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Correção: OCDE vê mais 16 milhões de latino-americanos na pobreza extrema em 2020

Edna Simão e Estevão Taiar

Secretário-geral da organização cobra “pacto para avançar em sistema de proteção social” Nota publicada anteriormente tinha um erro: a OCDE prevê um acréscimo de 28 milhões de latino-americanos vivendo na pobreza neste ano, e não 18 milhões. A seguir, a íntegra corrigida:

O secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Ángel Gurría, afirmou nesta segunda-feira que a crise causada pela covid-19 mostrou que os mecanismos de proteção social são insuficientes e que “saúde e economia não se contrapõem”.

“É um falso dilema”, disse Gurría em Cúpula Ministerial Virtual da OCDE sobre Inclusão Social para a América Latina e o Caribe, que visa debater os impactos da pandemia na região. “É preciso um pacto entre Estado, mercado e sociedade até para avançar, por exemplo, em um sistema de proteção social que cubra todos os trabalhadores e mais vulneráveis”, destacou.

Segundo ele, poderá haver neste ano um acréscimo de 28 milhões de latino-americanos vivendo na pobreza e de 16 milhões na pobreza extrema. Gurría frisou ainda que um a cada cinco jovens na região da América Latina e Caribe está desempregado, três vezes mais que o dos adultos.

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Gurría ressaltou que a pandemia leva os países à uma nova discussão sobre a discussão por informalidade e inclusão social na região. Para o secretário-geral da OCDE, antes mesmo da crise, os países latino-americanos já sofriam com desemprego, informalidade e com o aumento da pobreza extrema, o que só piorou com o distanciamento social.

“Isso piorou com medidas de distanciamento, tensões comerciais e disrupção de cadeias de valor”, avalia Gurría. “O espaço fiscal é limitado para atuação na região. Nesse complexo panorama, a crise está afetando lugares mais pobres”, contou.

Para o secretário-geral, os mais vulneráveis são os trabalhadores informais, e o alto nível de informalidade também limita a contenção do vírus. “Covid-19 pode afetar outros grupos mais vulneráveis, como mulheres e índios”, contou. “Espera-se que um em cada cinco esteja desempregado [na região] em 2020.”

Ele ressaltou que essa é a oportunidade de promover reformas para um crescimento mais inclusivo. “Temos que repensar modelo atual, que por décadas gerou a atual desigualdade. É preciso novo pacto entre mercado, Estado e sociedade”, frisou.

Segundo Gurría, com a crise, muitos países precisaram, mesmo com dificuldades, ampliar os gastos fiscais. Ele ressaltou que, no Brasil e na Argentina, o gasto está no mesmo patamar que o de países da OCDE, diferente de outros países da região, onde esse gasto ainda é baixo por essa comparação.