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Coronavírus | Vacina da Johnson & Johnson tem eficácia confirmada em animais

Fidel Forato
·4 minuto de leitura

Para controlar a pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), a principal aposta de pesquisadores e cientistas é o desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz contra a COVID-19. Nesse projeto, mais 160 vacinas estão sendo desenvolvidas no mundo, entre elas a fórmula desenvolvida pelo Beth Israel Deaconess Medical Center (Bidmc), da faculdade de medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, em parceria com farmacêutica Janssen, da Johnson & Johnson, teve sua eficácia comprovada em animais.

De acordo com o artigo publicado na revista científica Nature, o grupo de cientistas, liderado pelo imunologista Dan H. Barouch, desenvolveu uma vacina contra a COVID-19 capaz de estimular a produção de anticorpos neutralizantes, de forma eficaz, em primatas não-humanos. Isso com uma dose única da vacina vetorizada, conhecida como Ad26.COV2.S.

Desenvolvida pelo centro médico de Harvard e pela Johnson & Johnson, vacina contra a COVID-19 tem uso aprovado em animais (Willfried Wende/Pixabay)
Desenvolvida pelo centro médico de Harvard e pela Johnson & Johnson, vacina contra a COVID-19 tem uso aprovado em animais (Willfried Wende/Pixabay)

"Esta vacina levou a uma proteção robusta contra o SARS-CoV-2 em macaco-rhesus e agora está sendo avaliada em seres humanos", explicou Barouch, diretor do Centro de Pesquisa em Virologia e Vacinas do BIDMC. A partir desses resultados, na semana passada, foi anunciada a primeira testagem em humanos saudáveis, na fase 1/2.

Como funciona?

Em laboratório, um vírus do resfriado comum, chamado adenovírus Ad26, é modificado para não se replicar mais (não consegue mais se reproduzir). Na sequência, esse vírus é editado e tem incluído em seu material genético a proteína Spike do novo coronavírus. Em outras palavras, o vírus modificado carrega um identificador da COVID-19 e, assim, espera-se que as pessoas que receberam a vacina desenvolvam anticorpos contra a doença.

Durante os testes para a vacina contra a COVID-19, Barouch conduziu um estudo em 52 primatas não-humanos, sendo que 32 macacos-rhesus adultos foram imunizados com uma dose única de uma das sete versões diferentes da vacina e os outros 20 animais receberam um placebo. Como resultado, todos os animais vacinados desenvolveram anticorpos neutralizantes para infecção.

Em testes, seis semanas após a imunização, todos os animais participantes do estudo foram expostos a coronavírus. A partir dessa situação, foi observado que os 20 animais que receberam, somente, o placebo foram infectados e apresentaram altos níveis do vírus no organismo. Dos seis animais que receberam a fórmula selecionada (e final) da vacina, nenhum teve os pulmões infectados pelo coronavírus, sendo que apenas um apresentou baixos níveis do vírus no trato respiratório.

Com esses resultados, a equipe concluiu que os anticorpos neutralizantes produzidos pela vacina conseguiram promover uma proteção válida contra a COVID-19, o que permitiu que a fórmula começasse a ser testada para uso em humanos.

Usando esse mesmo modelo para a construção da vacina contra a COVID-19, a equipe de pesquisadores já desenvolveu outros imunizantes. A partir desse método, por exemplo, foi possível concluir uma vacina, aprovada na Europa, para Ebola e estão em desenvolvimento, ainda. uma vacina contra o HIV e outra para o Zika.

Próximos passos

"Nossos dados mostram que uma única imunização com o Ad26.COV2.S protegeu macacos-rhesus contra o desafio do SARS-CoV-2", explica Barouch. "Uma imunização de dose única tem vantagens práticas e logísticas em relação a um regime de dose dupla para implantação global e controle de pandemia", detalha o pesquisador.

"Uma vacina de dose dupla provavelmente será mais imunogênica e, portanto, os dois regimes estão sendo avaliados em ensaios clínicos. Esperamos ansiosamente os resultados dos ensaios clínicos que determinarão a segurança e imunogenicidade e, finalmente, a eficácia da vacina Ad26.COV2.S em humanos", completa o cientista sobre os próximos passos da pesquisa.

Caso todos os testes corram conforme o esperado, a vacina Ad26.COV2.S deve iniciar um estudo de eficácia de fase 3 em 30 mil participantes ainda em setembro. Com a aprovação da vacina final, a equipe espera produzir um bilhão de doses em 2021.

Fonte: Canaltech

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