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Coronavírus: Por que o distanciamento social também é importante para os jovens saudáveis

Jovens usando máscaras em Roma no dia 26 de fevereiro. A Itália teve mais de 60.000 casos confirmados de coronavírus desde que o surto foi identificado. (Getty Images)

De acordo com as autoridades britânicas, as pessoas jovens e saudáveis também devem praticar o “distanciamento social” durante a pandemia de coronavírus. Boris Johnson pediu que todos os britânicos evitem o contato social, cancelem viagens não essenciais e trabalhem de casa – se possível – por um período indefinido.

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O primeiro-ministro foi ainda além, na última sexta-feira, ordenando o fechamento de bares, restaurantes, academias e cinemas.Como a nova cepa de coronavírus era praticamente desconhecida até o começo desse ano, ninguém tem imunidade à infecção.

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Qualquer um pode contrair o vírus, embora a grande maioria das mortes em todo o mundo esteja ocorrendo entre os idosos e indivíduos com doenças pré-existentes, como asma e diabetes.

Ainda que os jovens saudáveis não façam parte dos grupos de risco, as autoridades destacaram que todos devem permanecer dentro de casa para que a estratégia de “distanciamento social” funcione.

Homem usando máscara e luvas em Nantes no dia 20 de março. A França tem mais de 19.000 casos confirmados. (Getty Images)

Acredita-se que o novo coronavírus tenha surgido em um mercado de frutos do mar e animais vivos na cidade chinesa de Wuhan, capital da província de Hubei, no final do ano passado. Desde então, ele se espalhou por mais de 160 países em todos os continentes habitados.

Desde que o surto foi identificado, mais de 370.000 casos foram confirmados, dos quais cerca de 100.000 já se recuperaram. O número de casos tem se mantido estável na China desde o final de fevereiro, e a Europa se transformou no novo epicentro da pandemia.

Por que é importante que pessoas de todas as idades pratiquem o distanciamento social para combater o coronavírus

O Reino Unido tem como objetivo “suprimir” o surto, “reduzindo o número de casos até atingir níveis baixos e mantendo essa situação indefinidamente,” em vez de “mitigá-lo”. A atenuação tem como foco “desacelerar, mas não necessariamente impedir o contágio”, por meio da proteção dos idosos e pessoas com doenças pré-existentes.

A decisão do governo britânico foi influenciada por um modelo elaborado por cientistas da Imperial College London. A equipe descobriu que a supressão era a forma mais eficaz de liberar leitos de UTI nos hospitais e reduzir a pressão sofrida pelo NHS (Serviço de Saúde do Reino Unido).

 O Professor Patrick Vallance, principal consultor científico do governo britânico, disse: “A não ser que todo mundo pratique o distanciamento social, ele não vai ter efeito”. “Os jovens não podem ignorar a situação acreditando que vão ficar bem”.

“As reuniões em bares permitem que a doença se espalhe, e ela precisa ser freada tanto nos jovens quanto nos idosos”.

Pesquisas indicam que o coronavírus é leve em quatro de cada cinco casos, e um número relativamente pequeno de pacientes precisa de atendimento hospitalar.Embora a maioria desenvolva sintomas leves como tosse e febre, a infecção pode ser transmitida para alguém do grupo de risco.

A principal via de transmissão do coronavírus são as gotículas emitidas quando um paciente tosse ou espirra. Os especialistas não sabem ao certo o quanto o vírus é contagioso. Todos os patógenos infecciosos têm um “número básico de reprodução”.

Esse é o número de pessoas que um paciente costuma infectar, estatisticamente. Por exemplo, um número de reprodução de 3 significa que a estimativa é de que cada paciente passe o vírus para três outros pacientes.

No meio de fevereiro, cientistas da London School of Hygiene & Tropical Medicine estimaram que o número de reprodução do COVID-19 estaria entre 1,5 e 4,5 antes da imposição de restrições aos voos comerciais em Wuhan.

Essa estimativa os levou a prever que o pico da transmissão ocorreria na China “no meio ou no final de fevereiro”. Na época, o Dr. Robin Thompson, da Universidade de Oxford, disse: “É desafiador prever o pico de qualquer surto, então há muitas incertezas nas estimativas tanto do momento do pico quanto do total de casos que irão ocorrer”.

O professor David Heymann, que também é da London School of Hygiene & Tropical Medicine, havia informado ao Yahoo UK que os números básicos de reprodução “mudam diariamente de acordo com as novas informações obtidas”.

Embora a grande maioria dos jovens supere a doença sem maiores dificuldades, alguns podem ficar seriamente doentes, como acontece em uma gripe. Chris Witty, médico chefe do governo britânico, alerta que alguns jovens tiveram que ser hospitalizados por causa do coronavírus, em diversos países.

“Não queremos dar a impressão de que todos os jovens vão superar a doença sem nenhuma dificuldade,” disse ele.“Alguns jovens vão ter a doença agravada [mesmo que sejam saudáveis]”.

“Esta não é uma infecção trivial para ninguém, nem para os jovens adultos”.Ant Middleton, ex-soldado britânico e apresentador de televisão, foi criticado na sexta-feira quando pediu que seus 830.000 seguidores se acalmassem.

“Eu vou deixar uma doença mandar na minha vida? De jeito nenhum”.“Saia lá fora, não mude sua rotina, dane-se o COVID-19!”

O que é o coronavírus?

O coronavírus é uma cepa de uma família de vírus, dos quais sete são conhecidos pela sua capacidade de infectar seres humanos. Outras cepas incluem as que causam o resfriado comum e a síndrome respiratória aguda grave (SARS), que matou 774 pessoas durante um surto em 2002/2003.

Inicialmente o coronavírus tende a causar sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, tosse e falta de ar leve. Embora ele se espalhe via tosse e espirros, há evidências de que o contágio também possa ocorrer por meio da urina e das fezes.

A maioria dos casos é leve, mas alguns podem evoluir para uma pneumonia se a infecção se espalhar para os alvéolos pulmonares, deixando-os inflamados e cheios de fluido ou pus. Isso pode fazer com que os pulmões tenham dificuldade para inspirar o ar, resultando na redução do oxigênio na corrente sanguínea e acúmulo do dióxido de carbono.

O coronavírus não tem um tipo de tratamento específico, e a maioria dos pacientes combate a infecção naturalmente. Os que precisam de hospitalização recebem “cuidados de suporte”, como a ventilação mecânica, enquanto o seu sistema imunológico trabalha para vencer a doença.

As autoridades pedem que as pessoas evitem a infecção lavando as mãos regularmente e mantendo distanciamento social.

Alexandra Thompson