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Corrupção no MEC: Veja as evidências levantadas pela PF sobre Milton Ribeiro e pastores

Ao pedir a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, a Polícia Federal apontou a existência de uma “organização criminosa” infiltrada no Ministério da Educação (MEC) para a suposta prática de crimes contra a administração pública. No requerimento enviado à Justiça Federal, os investigadores citam que Ribeiro cometeu “façanha criminosa” ao agir em conjunto com os pastores lobistas Arilton Moura e Gilmar Santos ao “utilizar verbas públicas em contrapartida a benefícios próprios”. A defesa do ex-ministro nega qualquer irregularidade.

A investigação detectou transações financeiras suspeitas da mulher do ex-ministro, Myriam Ribeiro, do ex-assessor do Ministério da Educação Luciano Musse e do genro do pastor Moura, Helder Bartolomeu. Musse e Bartolomeu também foram presos na operação, mas liberados ontem.

A investigação da PF cita três indícios do que seriam pagamentos de propina ao grupo. Um deles foi a venda de um veículo Kia Sportage pela mulher do ex-ministro para a filha de Moura, pelo valor de R$ 60 mil. Outros dois se referem a transferências bancárias de R$ 20 mil a Musse e de R$ 30 mil a Bartolomeu. Segundo a PF, esses pagamentos foram feitos por solicitação de Moura em troca de acesso facilitado ao ministro e a verbas da pasta.

Os pedidos de recursos, segundo a investigação, foram feitos ao empresário José Edvaldo Brito, que preside o partido Avante de Piracicaba (SP). Brito disse ter conseguido uma reunião com o então ministro na sede do MEC depois de encontrar Musse em um hotel de Brasília.

Na reunião, segundo o dirigente partidário, Ribeiro gravou um vídeo para anunciar uma visita ao município paulista de Nova Odessa, cidade de 60 mil habitantes a 40 quilômetros de Piracicaba. Em troca de ter viabilizado o evento, Moura solicitou a emissão de passagens aéreas “para sua comitiva particular, da qual fazia parte Luciano Musse”, além de uma propina de R$ 100 mil “a título de colaboração”, segundo o MPF.

Musse era apontado como interlocutor dos pastores dentro do MEC e foi demitido logo após a saída de Ribeiro do governo.

A cerimônia em Nova Odessa ocorreu em agosto do ano passado e reuniu autoridades de 70 municípios da região. Ao GLOBO, Brito disse que durante o evento recebeu novo pedido de dinheiro por parte de Moura e relatou a um integrante do MEC. A denúncia foi então comunicada a Ribeiro, que decidiu levar o caso à Controladoria-Geral da União (CGU). O empresário, porém, disse que os pagamentos que já havia feito não se tratavam de propina, mas contribuições para atividades religiosas. Dos R$ 100 mil solicitados, ele afirmou ter tranferido R$ 67 mil a pessoas ligadas ao pastor.

— Somos cristãos e houve um pedido de doação missionária, passaram as contas e fizemos depósito — afirmou ao GLOBO: — Para mim isso foi um golpe, porque a gente agiu de boa vontade.

Transações financeiras suspeitas envolvendo mulher do ministro, assessor do MEC e genro de pastor fundamentaram as prisões cumpridas ontem

A investigação cita três pagamentos como indícios de propina

Pagamento 1

QUEM: Helder Bartolomeu, genro do pastor Arilton Moura e ex-assessor da prefeitura de Goiânia.

O QUE: Recebeu depósito de R$ 30 mil do empresário Danilo Felipe Franco a pedido do pastor Arilton Moura.

QUANDO: 5 de agosto de 2021.

Pagamento 2

QUEM: Luciano Musse, ex-gerente de Projetos da Secretaria Executiva do Ministério da Educação.

O QUE: Recebeu depósito de R$ 20 mil do empresário Danilo Felipe Franco a pedido do pastor Arilton Moura.

QUANDO: Não há

Pagamento 3

QUEM: Myrian Pinheiro Ribeiro, esposa do ex-ministro Milton Ribeiro.

O QUE: Vendeu o veículo Kia Sportage 2016 por R$ 60 mil para Victoria Bartolomeu, filha do pastor Arilton Moura, casada com Helder Bartolomeu.

QUANDO: 22 de fevereiro de 2022.

Segundo o empresário José Edvaldo Brito, o pastor lobista Arilton Moura pediu R$ 100 mil para “auxílio a obras missionárias desenvolvidas por sua igreja” por intermediar encontro entre o empresário e o ex-ministro Milton Ribeiro no Ministério da Educação. Aos investigadores, Brito disse que foram depositados R$ 67 mil a pessoas ligadas ao religioso

Com base na investigação, a PF afirma que o então ministro da Educação conferia prestígio da administração pública à atuação dos pastores, dando respaldo ao comentimento dos supostos crimes

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