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Coronavírus | Vacina de Oxford será testada em dois mil brasileiros

Fidel Forato

Desenvolvida pela Universidade de Oxford, da Inglaterra, a vacina estudada contra a COVID-19 chega a sua terceira etapa, com participação do Brasil. Dois mil candidatos brasileiros, da área de saúde, participarão dessa fase de testes do imunizante contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2). No total, serão cerca de 50 mil voluntários nos testes dessa vacina em todo o mundo.

No Brasil, a pesquisa em pereceria com a Oxford é conduzido pela Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Além da instituição pública, o Grupo Fleury fornecerá dois mil exames do tipo sorológico para o diagnóstico da COVID-19 para a triagem, durante a primeira etapa do estudo.

Potencial vacina contra a COVID-19 será testada em dois mil brasileiros (Imagem: reprodução/ Pixabay)

Esses exames do tipo sorológico serão utilizados para detectar a presença de anticorpos contra o coronavírus, durante a pré-seleção de candidatos. Isso porque quem já foi infectado não poderá integrar o experimento, já que essas pessoas, em tese, apresentam imunidade contra a doença e, desse modo, a vacina não faria efeito. Por isso, os voluntários já contaminados serão declinados.

Vacina de Oxford

Essa vacina é produzida a partir de uma versão enfraquecida do vírus do resfriado comum, o adenovírus. No entanto, esse vírus foi editado e contem material genético do novo coronavírus, a proteína Spike, localizada em sua membrana. Isso significa que o vírus modificado carrega um identificador da COVID-19. Por isso, depois da vacinação, o organismo é estimulado a desenvolver anticorpos eficazes contra o próprio coronavírus.

Em abril, a vacina de Oxford passou pela primeira fase de testes, que incluiu um grupo de mais de mil pessoas entre 18 e 55 anos, no Reino Unido. Agora, na terceira etapa, serão pelo menos 50 mil testados. Entre os brasileiros, a maioria dos selecionados será de profissionais que atuam, diretamente, na área de saúde, entre 18 e 55 anos, independente do sexo.

Os selecionados serão divididos em dois grupos: um tomará a vacina e o outro receberá a vacina-controle MenACWY, também conhecida como vacina meningocócica conjugada - usada para imunização contra a meningite e a sepse, mas, nessa pesquisa, funcionará como um placebo. Depois de um intervalo de exposição, potencial, ao coronavírus, os dois grupos serão comparados.

Se o percentual de pessoas vacinadas que não desenvolveu a doença, for maior que o outro grupo, ela estará aprovada. Além disso, será importante avaliar a proporção de indivíduos testados com a vacina-controle que acabou infectada pelo coronavírus. "Se o primeiro time, o das pessoas testadas com a vacina, tiver um percentual superior de imunidade em comparação àqueles que tomaram a vacina-controle, a conclusão é a eficácia da vacina", explica o Celso Granato, infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, para o portal UOL.

"Tudo indica, infelizmente, que o Brasil ainda está em uma curva ascendente de contágio. Nesse contexto, a realização de estudos de testes de vacina se torna vantajosa, uma vez que grande parte da população ainda não desenvolveu imunidade contra o novo coronavírus", completa.

Fonte: Canaltech