Mercado fechado

Apesar da crise, demanda por profissionais de tecnologia aumenta

Foto: Getty Images

Por Matheus Mans

Mercado aquecido e que já encontra dificuldades em preencher todas as vagas, o setor de tecnologia continua contratando mesmo durante a crise do novo coronavírus. Grandes startups brasileiras, sendo elas afetadas ou não pela interrupção de atividades e pelo isolamento social, mantiveram ou abriram mais vagas para desenvolvimento e TI.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Finanças no Google News

Para a consultoria PageGroup, que fez uma pesquisa com empresas de todos os portes em 14 setores, a alta demanda no trabalho a distância, em transações on-line e na capacidade instalada fez com que as empresas acelerassem a busca por executivos para conduzir projetos de infraestrutura, reforçar a segurança de dados e administrar o suporte técnico.

Veja também

Na plataforma da Connekt, startup de recrutamento digital, são mais de 9 mil vagas abertas no setor, sendo 7 mil apenas no estado de São Paulo. As outras duas mil colocações ficam espalhadas por Bahia, Santa Catarina e o estado do Rio de Janeiro.

“A área de tecnologia vem em uma crescente”, diz Luana Castro, gerente de TI da Michael Page e Page Personnel, braços do PageGroup. “Agora, com grande parte da população em home office, o mercado foi obrigado a se digitalizar. Profissionais de tecnologia estão sendo demandados para acompanhar, suportar e realizar a transformação digital das empresas”.

Gigantes do setor

A Stone, fintech de serviços financeiros e de pagamentos, trabalha de perto com pequenos e médios negócios. São empresas que, com o isolamento social, devem sofrer perdas econômicas severas ou enfrentar falências. Ainda assim, a startup manteve 10 vagas abertas de trabalho remoto no setor de tecnologia em áreas internas.

“Esse é um momento que a empresa precisa criar soluções e produtos que ajudem os empreendedores durante a crise, e precisamos de profissionais de tecnologia para isso”, explicou Renata Zenaro, líder de pessoas da unidade de banking na Stone. “Para as colocações em tecnologia, as contratações são imediatas.”

Segundo Zenaro, este é um setor já acostumado com digitalização, com processos seletivos online, à distância, e com práticas de trabalho remoto, longe do escritório. “A área de inovação já era habituada a conduzir processos seletivos com todas as etapas online. Agora, com a covid-19, esse tipo de prática virou regra”, diz a executiva. 

A PicPay, também da área de finanças e de pagamentos, afirma que não vai mudar o ritmo de contratações. Após mais de mil contratações em 2019, a empresa quer chegar a 1.800 colaboradores até dezembro de 2020. “Não mudamos nosso fluxo de contratações, apenas adaptamos nossos processos”, disse Dárcio Stehling, VP de Pessoas e Cultura do PicPay.

Mercado aquecido

E não são apenas as gigantes que estão contratando. Na QuiteJá, solução de negociação digital, são três vagas abertas para Curitiba nas áreas de desenvolvimento e ciências de dados. Luiz Henrique Garcia, CEO da empresa, afirma que houve um aumento na demanda de seus serviços, por conta da crise, e, por isso, é preciso ampliar a capacidade da startup.

“Para manter a qualidade de nossa entrega e estar sempre um passo à frente nas soluções, optamos por dar continuidade ao nosso plano de expansão de colaboradores”, afirma o executivo. “Afinal, nosso papel é pesquisar e desenvolver soluções para entregarmos um produto de excelente qualidade a nossos clientes ao mesmo tempo em que organizamos e integramos nossa equipe para uma otimização desse novo momento de trabalho”.

Apesar de ser um dos principais focos de contratação no momento, não são só as empresas de finanças que estão mantendo suas vagas. A escola digital Gama Academy, também manteve suas vagas em tecnologia, programação e design, apesar de ter cancelado os processos seletivos de outras áreas até que a situação normalize.

Guilherme Junqueira, fundador e CEO da Gama Academy (Foto: Divulgação)

“Áreas como meios de pagamentos, fintechs e e-commerces, que viraram essenciais neste momento econômico, acabam tendo crescimento”, afirma Guilherme Junqueira, fundador e CEO. “A área de educação aumentou a demanda por cursos online e treinamento digital de novos colaboradores”.

Depois da crise

Por ser um mercado que já enfrentava dificuldades em encontrar profissionais, fica a dúvida: será que com essa onda de contratações, mantida apesar da crise, não haverá um aumento na dificuldade em empresas, principalmente as menores, em encontrar profissionais? Ou será que, neste momento, há um oportunidade para ampliar mercado?

“Não necessariamente”, responde Luana Castro, gerente de TI da PageGroup. “Da mesma forma que alguns segmentos estão precisando contratar, algumas empresas também estão desligando funcionários pois estão sofrendo diretamente com a crise e tendo prejuízos. O lado bom é que estes profissionais possivelmente ficarão pouco tempo desempregados”.

E Garcia, da QuiteJá, destaca: não dá para ficar esperando o mundo voltar ao que era antes. “Vejo muitos questionamentos sobre quando as coisas vão retornar ao ‘normal’. Mas o que eu reflito é, porque normal? Podemos aproveitar esse momento para corrigir vícios antigos. Talvez o que façamos agora seja o ‘novo normal’, só não foi percebido ainda”, diz.

Siga o Yahoo Finanças no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.