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Coronavírus pressiona dólar, mas juro curto cai com expectativa de Selic menor

Victor Rezende

Boletim Focus mostra que ponto médio das estimativas para IPCA caiu de 3,56% para 3,47%, enquanto mediana das projeções para Selic no fim do ano voltou a 4,25% Os temores relacionados ao avanço do coronavírus resultaram na alta do dólar neste início de pregão. A moeda americana voltou a furar a barreira psicológica de R$ 4,20 e, logo na abertura, atingiu R$ 4,2139, em um movimento semelhante ao observado em outros mercados emergentes. A alta do dólar acarreta ligeira alta nos juros futuros de longo prazo, enquanto as taxas de curto prazo permanecem perto da estabilidade, com viés de baixa, diante das previsões comportadas para a inflação à frente.

Por volta de 9h20, o dólar era negociado a R$ 4,2079 (alta de 0,57%) no mercado à vista, ao mesmo tempo em que a taxa do DI para janeiro de 2021 caía de 4,35% no ajuste anterior para 4,34%; a do DI para janeiro de 2022 cedia de 4,99% para 4,96%; a do DI para janeiro de 2023 se mantinha inalterada em 5,56%; e a do DI para janeiro de 2025 passava de 6,30% para 6,32%.

“O surto de coronavírus pode ser um evento de alto impacto, mas de curta duração, semelhante ao episódio de SARS de 2003”, notam os economistas da Oxford Economics. Para eles, a questão “representa um risco negativo notável para a nossa previsão de crescimento da China no primeiro e no segundo trimestre, dependendo de sua duração e gravidade”. Com o crescimento chinês no centro das atenções, os investidores penalizam moedas emergentes e optam pelo dólar como proteção.

Ao mesmo tempo, os juros de curto prazo operam em leve queda, influenciados pelas expectativas de inflação confortável à frente. O Boletim Focus divulgado nesta manhã mostra que o ponto médio das estimativas do mercado para o IPCA em 2020 caiu de 3,56% para 3,47%. Ao mesmo tempo, a mediana das projeções para a Selic no fim deste ano voltou a indicar o juro básico a 4,25%.