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Coronavírus: estrago na economia já aparece em prévias do PIB de 2020

Foto: Fabio Vieira/FotoRua/NurPhoto via Getty Images

Depois do derretimento do mercado de ações, que viu seis circuit breakers em apenas um mês, outro indicador de saúde da economia brasileira já começa a sentir os sintomas da infecção do coronavírus: o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os valores produzidos no país em um ano.

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Com a exigência de quarentena, a paralisação de indústrias, o congelamento do comércio e outros efeitos colaterais do combate à Covid-19 já são levados em conta pelas previsões do PIB de 2020, que só será oficializado no começo do ano que vem. E o que se espera é que a economia leve um tombo.

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Segundo a agência norte-americana de análise de crédito Moody's, o PIB do Brasil vai cair 1,6% em 2020, de acordo com um relatório divulgado nesta quarta-feira (25) para todos os países do G20 - as 20 maiores economias do mundo. Antes, a empresa acreditava que a economia brasileira cresceria 1,8% ao final do ano.

A expectativa da Moody's é de que o governo brasileiro não terá dinheiro suficiente para investir na retomada da economia, recuperar indústrias combalidas e cuidar da população mais fragilizada após o “furacão” do coronavírus. Percepção compartilhada pelo mercado.

Outras instituições preveem quedas menores. O banco britânico de investimentos Barclays prevê uma retração de 0,5% na economia brasileira ao final de 2020. Para o suíço Credit Suisse, o PIB do Brasil não vai crescer nem cair: variação será de 0%, segundo prévia divulgada no último dia 17 de março.

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) prevê três cenários possíveis em um estudo divulgado nesta quarta. No mais pessimista, o Brasil verá uma retração de 2% no PIB de 2020. No mais otimista, alta de 0,1% - pouco acima da expectativa do governo.

Já um outro estudo da FGV, este do Centro de Macroeconomia Aplicada, divulgado no último dia 20 de março - quando o governo atualizou a prévia oficial - é ainda mais pessimista: queda de 4,4%. Se este resultado se consolidar, será a maior queda nominal (sem considerar inflação) desde 1962.

De acordo com o Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, que calcula a previsão oficial do PIB na visão do governo federal, comandado pelo presidente Jair Bolsonaro, o PIB brasileiro deve aumentar em 2020. Mas não faz muito tempo que essa previsão foi ajustada para baixo.

Até o último dia 20, o governo esperava que a economia crescesse 2,1% ao final do ano. Agora, acredita que o crescimento será de apenas 0,02%. O risco de uma recessão - quando a economia cai por um longo período em sequência - já é admitido pelo Ministério.

O reajuste seguiu a divulgação do resultado do PIB de 2019, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que viu o menor crescimento em três anos: 1,1%, contra a expectativa de 1,12% do governo.

Assim como errou (por pouco) em 2019, o mercado também acha que o governo está sendo otimista em relação a 2020. Análises indicam que o PIB não vai crescer nem os 0,02% esperados pela equipe de Guedes, mas vai cair a patamares não vistos desde 2016, quando o tombo foi de 3,3%.

Para Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda dos governos Lula e Temer, e atual secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo na administração de João Doria (PSDB), o tombo deste ano será de 3%, incluindo na conta uma retração de 10% já no segundo trimestre.

“Temos em seguida um processo de recuperação baseado na estimativa dos infectologistas sobre a duração da crise. Se a crise estiver no seu período final ao redor de julho teríamos um processo de recuperação [na sequência], com uma média do PIB para o fim do ano de 3% negativos”, disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, nesta quarta.

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