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Coronavírus | Sete estados no BR apresentam queda em transmissão da doença

Fidel Forato

No combate ao novo coronavírus (SARS-CoV-2) no Brasil, pelo menos sete estados apontam para uma retração no percentual de novas contaminações pelo vírus, segundo dados coletados pelo projeto COVID-19 Analytics, alimentado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC - Rio) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A partir da análise da taxa R (ou taxa de transmissão, que significa o quanto o coronavírus estima ser retransmitido por cada doente), é que os pesquisadores chegaram a essa conclusão de queda na transmissão da COVID-19. Para controlar de maneira mais adequada a epidemia, o Brasil precisa chegar em um R menor que 1, ou seja, cada doente infecta, em média, menos de uma nova pessoa.

Estados brasileiros apontam queda na taxa de transmissão da doença (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Conheça os estados

Conforme os dados levantados na quarta-feira (17), sete estados já apresentavam a taxa de retransmissão perto de 1. São eles: Acre; Amazonas; Maranhão; Pará; Pernambuco; Roraima; Tocantins. Além desses, o Rio de Janeiro registrou um índice próximo. Enquanto isso, Sergipe tem o maior índice nacional, que é de 1,98.

Entre eles, um dos destaques no controle é Pernambuco, com taxa de 0,98. Isso porque o estado está há 19 dias com o coeficiente R abaixo de um, sendo esse o maior período registrado, até agora, em um estado brasileiro. A partir dos bons resultados obtidos no isolamento social e no controle do coronavírus, o governo local já anuncia um avanço de fase na reabertura econômica, com inclusão de shoppings e igrejas para a região Metropolitana do Recife e sertão do estado.

Entretanto, o menor índice de retransmissão está no estado do Amazonas, que registra 0,9. A taxa vem sendo cada vez mais controlada, especialmente em Manaus — área que foi considerada de risco para a COVID-19.

Questão do R

De acordo com o pesquisador Gabriel Vasconcelos, da Universidade da Califórnia e do Núcleo de Análise Estatística de Dados da PUC-Rio, esses dados apontam que nos sete estados com R abaixo de 1 há tendência de diminuição dos casos ativos, ou seja, maior controle da doença.

"Se esse número se mantiver menor do que um é uma boa notícia. Em alguns lugares, como Amazonas e Pernambuco, os novos casos já perderam força há algumas semanas. Eles podem tratar de temas como reabertura com mais tranquilidade do que os outros, mas precisam acompanhar de perto para ver as reações", afirma o pesquisador para o UOL.

"Rio de Janeiro e Pará ainda não tiveram pico nos casos, mas para mortes parece que sim. No Amapá e no Acre as mortes também caíram, mas menos em relação ao máximo observado no Rio e no Pará", explica Vasconcelos.

Ainda há riscos

Agora, olhando a taxa R no Brasil, esse índice varia muito, afinal a COVID-19 se espalha de forma heterogêneo entre as regiões. "São Paulo, por exemplo, foi o primeiro estado onde os números de casos e mortes começaram a subir, e até hoje ainda não dá para dizer se chegou ao máximo de mortes. Em outros, parece que o pico de mortes já passou, e a duração da parte crítica da epidemia parece que vai ser menor", comenta sobre o estado que tem 1,5 de transmissão.

Mesmo com retenção de transmissão, o Brasil ainda não passou pela pior fase de contaminação da COVID-19 (Imagem: reprodução/ Covid-19 Analytics)

Além disso, as análises ainda apontam para o fato de que o país não passou pela pior fase em termos de contaminação. "Parece que, para o Brasil, como um todo, ainda não estamos no pico de casos. O lado bom é que a taxa de mortalidade vem caindo. Já foi 7% e agora é 4,9%, e a tendência é de queda", aponta Vasconcelos. Para daqui a 14 dias, a plataforma prevê 1,4 milhões de casos e 59,7 mil mortos pela infecção respiratória, com uma taxa R de 1,15.

O pesquisador também destaca que, somente agora, a epidemia começa a afetar em patamares parecidos as áreas mais ricas e mais pobres do país. "Os lugares mais ricos foram os primeiros a sentir a epidemia. Ela avançou devagar para o interior, e isso pode ter ajudado a não afogar os hospitais das capitais tanto quanto se a doença tivesse chegado no país todo de uma vez", conclui o pesquisador.


Fonte: Canaltech