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Coronavírus: Rio vê ‘provável’ epidemia e anuncia medidas para conter doença

Gabriel Vasconcelos

Uma das medidas será a inauguração de um novo hospital com 75 leitos dedicados a emergência, em até 40 dias O secretário de Saúde do Rio, Edmar Santos, disse nesta sexta-feira (28) que uma epidemia do novo coronavírus no Estado é provável e, por isso, os esforços serão de contenção para retardar e minimizar a crise.

Uma das medidas, segundo Santos, será a inauguração de um novo hospital com 75 leitos dedicados a emergência, em até 40 dias, e a reserva de outras 20 vagas em uma unidade já existente da rede estadual.

O Estado do Rio tem 17 casos suspeitos, segundo a secretaria, sendo 6 na capital fluminense.

"A minha impressão como médico e pesquisador, é que o vírus vai chegar. O nosso trabalho é adiar a chegada da epidemia. Impedir a chegada do vírus, não dá. Impedir que ele circule, também não. Mas o importante é que a população saiba que, agora, não há circulação do vírus”, disse Santos, em entrevista coletiva no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, no fim da tarde desta sexta.

Santos informou que ainda não há certezas científicas com relação ao novo vírus, mas disse trabalhar com uma taxa de letalidade de 2% e uma taxa de pacientes graves de 13%, dos quais 5% podem precisar de tratamento intensivo.

Como o vírus tem alto poder de disseminação em surtos sustentados, segundo Santos, isso poderia sobrecarregar a rede, o que inspira precauções como a ampliação de leitos e o treinamento continuado de gestores e agentes de saúde.

A secretaria opera no nível zero do plano de contingência, que possui outros três estágios, sendo o último equivalente à situação da China.

Equipe encapuzadas

O secretário disse que a população deve redobrar os cuidados de higiene e se acostumar com cenas como equipes encapuzadas, com luvas e máscaras, que devem se tornar comuns daqui para frente.

A secretaria não quis informar onde serão abertos novos leitos dedicados aos cuidados com a epidemia ou qual hospital terá uma ala reservada para evitar que a população tome as duas unidades como “especializadas em coronavírus”, procurando-as massivamente. Eventuais casos confirmados serão enviados para estas unidades.

Turistas em Paraty

O órgão descartou, ainda, a presença do vírus em um caso de turistas franceses que foram obrigados a permanecer internados em Paraty, na Costa Verde do Rio.

Os dois foram diagnosticados com Influenza A (H1N1). Também foi descartada a suspeita de um passageiro de nacionalidade não informada que chegou de voo proveniente do Oriente Médio no Aeroporto do Galeão com febre e sintomas respiratórios.

Presente na coletiva, o diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, delegado Delmir Gouvêa, disse que há grande preocupação com a difusão de “fake news” sobre o coronavírus em aplicativos de mensagens, o que é investigado pela delegacia especializada em crimes de internet.

“Infelizmente em momentos de crise, há pessoas que se aproveitam para difundir notícias falsas, mas isso é crime tipificado em lei e essas pessoas serão punidas”, afirmou.