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Coronavírus: quarentena leva a um 'despertar' na venda de colchões

Foto: Getty Images

A venda de colchões "acordou" durante a pandemia de coronavírus. Isso porque a nossa vida diária está praticamente de pernas para o ar.

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"Com todo o mundo em casa, as pessoas estão investindo mais em dormir o melhor possível. Acho que o clima atual trouxe várias tendências à tona e, obviamente, muita gente está se concentrando no próprio bem-estar", explica Philip Krim, cofundador e diretor-executivo da marca de colchões Casper, ao Yahoo Finanças. 

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Forçados a trabalhar em casa praticamente da noite para o dia desde março, a cama virou a central de operações dos americanos. É no conforto da cama que fazemos reuniões pelo Zoom, tentando fechar novos contratos ou manter os clientes atuais durante a recessão econômica séria que acabou assolando os Estados Unidos (e o mundo).

Não há lugar melhor do que debaixo das cobertas, segurando o travesseiro, para sentir tranquilidade durante uma negociação tensa por teleconferência (com a câmera desligada, logicamente).

Toda essa atividade entre os lençóis definitivamente não era a norma há seis meses quando muitas pessoas trabalhavam em escritórios, mas poderia virar rotina no futuro próximo. Quando chega a hora de ir dormir, geralmente todos estão tão exaustos de misturar trabalho e vida pessoal que o único desejo possível é acordar revitalizados no dia seguinte, prontos para outra.

Seja qual for o ponto de vista, a conclusão sobre a nova rotina diária é a mesma. As pessoas finalmente perceberam que um colchão que já tem dez anos de idade é um horror, e que um colchão novo, mais sofisticado e feito de espuma especial, poderia melhorar essa nova vida e o bem-estar mental. 

Vamos aos números que acabam de chegar para apoiar esse argumento. 

A Casper, do Krim, é conhecida pelos colchões de espuma de alta tecnologia, graças às campanhas publicitárias e ao modelo online. A empresa informou que as vendas aumentaram 26,4% na comparação ano a ano, chegando a um total de US$ 113 milhões.

Só em abril, as vendas tinham aumentado 15% em comparação ao ano passado, impulsionadas por 35% de crescimento no comércio eletrônico e mais de 20% na parceria com varejistas. O que torna esses números ainda mais impressionantes é que: 1) os colchões não são baratos, e estamos passando por uma recessão; 2) as lojas físicas da Casper estão fechadas desde meados de março; e 3) os consumidores estão comprando colchões sem experimentá-los antes, o que é de praxe no segmento.

"Acho que muita gente está repensando todos os cômodos da casa e fazendo as compras maiores adiadas até agora", explica Krim. Ele também diz que a Casper está com uma forte demanda por produtos complementares, como lençóis e travesseiros.

A Casper não é a única a apontar esse aumento nas vendas. A Purple, sua rival que também se concentra em vendas online, está percebendo um crescimento considerável. 

As vendas da Purple no primeiro trimestre do ano aumentaram 46,3%, chegando a US$ 122,4 milhões. Em abril, as encomendas diretas para o consumidor dispararam 170%, indicando um aumento de US$ 54 milhões na comparação ano a ano. A demanda é tão gigantesca na Purple, que tem esse nome pela tecnologia de grade roxa (purple) usada em seus colchões e travesseiros, que a empresa recentemente colocou um fim na licença que havia dado para a grande maioria dos funcionários da fábrica. A empresa estava operando a plena capacidade antes do fim de semana prolongado pelo feriado do Memorial Day (25 de maio), que é um período importante para as vendas nos EUA. 

"No nosso caso, antes da COVID-19, mais da metade dos nossos colchões eram vendidos nas lojas físicas, o que não representa metade da nossa receita, mas sim metade das unidades vendidas.  Agora, praticamente todas as nossas vendas são online.  O cliente premium da loja física continua fazendo compras.  Praticamente não tivemos queda na quantidade de unidades vendidas nos últimos 30 a 45 dias.  É uma grande mudança de canal de compra, do ambiente cara a cara para o ambiente virtual", comenta Joe Megibow, diretor-executivo da Purple, para o Yahoo Finanças. 

Até mesmo a Tempur Sealy, considerada por muitos em Wall Street como a lanterninha no mercado de ações diante de empresas mais descoladas como a Casper e a Purple, também notou um aumento nas vendas. No primeiro trimestre do ano, as vendas aumentaram 19%, para US$ 822,4 milhões, impulsionadas pelo crescimento de 24,5% na América do Norte. 

Investindo no sono

Pense bem em como esse aumento nas vendas é extraordinário para o segmento de colchões. Em 2019, o crescimento das vendas no segmento de móveis e colchões foi de míseros 2,8%, registrando o pior índice de aquecimento desde 2016, de acordo com os dados do Departamento do Comércio dos EUA. 

No entanto, no mês passado, os investidores saíram correndo em busca de ações de colchões. Os consumidores dizem que não estão dormindo bem por causa da pandemia da covid-19, então é possível que o impulso nas vendas de colchões continue com fôlego até o fim do ano.

Em uma pesquisa realizada em março pelo conselho The Better Sleep Council, mais da metade do país indicou que a qualidade do sono está ruim ou razoável. Essa classificação subiu 43% em comparação ao período anterior à quarentena. A mesma pesquisa indica que, em março, 24% dos americanos se sentiam descansados e renovados quando acordavam, o que é um índice pior do que os 30% de janeiro. 

"Todos estão no conforto de seus lares e, sem gastar com viagens e outras compras, acabaram identificando aspectos do dia a dia que precisavam ser aprimorados", explica Krim. 

Brian Sozzi

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