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Bem diferente de Bolsonaro: como chefes de Estado pelo mundo tratam o coronavírus

Bolsonaro durante sua saída para os atos do domingo (Foto: Sergio Lima / AFP via Getty Images)

Anúncios de medidas, pedidos de respeito às restrições e mensagens de otimismo têm se alternado no discurso dos principais líderes dos países atingidos pelo coronavírus nas últimas semanas.

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Na maioria das vezes, presidentes ou premiês tomaram a frente e passaram a anunciar as decisões e a pedir o comprometimento da população, mesmo que, em alguns casos, tenham agido apenas após um grande aumento no número de casos locais.

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O maior exemplo de mudança foi a de Donald Trump, que inicialmente minimizou a doença e, dias depois, anunciou medidas duras, como o veto a voos vindos da Europa e um decreto de estado de emergência.

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Na China, o dirigente Xi Jinping buscou ficar em posição mais discreta no início da crise, mas agora procura aparecer mais à medida que o número de novos casos diminui. A ideia é criar a imagem de líder que resolveu o problema e se tornar um exemplo internacional.

A crise do coronavírus também é usada para justificar a xenofobia. Tanto Trump quanto o premiê húngaro, Viktor Orbán, classificaram o vírus como uma doença estrangeira.

Neste início de semana, os líderes começam a anunciar também medidas de estímulo econômico para lidar com a crise.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro contrariou as recomendações do próprio ministério da Saúde e saiu às ruas para cumprimentar apoiadores e celebrar os atos realizados neste domingo (15). Criticado pela participação, Bolsonaro afirmou que assumirá a responsabilidade caso tenha se contaminado ao interagir com a população, contrariando indicações médicas.

Bolsonaro afirmou também que realizará novo teste para coronavírus na próxima terça-feira (17).

A seguir, um resumo de como dez líderes estrangeiros lidaram com a crise do coronavírus. Os dados sobre contaminados e mortos foram fornecidos pelos governos.

  • ESTADOS UNIDOS

O presidente Donald Trump minimizou a doença no início e disse que a gripe comum era mais letal do que o novo coronavírus. Também quis taxar a doença como estrangeira.

No entanto, mudou de posição de forma abrupta. Na semana passada, vetou a entrada de viajantes vindos da Europa e declarou emergência nacional na sexta (13). No fim de semana, tentou acalmar a população: pediu que as pessoas relaxassem e não corressem para estocar comida.

Ele apontou o vice-presidente Mike Pence para gerenciar o combate ao vírus, mas passou a fazer ele mesmo os anúncios importantes sobre o tema.

Trump é acusado também de ter desmontado os aparatos de emergência, desacreditado cientistas que trabalhavam para o governo e motivado, assim, uma fuga de cérebros -o que dificulta a contenção da crise.

Casos: 3.813 | Mortes: 69

  • CHINA

O regime foi criticado por erros cometidos no início da epidemia, como demorar a isolar a área de Wuhan, epicentro do novo coronavírus. O dirigente Xi Jinping colocou o número 2 do regime, Li Keqiang, para ser a figura pública a anunciar as medidas de combate.

A falta de ações no início da crise levou chineses a criticarem o governo em redes sociais, algo raro e proibido pelo regime.

Agora, conforme a crise perde força na China, Xi foi a Wuhan para capitalizar os bons resultados.

Casos: 81.032 | Mortes: 3.217

  • IRÃ

País mais atingido pela epidemia no Oriente Médio, o Irã fechou as escolas e universidades e soltou presos para tentar reduzir a contaminação.

O aiatolá Ali Khamenei pediu que as pessoas sigam as orientações do Ministério da Saúde e disse acreditar que o vírus pode ser parte de um ataque biológico contra o país.

A doença matou ao menos dois parlamentares do país e também o aiatolá Bathayi Golpayegani, 78, que integrava o órgão de supervisão do líder supremo.

