Coutinho: empresa deve investir olhando o longo prazo

Para o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o investidor brasileiro tem dificuldade em planejar investimentos de longo prazo, o que, ao longo da história da economia nacional, dificultou o investimento privado em inovação. "A deficiência tem raízes históricas. Somente a partir de 2005 alcançamos a estabilidade. É muito recente a capacidade das empresas de enxergar um futuro de 10 ou 15 anos. E ainda é difícil planejar em um horizonte mais longo", afirmou Coutinho, em palestra durante o seminário "Atração de centros de P&D para o Brasil".

A mensagem de Coutinho a uma plateia de representantes do setor industrial, contudo, foi de estímulo ao investimento, o que, em sua opinião, depende de uma mudança estratégica por parte das empresas privadas, que devem liderar o investimento em pesquisa e desenvolvimento, segundo ele. "Até então era compreensível que o setor tivesse uma atitude conservadora. Agora, não mais", argumentou. Ele destacou que, no Brasil, o investimento privado em inovação está na casa de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto nos países desenvolvidos corresponde a 1,7% do PIB.

Oportunidades

Como oportunidades de investimento em pesquisa, Coutinho citou os setores de petróleo e gás natural; de energia renovável, sobretudo na geração eólica e solar; de telecomunicações, como no novo ciclo de quarta geração; de saúde; e de aeronaves, que possui uma cadeia supridora "frágil", segundo Coutinho. "Se nossas empresas forem ágeis e as internacionais quiserem cooperar, é possível desenvolver um grande parque de inovação no País", destacou o presidente do BNDES.

Em contrapartida, como exemplos de setores da economia que ainda são "atrasados" e "rudimentares" na utilização de tecnologias inovadoras, Coutinho mencionou o de piscicultura.

A intenção é lançar programas de incentivo para o investimento em pesquisa, como já ocorre no setor de petróleo e gás, com o Inovapetro, nas áreas de saúde, aeronáutica, tecnologia de informação e telecomunicações. "Temos muita burocracia em várias coisas e existem desafios a serem pensados. Como compartilhar propriedade intelectual? Acredito que temos uma agenda de trabalho entre o governo e o setor privado para avançar na construção dessas ações", disse Coutinho.

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