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Coronavírus já impacta economia global, mostra indicador da FGV-Ibre com KOF

Valor

Resultado do Barômetro Coincidente sugere que já houve danos expressivos apesar de a maioria das variáveis ainda não captarem a disseminação mundial da epidemia Dois indicadores globais que passam a ser publicados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), em colaboração com o Instituto Econômico Suíço KOF da ETH Zurique, mostram que a epidemia de coronavírus já impactou a economia mundial.

Na edição de março, cujos dados foram coletados até fevereiro, ambos indicadores cederam de forma acentuada e apresentam os menores níveis desde 2009. Apesar disso, a propagação da epidemia para além da região asiática ainda não foi captada nesta edição, produzida com dados coletados em fevereiro, diz a FGV.

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O Barômetro Global Coincidente caiu 14,4 pontos em março, de 92,4 pontos para 78,0 pontos, ficando bem abaixo da média histórica de 100 pontos. O declínio no mês foi determinado pelas variáveis que compõem o indicador da região da Ásia, Pacífico e África, enquanto as variáveis que integram as regiões da Europa e do Hemisfério Ocidental (América do Norte, América Latina e Caribe) contribuíram de forma positiva, mas tímida, para o resultado.

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AP Photo/Mark Schiefelbein

“Apesar de a maioria das variáveis ainda não captarem a disseminação da epidemia para fora da região asiática, o resultado do Barômetro Coincidente sugere que a economia global já sofreu danos expressivos”, diz o relatório.

Em termos setoriais, a maior contribuição para a queda veio da Indústria, seguida pelo conjunto de variáveis que refletem a evolução das economias em nível mais agregado (Desenvolvimento Econômico Geral) e pelo Comércio (Varejo e Atacado). Nos setores de Construção e de Serviços a queda foi muito pequena em março.

Já o Barômetro Global Antecedente caiu 10,4 pontos, ao passar de 97,6 pontos em fevereiro para 87,2 pontos em março, após evoluir favoravelmente nos dois meses anteriores. Em geral, o Barômetro Antecedente antecipa de três a seis meses os ciclos econômicos.

Assim como no Barômetro Coincidente, a maior contribuição veio de variáveis da região Ásia, Pacífico e África, enquanto as variáveis que integram as regiões da Europa e Hemisfério Ocidental contribuíram de forma ligeiramente positiva para o resultado na margem e menos negativa quanto à distância, em nível, para os 100 pontos.

No caso do Barômetro Antecedente, as contribuições das variáveis da Indústria, bem como as variáveis do Desenvolvimento Econômico Geral, também foram particularmente responsáveis pelo declínio. As contribuições das variáveis do Comércio Varejista e Atacadista são um pouco mais negativas do que as do mês anterior e as contribuições da Construção e do setor de Serviços praticamente não se alteraram.

Metodologia

O Barômetro Coincidente reflete o estado atual da atividade econômica. O Barômetro Antecedente emite um sinal cíclico cerca de seis meses à frente dos desenvolvimentos econômicos reais.

Os dois compreendem os resultados de pesquisas de tendências econômicas realizadas em mais de 50 países.

O Barômetro Coincidente inclui mais de 1.000 séries temporais diferentes, enquanto o Barômetro Antecedente compreende mais de 600 séries temporais. A análise de correlação cruzada é usada para decidir quais séries temporais individuais são incluídas nos barômetros.

Uma série temporal só é incluída em um barômetro se mostrar uma correlação suficientemente alta e uma sincronização ou avanço adequado ao Produto Interno Bruto (PIB) global, em que os PIBs nacionais individuais são agregados à paridade do poder de compra para formar o PIB Global.

Os dois barômetros são calculados uma vez por mês e serão publicados pela FGV em torno do dia 10.