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Coronavírus no RJ: Falta de leitos, flexibilização de isolamento e suspeita de corrupção

Rio de Janeiro é o segundo estado com maior número de casos de coronavírus, e Prefeitura da capital iniciou relaxamento das medidas de isolamento na terça-feira (2). (AP Photo/Silvia Izquierdo)

Brasil voltou a notificar, na terça-feira (2), mais de mil mortos pela Covid-19, com o total de óbitos chegando a 31.199. O país também teve registro recorde de novas infecções, com mais 28.936 casos, totalizando 555.383 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus.

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No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde registrou, até o dia 2 de junho, 56.732 casos confirmados e 5.686 mortes pela doença no estado. 

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Enquanto ocupa o segundo lugar em estados com o maior número de casos de Covid-19, o Rio de Janeiro enfrenta também um colapso no sistema de saúde e uma crise política com risco de impeachment do governador Wilson Witzel.

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SUSPEITA DE CORRUPÇÃO

A Polícia Federal investiga suspeitas de desvios na Saúde do Rio de Janeiro para ações na pandemia de coronavírus. Foram presas cinco pessoas, além da realização de busca e apreensão em 12 endereços, entre eles, do governador.

A organização social Iabas foi contratada de forma emergencial pelo governo do RJ para construir e administrar sete hospitais de campanha. O contrato no valor de R$ 835 milhões é cercado por irregularidades, segundo investigadores. 

Foram prometidas sete unidades em pleno funcionamento até o dia 30 de abril, mas nenhuma foi aberta no prazo. Até agora apenas uma unidade, a do Maracanã, está operando. São previstas ainda unidades em São Gonçalo, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Nova Friburgo, Campos dos Goytacazes e Casemiro de Abreu.

Desse montante - e antes de ter recebido o primeiro leito dos sete hospitais contratados -, o estado já tinha adiantado R$ 256 milhões, em três levas:

- Uma de R$ 60 milhões, paga em duas vezes, nos dias 13 e 15 de abril, sem especificação de onde seria usado o dinheiro;

- Uma de R$ 68 milhões, para pagar respiradores e finalização da montagem dos hospitais;

- E outra parcela, no valor de R$ 128,5 milhões.

O governo do Rio de Janeiro decidiu intervir na gestão dos hospitais de campanha montados para combater a pandemia de Covid-19 e afastar a organização social Iabas do comando das unidades, segundo decreto estadual publicado na terça-feira (2). Diante dos problemas de atraso na montagem dos hospitais de campanha e deficiência na administração, o governador Wilson Witzel determinou que a Secretaria de Estado de Saúde assuma a gestão das unidades.

De acordo com o governo, o contrato e os termos aditivos realizados com a organização serão anulados e serão requisitados todo o equipamento e mão-de-obra no combate à pandemia. Por determinação de Witzel, a Secretaria estadual de Obras assumirá a finalização das obras.

“A conclusão das obras é estratégico, há um déficit muito grande de CTI no estado”, disse o secretário de saúde do estado, Fernando Ferry.

Três empresas são investigadas ainda por suposta fraude na compra de mil respiradores. Somente 52 foram entregues, mas com especificações diferentes. A suspeita é que houve vantagem indevida nos contratos, cujo valor total é de R$ 183,5 milhões.

IMPEACHMENT

Diante das investigações, há dez pedidos de impeachment contra o governador protocolados na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), que foi aliado de Witzel, já acenou que submeterá a decisão de afastamento ao plenário nos próximos dias. Em uma tentativa de garantir os 26 votos necessários para barrar a instauração do processo, Witzel exonerou, nesta quarta (3), o secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, citado em investigação que apura desvio de recursos.

Nos bastidores, deputados afirmam que há um ambiente propício para que as propostas de impeachment do governador caminhem dentro da Casa.

ISOLAMENTO

Os moradores da cidade do Rio de Janeiro vivem ainda sob o conflito de orientações do governo do estado e da Prefeitura. De um lado, o prefeito Marcelo Crivella, aliado do presidente Jair Bolsonaro, flexibilizou as medidas de distanciamento social. Do outro, o governador do Rio, Wilson Witzel, prorrogou a quarentena no estado até sexta-feira (5). 

As restrições do estado incluem a manutenção de limitações para uso do transporte público intermunicipal (trens, ônibus e barcas) por profissionais de atividades essenciais.

Entre os pontos divergentes, por exemplo, em um dos itens do decreto, o governador manteve a proibição de frequência a praias, rios e lagoas. Crivella, por sua vez, manteve restrições só na areia e liberou para que pessoas se exercitem no calçadão e façam esportes aquáticos individuais.

A redução do distanciamento social nesta semana é criticada por cientistas da Universidade de São Paulo, que alertam para o risco da explosão de número de casos no Brasil. A previsão é de que o afrouxamento do isolamento pode aumentar em 150% o número de infectados e mortos pelo coronavírus.

Segundo o especialista Domingo Alves, do portal Covid-19 Brasil, o município do Rio de Janeiro tem uma das situações mais críticas devido à falta de leitos e à tendência de aumento de casos já antes da flexibilização do distanciamento.

LEITOS

A Secretaria de Estado de Saúde informa que, atualmente, a taxa de ocupação considerando todas as unidades da rede estadual é de 70% em leitos de enfermaria e 89% em leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). Dos leitos destinados para a Covid, tanto de enfermaria quanto de UTI, todos estão ocupados, exceto do Hospital Regional Zilda Arns, localizado no sul do estado, e dos hospitais de campanha Lagoa-Barra, Maracanã e Parque dos Atletas, na capital fluminense.