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Coronavírus obriga prisão de Dubai a recorrer às novas tecnologias

Por Mohamad Ali HARISSI
O diretor-geral das instituições punitivas e correcionais dos Emirados, o brigadeiro Ali al-Shamali, gesticula para um recluso usando proteção durante uma visita virtual à prisão central de Al-Awir, nos Emirados Árabes Unidos, em 21 de maio de 2020

Um detento é interrogado por videoconferência por um promotor, outro participa de uma audiência virtual de seu julgamento, e um terceiro fala com um familiar por Skype. Estes são alguns dos modernos métodos, aos quais uma prisão de Dubai, maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, está recorrendo na pandemia do novo coronavírus.

Os Emirados Árabes Unidos registraram 26.000 casos de novos coronavírus, com 233 mortes. Após o início da pandemia, as visitas aos detidos foram suspensas nas prisões, como em Al-Awir, localizado no deserto, a 35 km do centro de Dubai.

"Tentamos impedir qualquer contato direto com os detidos, recorrendo fortemente à tecnologia moderna", disse Ali AF Shamali, diretor-geral das instituições correcionais de Dubai, à AFP durante uma visita a Al Awir.

- "Um punhado" de casos -

"Podemos ter certeza de que um detento não está contaminado, mas como sabemos que alguém de fora não está?", questiona.

Os presos podem falar com suas famílias por videoconferência.

Shamali não disse quantos prisioneiros foram afetados pelo coronavírus, mas falou de um "punhado" de casos contaminados e benignos que podiam ser resolvidos "com isolamento e tratamento simples".

Todos os detidos e funcionários da prisão foram submetidos a testes "sem exceção", em coordenação com as autoridades de saúde, disse Shamali.

Usar máscara e luvas é obrigatório, e algumas oficinas foram fechadas, assim como a academia.

"Queremos reduzir os contatos e nossa principal preocupação é continuar oferecendo a mesma qualidade de serviço", disse à AFP Badr Sultan, médico da prisão, acrescentando que as consultas médicas são feitas agora por videoconferência.

- Libertações -

Para conter ao máximo os riscos de contágio, as autoridades de Dubai libertaram centenas de pessoas presas por pequenos crimes ou incapazes de pagar a fiança.

"Há 30 a 35% menos prisioneiros", declara Shamali, sem dar mais detalhes sobre os números. "Queremos continuar reduzindo o número de prisioneiros, libertando aqueles que cometeram crimes menores e mantendo apenas aqueles que são acusados de crimes graves", diz.

Às vezes, as medidas tomadas para deter a pandemia têm sido difíceis de serem aceitas pelos detidos, já que muitos passavam em atividades coletivas, por exemplo, em oficinas.

Na prisão de Al Awir, sete presos estavam trabalhando para fazer uma réplica de papelão da Grande Mesquita Sheikh Zayed, em Abu Dhabi, que já havia sido parcialmente construída. Mas o projeto foi suspenso devido à libertação de alguns desses detidos.

"A realização da réplica está parada" lamenta um detido, que permanece preso e que espera que o trabalho possa ser inscrito no Guinness Book of Records.