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Com Covid-19 ainda em alta no Brasil, como fica a educação a distância para 2021?

·4 minuto de leitura
Foto: Andressa Anholete/Getty Images
Foto: Andressa Anholete/Getty Images

Com a pandemia do novo coronavírus registrando novos aumentos no final de ano no Brasil, fica claro que diversas limitações geradas pela Covid-19 seguirão nas nossas rotinas para 2021. Na educação não é diferente. No último dia 11, O Ministério da Educação (MEC) homologou uma resolução que libera ensino remoto enquanto durarem restrições sanitárias.

Se em 2020 o ensino a distância teve de ser adotado às pressas, o cenário em 2021 pode ser mais organizado e eficiente. É o que pensa o professor João Vianney, doutor em Ciências Humanas e consultor em educação a distância na Hoper.

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Na avaliação do professor, o emprego em massa do ensino a distância no início da pandemia foi feito em caráter emergencial e, por isso, contou com “erros, correções e ajustes". Para 2021, segundo ele, é possível prover uma educação de maior qualidade no país ainda que não se possa voltar integralmente às salas de aula já no começo do ano.

“2021 será ainda conectado. Eu vou ter, no limite, sempre a maioria dos alunos em casa e não na sala de aula [modelo de rodízio, com parte dos alunos no presencial e outra parte em casa]. Não há escapatória. Nas escolas privadas e nas universidades (públicas e privadas) já há uma estrutura pensada para isso, o problema está no ensino público que não atacou o principal até o momento: a conexão e o dispositivo para os alunos que ainda não têm", opina Vianney.

De acordo com dados da Rede Enem, durante a pandemia, alunos de escola pública tiveram 75% a menos de aulas em relação ao estudante da rede privada. Enquanto o oferecimento de aulas online foi quase integral na rede privada (99%), o mesmo não aconteceu nas instituições financiadas pelo poder público (57%).

Para ele, faltou uma coordenação nacional que deveria ter sido promovida pelo MEC nesse sentido. O professor vê como função do Estado prover a estrutura para o aluno estudar em casa, de acordo com um critério de renda familiar.

“O mundo todo já fez isso, o Brasil ficou atrasado. Weintraub [ex-ministro da Educação] cometeu um erro. O MEC não é apenas para mandar dinheiro. Se não há uma liderança nacional impulsionando medidas, a solução não avança".

Durante boa parte da crise sanitária em 2020, para Vianney, diversos municípios brasileiros adotaram o “discurso da impossibilidade", baseado na ideia de “se eu não posso atender todos da mesma forma, eu não atendo nenhum", o que teria prejudicado diversos estudantes pelo país.

“Sair da equação negacionista”

Foto: Miguel Schincariol/Getty Images
Foto: Miguel Schincariol/Getty Images

Para 2021, Vianney prevê uma melhor qualidade de ensino no ambiente virtual. Depois da transição apressada no início da crise sanitária e com a experiência das aulas já ministradas, a expectativa é que o ensino virtual melhore.

Um ponto a ser enfocado seria uma melhor preparação dos alunos para os vestibulares. De acordo com a Rede Enem, os jovens tanto da escola pública (87%) como da rede privada (82%) se sentem majoritariamente despreparados para o próximo Enem.

“No início da pandemia, o modelo de atendimento era “aulístico", mas perceberam que assim o conteúdo acabaria antes do semestre. Aula é uma ópera, é muito mais complexo do que apenas exposição. No segundo semestre, já houve uma melhora na didática. Em 2021 tem que ser ainda aperfeiçoado porque o aluno mais jovem é muito exigente. Ele vive o tempo do Whatsapp, ele exige mais do professor, uma nova didática para o meio digital", avalia o docente.

Vianney critica a gestão do MEC também na condução do ensino virtual durante a crise, mas diz que é preciso “sair da equação negacionista e ir pra uma equação da aprendizagem produtiva". Se não há apoio do governo federal, é preciso, segundo ele, procurar trabalhar com as redes estaduais e as universidades, sejam elas públicas ou privadas.

No diagnóstico do professor, existem os desafios metodológicos (qualificar o docente para atuar virtualmente) e físicos (prover dispositivo/conexão) para os alunos. Com um avanço nessas questões, o estudante brasileiro não ficaria desamparado mesmo com a pandemia durando mais do que o esperado.

“O aprendizado online funciona. É comprovado que ensino tradicional com métodos virtuais “acoplados", aumentam o aprendizado. Você acaba agregando um turno de estudo”, diz Vianney, que admite preocupação com os que ficarem desassistidos durante a crise sanitária.

“Não existe aprendizagem endovenosa. Aprendizagem é um processo lento e por camadas, o que você deixou de suprir nesse ano você vai ter que suprir em um ano, você vai ter que suprir nos próximos três ou quatro", projeta o especialista. “Nossa sociedade já é desigual, se não consertamos isso, o Brasil não avança globalmente".

Quanto às críticas de que o ensino à distância seria excludente, Vianney aponta que os dados mostram que a tendência é que o número de estudantes só aumente na modalidade, que tem visto suas mensalidades caírem de valor ao longo dos anos, até pelo aumento na oferta.

“Eu tenho que entregar para sociedade uma escola digital de qualidade. Escola não é para preencher tempo, não é apenas lugar de merenda, é lugar de construir um país. É preciso preparar novas gerações melhores do que as nossas", ressalta o professor.