Austrália, Nova Zelândia e Japão).

Apenas duas — Sudeste Asiático e Mediterrâneo Oriental (que inclui entre outros Afeganistão, Egito, Líbano, Emirados Árabes e Irã — registraram um aumento, de 2% e 7% respectivamente).

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Os números, é claro, refletem os casos registrados, que não correspondem necessariamente todos os casos reais.

As Américas, por sua vez, continuam sendo a região com a maior queda no número absoluto de casos.

Isso apesar do Brasil, o segundo país mais populoso da região, enfrentar seu pior momento na pandemia.

O país registrou na sexta-feira (26/2) uma média móvel de 1.153 óbitos, a maior de toda a pandemia, de acordo com o boletim do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).

Foi o terceiro recorde consecutivo deste índice no Brasil, que registrou um total 252,8 mil mortes até agora.

A média móvel de novos casos também está aumentando desde o meio de fevereiro e ficou em 53.422 na sexta-feira. O país registrou 10,45 milhões de infecções desde o início da pandemia.

Enquanto isso, alguns Estados e cidades brasileiros veem seus sistemas de saúde entrar em colapso e adotam medidas mais rígidas de isolamento, como lockdowns e toques de recolher, para tentar reverter a alta de casos e internações.

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Em contraste com isso, está ocorrendo no mundo uma tangível redução de casos e óbitos nos últimos dois meses, destacou a OMS.

"Isso mostra que medidas simples de saúde pública funcionam, mesmo na presença de novas variantes do coronavírus", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da organização, em entrevista coletiva recentemente.

"O que importa agora é como respondemos a essa tendência. O incêndio não foi apagado, mas reduzimos seu tamanho. Se pararmos de combatê-lo em qualquer frente, ele rugirá novamente."

Mas o que exatamente está por trás desse declínio? A implementação de programas de vacinação? O uso de máscaras? Algo inerente ao próprio vírus?

Simples mas efetivo

A maioria dos especialistas em saúde concorda que essa queda se deve em grande parte ao sucesso das restrições impostas por governos para conter a pandemia a partir do final de 2020 e início de 2021 e não às campanhas de vacinação, visto que a tendência pode também pode ser observada em países onde esses esforços não avançaram significativamente.

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Para Adam Kamradt-Scott, professor da Universidade de Sydney, na Austrália, que escreveu um artigo sobre o assunto para o portal The Conversation, essa notícia encorajadora mostra o poder das políticas de saúde pública, mas ele reforça devemos permanecer vigilantes.

"Baixar a guarda agora, quando novas variantes estão surgindo, pode facilmente reverter a tendência."

Elvis García, médico especializado em Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, diz: "Os países que lideraram este aumento foram, em princípio, aqueles com muitos habitantes e infectados, como o Reino Unido e os Estados Unidos" .

"Como nesses países os números começaram a diminuir, porque nos últimos dois meses eles começaram a fazer as coisas certas, isso está contribuindo para a tendência mundial", acrescenta.

Por outro lado, "há lugares como, por exemplo, a África, onde não sabemos realmente o que está acontecendo. Mesmo que houvesse um pico lá, não saberíamos porque eles não registram os dados ", diz ele.

Julian Tang, virologista da Universidade de Leicester, no Reino Unido, concorda que o principal motivo da queda é a imposição de medidas sanitárias, do distanciamento social e uso de máscaras a restrições de circulação, toques de recolher e lockdowns.

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"Houve um pico em vários países por volta de janeiro e, agora, um pouco depois, uma queda devido a todas as medidas que foram implementadas", explica Tang.

"O fechamento de restaurantes, bares e escolas reduz a transmissão. Não acho que seja nada além disso. Não acho que as vacinas tiveram um impacto global ainda, exceto em alguns lugares como Israel e o Reino Unido."

Questão de aprendizagem

Embora nem todos cumpram estritamente as recomendações das autoridades sanitárias, García considera que, em doze meses de pandemia, "as pessoas aprenderam muito: a lavar as mãos, a usar máscaras em lugares fechados".

"Embora as pessoas estejam um pouco cansadas, estão cumprindo as medidas, e grande parte da população agora entende como o vírus se espalha (não só a comunidade científica) e o que pode ou não ser feito", afirma o especialista.

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Se a ponta de lança são as medidas, vale a pena perguntar como se explica a queda nos países latino-americanos, por exemplo, onde as restrições foram flexibilizadas.

"Agora é o verão. O clima é muito importante, porque o momento de mais contágio é quando estamos dentro de casa. Ao ar livre, há muito menos chance de se infectar", diz García.

Quando os casos aumentarem nesta parte do mundo, isso será compensado pela chegada do verão no hemisfério norte, afirma ele.

"Acho que não voltaremos aos níveis anteriores. Os números podem subir um pouco, mas a tendência será de queda."

Não baixe a guarda

Embora com a ampliação dos programas de vacinação afete o número de óbitos, já que as vacinas impedem o desenvolvimento de formas mais graves da doença, isso não necessariamente reduzirá o número de casos, uma vez que ainda não foi investigado se as vacinas servem para limitar o contágio.

Por todas essas razões, os especialistas concordam que é preciso ter extrema cautela ao aproveitar essa tendência de queda para flexibilizar as medidas.

"Relaxar agora não é uma boa ideia: pense nos dois lockdowns anteriores", diz Tang, referindo-se ao Reino Unido. "Nós relaxamos e voltamos ao lockdown."

"O vírus ainda está por aí. Há muitos vírus em circulação. Não estamos falando de algumas centenas de casos por dia como em julho do ano passado. Estamos vendo de 5 mil a 10 mil por dia no Reino Unido", lembra Tang.

"Se você flexibilizar tudo, terá outro aumento acentuado. Pode não haver tantas mortes e hospitalizações, porque as pessoas mais velhas e mais vulneráveis ​​agora estão mais protegidas, mas você verá um aumento entre os jovens e nos casos de covid de longa duração."

Essa mentalidade, conclui Tang, "é o que nos causou tantos problemas nos últimos doze meses".

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