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#Verificamos: Foto da CoronaVac fabricada em abril mostra produto enviado para testes

Agência Lupa
·4 minuto de leitura
Foto da CoronaVac fabricada em abril mostra produto enviado para testes - Foto: Divulgação/Instituto Butantan
Foto da CoronaVac fabricada em abril mostra produto enviado para testes - Foto: Divulgação/Instituto Butantan

por ÍTALO RÔMANY

Circula nas redes sociais um post que usa informações contidas na foto de uma embalagem da CoronaVac – imunizante da farmacêutica chinesa Sinovac que está sendo testado aqui no Brasil – para afirmar que a vacina da Covid-19 é uma “conspiração”. A publicação reforça ainda que o acordo com a Sinovac e o governo de São Paulo foi assinado em agosto de 2019, muito antes do início da pandemia da Covid-19. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

Foto da CoronaVac fabricada em abril mostra produto enviado para testes - Foto: Reprodução
Foto da CoronaVac fabricada em abril mostra produto enviado para testes - Foto: Reprodução

“[…] Agora, se liga a data de fabricação da vacina na foto ilustrativa da matéria. Foi fabricada e devidamente envasada com embalagem em português, no início de abril…ABRIL…? […] Sim amiguinho, é tudo teoria da conspiração!”
Legenda de imagem publicada em post do Facebook que, até as 15h do dia 28 de outubro de 2020, tinha mais de 1,1 mil compartilhamentos

VERDADEIRO, MAS

A foto analisada pela Lupa é verdadeira, mas precisa de contextualização. A assessoria de imprensa do Instituto Butantan, que coordena os testes da CoronaVac no Brasil, explicou, em nota, que a imagem foi registrada em julho, durante a chegada das primeiras doses que seriam usadas nos estudos clínicos da fase 3 da vacina. “Mesmo sendo um produto em desenvolvimento, ele foi fabricado e possui número de lote, data de fabricação e prazo de validade”, diz o texto. “Essas informações são exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] a partir de regulamentações e como parte da rastreabilidade do material.” Ou seja, produtos de uso autorizado pela Anvisa, ainda que dentro de um estudo clínico, precisam ter a data de fabricação registrada na embalagem.

O desenvolvimento da vacina para a Covid-19 pela farmacêutica chinesa Sinovac começou no fim de janeiro. Em 14 de abril, o produto recebeu a aprovação para ser usado em testes com humanos. A fabricação do imunizante começou a ocorrer naquele mês para que ele pudesse ser utilizado nos ensaios clínicos, necessários para analisar sua eficácia e segurança. A CoronaVac chegou à fase 3 – último estágio do desenvolvimento – e parte dos testes com voluntários ocorre aqui no Brasil, sob orientação do Butantan.

A primeira e segunda fase de testes da vacina da Sinovac contaram com 743 voluntários no total, entre 18 e 59 anos, sendo 143 pacientes na primeira etapa e 600, na segunda. Ambos os estudos foram randomizados, com duplo-cego e controlados por placebo. A Sinovac informou que obteve 90% de êxito nos resultados ao induzir a produção de anticorpos neutralizantes nos voluntários. Uma autorização de uso emergencial, que permitiu a vacinação de 50.027 voluntários na China, mostrou que 94,7% deles não tiveram nenhuma reação adversa.

Em 11 de junho, a empresa assinou contrato com o Instituto Butantan para produzir e testar a imunização no Brasil. O governo do estado de São Paulo divulgou, em 19 de outubro, que os estudos clínicos feitos com 9 mil voluntários no país mostraram que 35% tiveram reações leves após a aplicação da CoronaVac, como dor no local da aplicação ou dor de cabeça. Não há nenhum relato de reação adversa grave à vacina até o momento, diz o governo. Em 30 de setembro, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou a aquisição de 46 milhões de doses da vacina até dezembro deste ano.

“[…] Lembrando que o acordo com o laboratório chinês, segundo o próprio Doria, foi assinado em agosto de 2019”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 15h do dia 28 de outubro de 2020, tinha mais de 1,1 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada é falsa e já foi verificada pela Lupa. Em coletiva de imprensa em 11 de junho, o governador João Doria disse que a parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac para a realização de testes no Brasil se tornou possível por causa da abertura de um escritório comercial em Xangai, na China, em agosto de 2019. Ele não disse que o contrato foi assinado nesta data.

A assessoria de imprensa do Instituto Butantan informou, em nota, que a fala de Doria “remete à missão do governo do estado à China, realizada em agosto passado, e à inauguração de um escritório comercial em Xangai com o objetivo justamente de fortalecer e ampliar as relações econômicas com o país asiático, por ser um grande parceiro do Brasil na área comercial”. O instituto ressaltou ainda que a parceria para criar a vacina contra a Covid-19 foi feita em junho de 2020.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes