Mercado fechado

Coronavírus: Mortes chegam a 3 mil e infectados passam de 80 mil

Trabalhador desinfeta uma escada rolante em uma loja de departamentos em Seul, na Coreia do Sul. (Foto: AP Photo/Lee Jin-man)

O número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus na China continental já excedeu a marca de 80 mil. O balanço mundial da epidemia ultrapassou nesta segunda-feira a marca de 3.000 mortes, ao mesmo tempo que aumentam os casos de contágios na Itália e na Coreia do Sul.

E nos siga no Google News:

Yahoo Notícias | Yahoo Finanças | Yahoo Esportes | Yahoo Vida e Estilo

Autoridades sanitárias chinesas afirmam que mais 42 pessoas morreram devido ao coronavírus na província de Hubei, nesse domingo (1º). Fora da província de Hubei, epicentro da epidemia, a retomada das atividades, paralisadas há várias semanas, era visível, com alguns engarrafamentos em Pequim.

Leia também

Foram registradas 202 novas infecções pelo vírus, elevando o total de contágios para 80.026. Entre os novos casos, seis foram encontrados fora da província de Hubei. O número de novos pacientes registrados fora da província permaneceu em apenas um dígito, por 4 dias consecutivos.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

O líder da equipe de especialistas das autoridades sanitárias chinesas, Zhong Nanshan, e outros pesquisadores publicaram uma análise do coronavírus em um periódico médico dos Estados Unidos.

Os especialistas afirmam que mais da metade das 1.099 pessoas infectadas na China até 29 de janeiro não apresentaram febre quando foram hospitalizadas.

Os pesquisadores também informam que 17,9% de 877 pacientes sem sintomas graves não apresentaram nenhuma anormalidade em exames de raio-X e outros testes.

Eles insistem que as pessoas permaneçam alertas, já que esses fatores tornam difícil o diagnóstico nos estágios iniciais da infecção.

COREIA DO SUL

A epidemia de COVID-19 parece em queda na China, onde foram adotadas medidas de quarentena para mais de 50 milhões de pessoas, mas piora em outros países do mundo.

A Coreia do Sul, o país com o ritmo mais acelerado de propagação da epidemia, anunciou nesta segunda-feira quase 500 novos contágios, o que eleva o total a mais de 4.000. O país também registrou mais quatro mortes (22 no total).

A prefeitura de Seul iniciou uma ação por homicídio contra os líderes da Igreja de Jesus Shincheonji, principal vetor da epidemia. O movimento religioso, considerado por seus críticos uma seita, é acusado de não ter permitido ações para impedir a propagação do coronavírus.

O líder da seita, relacionada à metade dos casos do novo coronavírus na Coreia do Sul, pediu desculpas pela responsabilidade de sua organização na propagação da epidemia.

"Quero oferecer minhas mais sinceras desculpas ao povo, em nome dos membros", disse Lee Man-hee, fundador da Igreja Jesus Shincheonji, em Gapyeong (norte).

O homem de 88 anos se ajoelhou duas vezes antes de se prostrar, com a testa no chão, diante da imprensa. "Não foi intencional, mas muitas pessoas foram infectadas", lamentou o líder do movimento controverso, muito criticado no país.

EUROPA, AMÉRICA LATINA E ORIENTE MÉDIO

A Itália detectou quase 500 novos contágios no domingo, um aumento exponencial que eleva o balanço a quase 1.700 no país. Também anunciou mais cinco mortes (34 no total), em três regiões do norte do país: Lombardia, Emilia Romagna e Veneto.

A França, um novo eixo de contágio na Europa, contabiliza 130 casos e duas mortes.

O Museu do Lovure da capital francesa, que em 2019 recebeu 9,6 milhões de visitantes, permaneceu fechado no domingo, depois que os funcionários reivindicaram o direito de interromper o trabalho em consequência da epidemia.

Museu do Louvre permaneceu fechado no domingo, em Paris, na França. (Foto: Chesnot/Getty Images)

A Feira do Livro de Paris também cancelou a edição de 2020.

A Espanha tem 73 casos de contágio. O famoso escritor chileno Luis Sepúlveda, de 70 anos e que mora no norte da Espanha, foi infectado, anunciaram as autoridades de Portugal, país visitado recentemente pelo autor.

Na Alemanha foram registrados 129 casos, mais da metade na Renania do Norte-Westfalia, onde um casal infectado participou na semana passada no carnaval de Heinsberg, um evento muito popular.

Na América Latina, a República Dominicana registrou o primeiro caso, um turista italiano. A região tem mais dois quatro caos no México, dois no Brasil e seis no Equador.

O Irã anunciou 11 novas mortes, o que eleva o balanço oficial a 54 vítimas fatais. O serviço em farsi da BBC, no entanto, menciona pelo menos 210 mortes no país, informação desmentida pelas autoridades.

A EPIDEMIA

As consequências da epidemia do novo coronavírus se intensificam em todo o mundo.

A propagação de COVID-19, que provoca o temor de uma crise econômica mundial, provocou um forte impacto nas Bolsas dos países do Golfo, que abrem de domingo a quinta-feira. Os mercados perderam até 10% (no Kuwait), seguindo os passos de outras praças mundiais, que na semana passada registraram a queda mais expressiva desde a crise financeira de 2008.

Algumas empresas já anunciaram os efeitos da epidemia em seu faturamento.

A companhia aérea israelense El Al informou que planeja demitir 1.000 de seus 6.000 funcionários em consequência das perdas financeiras provocadas pelo cancelamento de voos.

Vários países, incluindo Alemanha e Itália, pretendem ajudar os setores afetados.

2ª MORTE NOS EUA

Um homem de 70 anos se tornou no sábado a segunda vítima fatal relacionada à doença no território dos Estados Unidos.

A morte aconteceu no hospital Evergreen de Kirkland, perto de Seattle (Washington), assim como a primeira registrada no país.

A primeira morte aconteceu no mesmo dia, um homem com mais de 50 anos, que também apresentava problemas de saúde preexistentes, de acordo com Jeff Duchin, secretário de Saúde de Seattle.

Este caso foi um entre várias pessoas infectadas apesar de não terem viajado ou mantido contato direto com pessoas infectadas, o que sugere que o coronavírus está atualmente se expandindo entre a população dos EUA.

No domingo, as autoridades do estado de Nova York confirmaram o primeiro caso na cidade: uma mulher de 30 anos que viajou recentemente ao Irã.

A Austrália também anunciou a primeira morte por coronavírus, a de um ex-passageiro do cruzeiro "Diamond Princess", o navio que está isolado há semanas no Japão, onde foram registrados mais de 700 casos.

Os 130 últimos tripulantes, que permaneciam confinados, foram autorizados a desembarcar, indicaram as autoridades japonesas.

A epidemia está afetando o calendário esportivo. O Grande Prêmio de Motociclismo do Catar, programado para 8 de março, foi cancelado. Na Itália, várias partidas de futebol da Série A foram adiadas, A Tailândia adiou "até novo alerta" a prova de MotoGP.

A situação levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a aumentar o nível de alerta para "muito elevado" e a advertir que ninguém está a salvo da epidemia de COVID-19, e que se um país pensar desta maneira vai cair em um "erro fatal".