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Coronavírus: “Não entenderam o que está acontecendo e acham que são férias”, diz brasileira que vive na Alemanha

Ruas em Berlim tem movimento praticamente normal, segundo Fernanda Pugliero (Foto: Arquivo Pessoal)

Malas prontas, presentes comprados e, finalmente, após dois anos, a oportunidade reencontrar a mãe. Era essa a expectativa de Fernanda Pugliero, brasileira que há três anos mora em Berlim, capital da Alemanha.

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A viagem estava marcada para o dia 11 de março. Alguns dias antes o voo foi cancelado pela situação do coronavírus. No entanto, Fernanda conseguiu remarcar. Achou que seria possível ir ao Brasil no dia 12.

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“Não dormi na noite de 11 para 12, estava com uma sensação de que não deveria ir”, relata. “Meu voo era às 17h. Tomei café da manhã e decidi não ir.” Depois de duas horas tentando ligar na companhia aérea, Fernanda conseguiu cancelar a passagem e recebeu um voucher no valor que pagou.

Uma semana depois, a mala seguia no quarto, montada, com os presentes que ela comprou para amigos e familiares. “Amanhã quero ver se arrumo um tempo e desfaço a mala... Que triste”, disse, ao falar com a reportagem.

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Fernanda já não tem mais esperanças de conseguir viajar em 2020. E com tudo que tem acontecido, até perdeu a vontade.

Além da passagem de da Alemanha para o Brasil, ela ainda teve de cancelar uma passagem de Porto Alegre para Salvador e reserva na pousada em que ficaria em Morro de São Paulo. Em nenhum dos casos ela conseguiu reembolso, mas recebeu um vale da companhia área e um ano para remarcar a hospedagem.

“Horrível, mas sou privilegiada, né? Não tem do que reclamar. A viagem deixa pra outra hora”, pondera.

SITUAÇÃO NA ALEMANHA

Fernanda já trabalha de casa, então, o homeoffice e a quarentena não tem sido um problema. O que a impressiona nessa situação é como tem visto gente na rua. “Eu olho o movimento pela sacada do meu prédio e tem uma galera na rua”, relata.

Na farmácia, prateleiras onde ficava o papel higiênico estão vazias (Foto: Arquivo Pessoal)

Nesta sexta-feira, o país já registra 13.957 casos da doença no país. Segundo Fernanda, a chanceler Angela Merkel instruiu as pessoas para evitarem sair de casa, mas não há restrição ou proibição de circulação. “Por isso acho que tem muita gente que não respeita. Não entenderam o que está acontecendo e acham que são férias”, opina.

A brasileira acredita que, em dias de sol, os alemães se animam e saem às ruas, sem perceber a gravidade da situação. “Acho que não é falta de empatia, acho que eles não entendem o que está acontecendo. Aquele sentimento de ‘não vai acontecer comigo’.”

Apesar de muitas pessoas ainda estarem nas ruas, Fernanda já percebeu os efeitos na estocagem de mantimentos. No mercado, há prateleiras vazias, especialmente nas que ficam macarrão, arroz e lentilha. O papel higiênico também acaba rapidamente.