Casos: 14.991 | Mortes: 853

  • ITÁLIA

O premiê Giuseppe Conte foi pioneiro na Europa em medidas duras para conter o avanço da doença, como restringir a circulação no país e cancelar todos os eventos. Ele tem feito chamados diários para que os italianos não baixem a guarda.

Casos: 24.747 | Mortes: 1.809

  • FRANÇA

O presidente Emmanuel Macron questionou o fechamento unilateral de fronteiras feito por países vizinhos, mas liderou a negociação de medidas conjuntas da UE para combater a doença. A França vetou o funcionamento de bares e restaurantes, mas manteve as eleições locais marcadas para domingo (15).

Casos: 5.397 | Mortes: 127

  • ESPANHA

O premiê Pedro Sánchez determinou quarentena geral de 15 dias no país e conseguiu fechar um acordo com a oposição para as medidas de combate. No entanto, foi criticado por não vetar atos nas ruas em 8 de março e por manter as fronteiras abertas.

Casos: 9.248 | Mortes: 335

  • ALEMANHA

A chanceler alemã, Angela Merkel, deu declarações fortes sobre a doença, como a previsão de que dois terços dos alemães podem ser contaminados. Também decidiu fechar as fronteiras com países vizinhos.

Casos: 6.672 | Mortes: 13

  • REINO UNIDO

O premiê Boris Johnson aposta em uma estratégia considerada arriscada: manteve escolas abertas e eventos públicos liberados, na expectativa de que a circulação do vírus ajude as pessoas a criar resistência contra a doença. No entanto, recomendou que as pessoas lavem as mãos e se isolem caso apresentem sintomas.

Casos: 1.395 | Mortes: 35

  • RÚSSIA

O presidente Vladimir Putin fechou a fronteira com a China logo no início da epidemia. Na última semana, dedicou-se a outros movimentos: forçar a baixa do preço do petróleo, o que derrubou as bolsas pelo mundo, e aprovar uma medida que permitirá a ele seguir no cargo até 2036.

Casos: 90 | Mortes: 0

  • HUNGRIA

O premiê Viktor Orbán aproveitou a crise para voltar a atacar a imigração. Na sexta (13), disse que se tratava de um vírus trazido por estrangeiros e que se propagava principalmente entre eles.

Acusou especialmente estudantes iranianos que vivem no país. Na segunda (16), anunciou medidas como o fechamento de fronteiras e de bares e restaurantes.

Casos: 39 | Mortes: 1

  • ARGENTINA

O presidente Alberto Fernández anunciou o fechamento das fronteiras e a suspensão das aulas até 31 de março. No entanto, as escolas seguem abertas para receber os alunos que não têm onde ficar.

Fernández pediu que as partidas de futebol sejam mantidas, com portões fechados, para que os argentinos tenham uma opção de lazer na TV.

Casos: 56 | Mortes: 3

  • CHILE

O presidente Sebastián Piñera foi a público anunciar o fechamento das escolas por duas semanas e o veto à chegada de cruzeiros ao país. Piñera é alvo de fortes protestos nas ruas desde o fim do ano passado.

Casos: 155 | Mortes: 0

  • CORÉIA DO SUL

O presidente Moon Jae-in foi duramente criticado por ter lidado mal com o início da epidemia, e fala-se em pedido de impeachment. Em fevereiro, ele disse que a doença iria desaparecer, e o governo chegou a dizer que não era preciso usar máscaras nas ruas. O país é o mais atingido na Àsia depois da China. Um mês depois, Moon declarou guerra ao coronavírus e prometeu gastar US$ 25 bilhões para combatê-lo.

Casos: 8.236 | Mortes: 79

  • JAPÃO

O premiê Shinzo Abe disse no sábado (14) não ter intenção de declarar estado de emergência e que o Japão segue preparado para realizar as Olimpíadas em julho, como previsto.

Casos: 1.395 | Mortes: 35