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Corrida de IPOs tem 13 desistências no ano e 52 ofertas na fila

Álvaro Campos
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Corrida de IPOs tem 13 desistências no ano e 52 ofertas na fila
Corrida de IPOs tem 13 desistências no ano e 52 ofertas na fila

Volume de recursos movimentado em 2020 já é recorde e soma mais de R$ 94 bilhões A decisão da Allied Tecnologia de desistir da sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) engrossou a lista de transações suspensas neste ano. Ao todo, 13 companhias já interromperam o processo em meio à volatilidade do mercado e ao elevado volume de operações previstas. A lista inclui nomes como Elfa Medicamentos, Triple Play, One Innovation, BR Partners, Daycoval e Alphaville Urbanismo. Esta última depois entrou com pedido de IPO da sua controladora, a Alphaville SA, que ainda está em andamento. Já o Banco Votorantim havia desistido do seu processo de IPO em março, mas protocolou um novo pedido em agosto. IPOs cancelados A Allied é representante de marcas de eletrônicos de consumo, como Apple, LG, HP, Samsung, Motorola e Microsoft, sendo o único representante no segmento das marcas Google e Amazon Kindle. A empresa é controlada pela gestora Advent, por meio de dois fundos, e o restante pertence a três executivos da família fundadora, os Radomysler. Na época em que o prospecto foi protocolado, em fevereiro, o Valor havia apurado que a empresa pretendia levantar cerca de R$ 1,4 bilhão. Apesar das desistências, este ano os IPOs já atingiram um volume recorde de mais de R$ 94,5 bilhões e uma leva de novas empresas têm entrado na fila este mês. Atualmente são 52 pedidos em aberto, mas sobre alguns, fontes já informaram que as ofertas não devem sair, como Havan, Caixa Seguridade, Cagece e Iguá. Edilson Dantas/Agência O Globo O pedido mais recente de IPO, feito na quinta-feira, é do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que fará uma oferta primária - quando os recursos vão para o caixa da empresa - e secundária, quando os acionistas atuais vendem parte de suas fatias. Os coordenadores são Morgan Stanley, J.P. Morgan e BTG Pactual. A companhia vai utilizar os recursos da oferta primária para projeto e construção da planta de demonstração (38%); investimentos em seleção genômica (27%); implementação de ferramentas de edição genômica (15%); e identificação de novos negócios, como bioinformática e data analytics (20%). O CTC provê soluções agrícolas e industriais para o setor sucroenergético, atuando na pesquisa, desenvolvimento, aprovação comercial e comercialização de variedades de cana-de-açúcar. Nos dois primeiros trimestres do seu ano fiscal de 2021 (de abril a setembro deste ano) teve receita líquida de R$ 153 milhões, com crescimento anual de 33,0%. O lucro aumentou 127,3%, a R$ 50 milhões. Os principais acionistas são Copersucar (16,93%); Raízen Energia (19,03%); São Martinho (5,41%) e BNDESPar (18,91%). 23/10/2020 Rumo à bolsa A lista de ofertas recém protocoladas também inclui o grupo Uni.co, dono das marcas Imaginarium, Puket e MinD, as varejistas Oba Hortifruti e BIG (ex-Walmart), além da CSN Mineração. As ofertas têm sido impulsionadas pelo ambiente de juros na mínima histórica, que incentivam os investidores a buscar mais risco para as carteiras, e fatores como a maior democratização no acesso aos investimentos por meio das plataformas digitais. Nem todas as ofertas, porém, devem sair do papel. Um levantamento da consultoria Bain & Company mostrou que apenas 40% dos pedidos registrados chegam ao mercado. A taxa de conversão brasileira é muito menor do que a de mercados avançados, como os Estados Unidos e a Alemanha, nos quais o indicador sobe para 77% e 65%, respectivamente, segundo a Bain. De acordo com a consultoria, uma das razões para a baixa conversão é que o mercado brasileiro é mais complexo que no exterior, com janelas de liquidez mais curtas que outros mercados. Precificação De acordo com os dados da pesquisa, no ano passado, dois terços das empresas que fizeram IPO conseguiram preço no centro da faixa ou acima. Nas últimas ofertas, entre abril e setembro, 62% das operações ficaram abaixo do meio e 31% no piso. Apenas 8% conseguiram uma precificação acima do centro. A pesquisa buscou ainda identificar os motivos para a empresa acessar o mercado de capitais. O resultado é que os objetivos na janela após a pandemia mudaram de desalavancagem para crescimento dos negócios. A pesquisa mostra que, dos recursos levantados pelos IPOs realizados em 2019 e neste ano até março, 42% tiveram como destino expansão orgânica das companhias, enquanto 37% foram utilizados para amortizações. Na retomada, a partir de abril, os objetivos passaram a ser expansão orgânica, que subiu para 57% das intenções, seguido de aquisições, com 20%. Já as amortizações caíram para a casa de 4%.