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A corrida da ciência em busca da arma contra a COVID-19

Natalie Rosa

Desde que começaram a surgir os primeiros casos de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, cientistas do mundo inteiro estão em busca de medicamentos que sejam eficazes na cura. Até o momento, mais de 50 remédios já vêm trazendo sinais de respostas positivas no tratamento da doença, mas ainda não há nada concreto.

Entre os cientistas que estão atrás de reverter essa situação de pandemia estão os pesquisadores do Quantitative Biosciences Institute (Q.B.I.), da Universidade da Califórnia, no estado de São Francisco, que formam um grupo exclusivo de pesquisas da COVID-19. O objetivo é, em vez de encontrar uma forma de atacar o vírus, descobrir um medicamento que barre as proteínas receptoras das células — nas quais coronavírus se liga para sobreviver e se reproduzir.

Como não há nenhum medicamento antiviral que seja comprovadamente efetivo contra o novo coronavírus, quando há uma contaminação, o máximo que os médicos podem oferecer atualmente é o fornecimento de oxigênio, controle da febre ou ainda, em casos mais graves, usar um respirador para enviar ar aos pulmões.

Caso os esforços na busca de remédios deem certo, será um grande marco para a ciência, que irá descobrir um tratamento de um vírus que ninguém sabia o nome há poucos meses. John Young, chefe global de doenças infecciosas do instituto farmacêutico Roche, disse estar bastante impressionado com a velocidade do progresso desses estudos, acreditando que há um grande potencial de sucesso.

Imagem: Reprodução

Correndo contra o tempo

Foi em fevereiro que os cientistas descobriram que a doença estava se espalhando para outros países, quando uma mulher residente da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu estar infectada pelo novo coronavírus sem ter viajado recentemente para fora do país. Com isso, ficou claro que o vírus estava se propagando além das expectativas.

Nevan Krogan, diretor do Q.B.I., que começou a estudar o novo coronavírus em janeiro, disse que, a partir daquele momento, seria preciso "correr contra o tempo". Sua equipe começou a descobrir proteínas em nossas células que serviam de moradia para o coronavírus da COVID-19, em um projeto que, normalmente, levaria dois anos. Os resultados começaram a aparecer em apenas algumas semanas, com a ajuda de 22 laboratórios.

Replicação: o hack da célula

Um vírus se reproduz quando ele injeta seus genes dentro de uma célula humana e faz a replicação de seu DNA. Assim, unem seu material genético com o da célula hospedeira e assumem o controle, fabricando novas proteínas celulares e iniciando a reprodução viral. A contaminação acontece quando novos vírus formados se amadurecem e se desprendem das células. A partir de contato com saliva, secreções ou sangue, podem contaminar até mesmo superfícies.

Ainda em 2011, o grupo de cientistas liderados por Krogan desenvolveu uma forma de descobrir quais proteínas humanas os vírus usam para manipular as células. Em fevereiro, os pesquisadores usaram essa tática e sintetizaram genes do coronavírus e os injetaram nas células, descobrindo 400 proteínas humanas que "atraem" o vírus. Os sintomas da COVID-19 são semelhantes aos da gripe porque o novo coronavírus ataca as células do trato respiratório.

Foto: Victor J. Blue/The New York Times

Graças a esse estudo, Kevan Shokat, químico da USCF, já vem analisando cerca de 20 mil medicamentos aprovados pela Food and Drug Administration, órgão norte-americano que funciona como a Anvisa no Brasil. O cientista está em busca de evidências de que esses remédios consigam interagir com a descoberta de Krogan.

Respostas estão aparecendo

No mês passado, cientistas descobriram que o medicamento remdesivir pode ser capaz de eliminar o coronavírus de células infectadas e, desde então, cinco testes clínicos começaram identificar se é seguro o seu uso no tratamento da COVID-19. Pesquisadores da Universidade de Stanford também estão apostando em novas medidas, anunciando que estão usando o sistema CRISPR de edição genética para destruir os genes do novo coronavírus em células infectadas.

O próximo passo de Dr. Krogan e sua equipe é se preparar para publicar seu estudo ainda neste fim de semana, contando com uma lista de medicamentos classificados como os principais no possível tratamento de pessoas contaminadas, pedindo para que outros cientistas façam novas descobertas através deles.


Fonte: Canaltech

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