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Coronavoucher eleva consumo de frango e ajuda Brasil a enfrentar custos, diz ABPA

Por Roberto Samora
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Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A auxílio emergencial distribuído no Brasil por causa da pandemia, conhecido como "coronavoucher", e as fortes exportações impulsionadas pela demanda da Ásia ajudaram a indústria de frango do Brasil a enfrentar uma disparada de custos com milho e farelo de soja, disse o presidente do conselho consultivo da associação ABPA nesta quinta-feira.

Segundo Francisco Turra, o "coronavoucher nos permitiu suportar os encargos" da disparada das matérias-primas para ração, uma vez que o consumo interno de frango subiu.

Ele lembrou que o preço do milho, principal componente de custo, dobrou ante o ano passado, para um patamar recorde de mais de 80 reais a saca.

Embora o país seja o maior exportador global de carne de frango, a maior parte da produção é consumida localmente.

Turra estimou que o consumo per capita de carne de frango pode subir para 45 quilos, ante 42,84 quilos/habitante em 2019, durante sua apresentação no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex).

Caso isso se confirme, seria o maior consumo per capita desde 2011, quando atingiu 47,38 quilos, igualando o patamar de 2012, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Ele disse ainda que a indústria superou os desafios da pandemia também com o auxílio do câmbio, o que ajudará o país a elevar os embarques de carne de aves em 2020 em 2% ante 2019.

Comentou também que as maiores vendas têm ajudado o setor a elevar os investimentos, sendo por meio de expansões ou novas fábricas.

Turra disse ainda que se o Brasil exporta 37% de tudo que o mundo exporta de carne de frango, isso se deve muito aos bons padrões sanitários.

Embora o Brasil não seja líder em carne de porco como é no frango, vai exportar 40% mais de suínos este ano, com a China elevando as compras para amenizar problemas de oferta decorrentes da redução do plantel pela peste suína africana.

PESO DA ÁSIA

No mesmo painel do Enaex, o professor sênior de Agronegócio e coordenador do Centro Insper Agro Global, Marcos Jank, disse que a agropecuária do Brasil, apesar da pandemia, vai exportar em patamar equivalente a 100 bilhões de dólares, com a China ampliando sua fatia nas exportações brasileiras de 34% para 40% em 2020.

As exportações para a China devem aumentar entre 6 bilhões a 7 bilhões de dólares, disse ele, citando também a importância e o potencial de países asiáticos, como a Índia, que ainda não compram tanto.

"Em plena pandemia, estamos com demanda estável, lembro que nos primeiros dias da pandemia as pessoas achavam que estávamos de volta a 1930, mas não aconteceu isso, o mundo precisa do Brasil", disse ele, lembrando que o câmbio também ajudou nas exportações.

Jank ressaltou também as melhorias na logística para o escoamento dos produtos agropecuários, citando a saída pelo Norte do país, assim como o aumento de transporte de cargas pela ferrovia Norte Sul, que "estará operacional de ponta a ponta" no ano que vem.

Ele também mencionou o fato de a China ter resolvido questões da pandemia mais cedo, além do impacto da peste suína no país asiático e a guerra comercial com os EUA, fatores "conjunturais" que exigem que o Brasil se prepare, porque "daqui a três anos eles não mais existirão".