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Corretor em negócio suspeito com Flávio Bolsonaro admite outra fraude

MP considera haver indícios robustos dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio de 2007 a 2018. (Foto: Carl de Souza/AFP/Getty Images)

O corretor responsável pela venda de dois imóveis ao senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) foi alvo de comunicação do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) sob a suspeita de ter subfaturado uma transação imobiliária.

Trata-se da modalidade de fraude que promotores agora suspeitam ter sido praticada pelo senador em operações com esse mesmo corretor.

O Ministério Público do Rio conseguiu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 9 empresas e 86 pessoas, incluindo o filho do presidente da República e esse corretor, o norte-americano Glenn Dillard.

A Promotoria considera haver indícios robustos dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio de 2007 a 2018, quando ele era deputado estadual no Rio.

A investigação também cita indícios de lavagem de dinheiro em transações imobiliárias de Flávio, que realizou operações envolvendo 19 imóveis e lucrou com transações relâmpago, como revelou a Folha de S.Paulo.

Os negócios imobiliários do senador já estiveram sob investigação do órgão no ano passado, mas o caso foi arquivado após ter como única diligência as explicações do próprio investigado. Nelas, Flávio omitiu a participação do corretor Dillard.

No caso identificado pelo Coaf, o corretor tentou fazer uma operação de câmbio no Citibank em julho de 2015 no valor de R$ 775 mil. Ele admitiu a fraude ao relatar ao banco que o dinheiro tinha como origem a venda de um imóvel cuja escritura indicava como preço R$ 350 mil. O banco se recusou a fazer a operação e comunicou o caso ao órgão do Ministério da Justiça.

O subfaturamento nas operações imobiliárias pode ter como objetivo lavar dinheiro obtido ilegalmente. O comprador com dinheiro sujo paga ao vendedor "por fora", geralmente em espécie, a fim de obter um bem de valor real maior do que o declarado. O dinheiro volta "limpo" quando a revenda é feita.

O Ministério Público do Rio suspeita que Flávio tenha cometido esse crime nas duas operações imobiliárias com Dillard. Flávio nega irregularidades e diz que as transações foram normais.

Os dois imóveis que envolveram Flávio e Dillard haviam sido adquiridos em 2011, pelos proprietários anteriores, por um total de R$ 440 mil. Em pleno boom imobiliário na cidade, ainda em 2011 e em 2012, os antigos donos tiveram um prejuízo de 30% ao revendê-los ao hoje senador.

Tempos depois, Flávio revendeu um desses imóveis por R$ 573 mil e o outro por por R$ 550 mil. Somadas, as transações lhe renderam um lucro de R$ 813 mil.

"Essa prática de subfaturamento do registro imobiliário da compra aliada ao superfaturamento da venda possibilita a simulação de ganhos de capital em patamares expressivos, razão pela qual são instrumentos rotineiramente utilizados para lavagem de capitais já catalogados pelo Coaf e principais organismos internacionais", escreveram os promotores ao pedir a quebra de sigilo de Flávio, Dillard, seus sócios e suas empresas.

Dillard era um corretor que atuava como procurador de dois investidores americanos: Charles Eldering e Paul Maitino. Os dois eram os proprietários das duas quitinetes em Copacabana, mas quem assinou a venda foi o corretor.

A operação sob suspeita foi parar na Justiça porque Eldering acusou Dillard de vender a unidade a Flávio sem o seu consentimento.

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Essas e outras 17 operações imobiliárias de Flávio, reveladas pela Folha de S.Paulo, foram objeto de uma representação do advogado Eliezer Gomes da Silva ao Ministério Público do Rio em fevereiro de 2018.

A única diligência realizada à época foi o pedido de explicações ao então deputado estadual. Na ocasião, Flávio afirmou que havia comprado as quitinetes de um grupo de investidores, sem revelar a participação de Dillard.

O senador Flávio Bolsonaro disse, em nota, que não tem responsabilidade pelas ações de outras pessoas. "Se alguém cometeu um crime, que responda por ele", disse.

"Reafirmo que não são verdadeiras as informações vazadas sobre mim pelo Ministério Público. Continuo sendo vítima de seguidos e constantes vazamentos de informações contidas em processo que está em segredo de justiça. Movimento que deixa evidente a campanha contra mim para atingir o governo de Jair Bolsonaro", declarou ele.

Dillard não foi localizado.